MOTOQUEIRO FANTASMA (Ghost Rider, EUA, 2007)
Gênero: Aventura
Duração: 114 min.
Elenco:
Nicolas Cage, Matt Long, Eva Mendes, Raquel Alessi, Brett Cullen, Peter Fonda, Donal Logue, Wes Bentley, Laurence Breuls, Daniel Frederiksen, Matthew Wilkinson, Kirstie Hutton, Gibson Nolte, Sam Elliott, David Roberts, Arthur Angel, Jonathan Oldham
Compositor: Christopher Young
Roteiristas: Mark Steven Johnson
Diretor: Mark Steven Johnson

Ruim dos Infernos

Adaptação de mais este personagem da Marvel é a prova de que Mark Steven Johnson deve deixar a direção e o roteiro a cargo de gente competente

Bem que eu queria gostar, mas saí da sessão de MOTOQUEIRO FANTASMA (2007) com a convicção de que tinha acabado de ver um completo lixo, um sério candidato a pior filme do ano. E até que o filme é cheio de boas intenções, já que há uma fidelidade ao texto original e ao próprio conceito do herói de crânio flamejante. Mas o principal para um bom filme funcionar ficou faltando: um bom roteiro e uma boa direção. É preferível um diretor que desconhece quadrinhos mas que faz bons filmes (como Bryan Singer) do que um fã de quadrinhos incompetente na direção, como esse Mark Steven Johnson, diretor de DEMOLIDOR (2003) e roteirista de ELEKTRA (2005). Acredito que Johnson funcionaria melhor no papel de produtor. Por isso que ainda boto fé na série de TV que ele está criando, baseada em PREACHER, os quadrinhos bizarros e violentos de Garth Ennis. A boa notícia é que Johnson quer convidar diretores como Tarantino, Rodriguez e Kevin Smith para dirigir alguns episódios. Pode vir coisa boa por aí. Mas enquanto PREACHER não estréia, falemos mais um pouco de MOTOQUEIRO FANTASMA.

O Motoqueiro Fantasma é um dos vários personagens interessantes que a Marvel criou na década de 70. Naquela época, a editora criou a Mulher-Aranha, o Mestre do Kung Fu, o Punho de Ferro, o Pantera Negra, o Luke Cage. Aliás, foi de Luke Cage que o ator Nicolas Cage criou o seu nome, na tentativa de fugir do sobrenome Coppola e tentar construir sua carreira sem a ajuda da famiglia. Cage diz que atualmente não lê mais quadrinhos, mas todo mundo sabe que ele já foi leitor voraz desse tipo de leitura e muitos lembram daquele boato que rolou um tempo atrás sobre ele querer protagonizar um filme do Superman. Seria, no mínimo, muito estranho. Acho que como Superman, ele não combinaria, mas Cage ficou bem como o Motoqueiro Fantasma. E a ele não cabe nenhuma culpa quanto ao fracasso do filme. Quando eu falo "fracasso" não quero dizer comercial, já que o filme tem faturado bem nos Estados Unidos e a sessão a que eu fui do filme estava surpreendentemente lotada. Uma prova de que trailer ruim não necessariamente assusta a audiência.

Assim como o Monstro do Pântano da DC, o Motoqueiro Fantasma é um herói da Marvel cujas histórias cruzam o território do horror. O personagem faz um pacto com o demônio para salvar o seu pai, com um câncer em estado avançado. Agora, se eu não me engano, nos quadrinhos, Johnny Blaze chegou a fazer um daqueles rituais satanistas com direito a estrela de cinco pontas e sangue derramado. Assim, o cinema - mais uma vez - acabou por suavizar o pacto que Blaze fez com o diabo, interpretado no filme por Peter Fonda, um ícone da rebeldia sessentista e que quase sempre é lembrado montando uma motocicleta. Infelizmente, Fonda também não salva o filme. Ao contrário, quando ele aparece, o filme fica ainda pior. Wes Bentley é outro que está risível como um demônio que não assusta nem criancinha. Quem talvez escapa, especialmente nos momentos de ternura do filme, é Eva Mendes. Sem falar que o diretor teve a bondade de focalizar a câmera diversas vezes no belo decote de Eva. Taí. Se tem alguma coisa boa no filme são os peitos de Eva Mendes. Com todo o respeito.

Cotação:
Ailton Monteiro
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