GLADIADOR (Gladiator, EUA, 2000)
Gênero: Aventura, Drama
Duração: 155 min
Estúdio: Universal/Dreamworks
Elenco: Russell Crowe, Joachin Phoenix, Connie Nielsen, Oliver Reed, Richard Harris
Roteirista: David H. Franzoni
Compositor: Hans Zimmer
Diretor: Ridley Scott

Parece inacreditável mas GLADIADOR foi dirigido por Ridley Scott, o mesmo cineasta que brindou o mundo com jóias como ALIEN e BLADE RUNNER. Entretanto, é bom lembrar que ele também foi responsável por aquela bomba intragável, NO LIMITE DA HONRA, com a mulher da plástico Demi Moore. Das duas uma: ou está precisando de grana ou finalmente rendeu-se ao cinemão comercial de Hollywood (e depois de seus últimos filmes, o deplorável HANNIBAL e o imperialista FALCÃO NEGRO EM PERIGO, fica claro que é a segunda opção).

GLADIADOR é sem dúvida um dos filmes mais fascistas, pretensiosos e inverossímeis já feitos. Não funciona como filme de ação - Scott não sabe filmar cenas de luta (como já havíamos comprovado em A LENDA), tornando tudo ainda mais confuso e obscuro ao tentar imitar sem sucesso o hiper-realismo de O RESGATE DO SOLDADO RYAN -, muito menos como filme de época, já que tudo é tão pasteurizado (filmar Roma com filtros azuis?) e "embonecado" que parece mais videoclipe da MTV ou cenário de videogame - isso sem falar nos erros históricos gritantes.

A história então é aquela água: Maximus, um general "honrado" (Russel Crowe, que foi premiado com o Oscar de Melhor Ator por passar o filme todo com cara de quem está com prisão de ventre) é traído pelo filho do César (Joaquim Phoenix, perdido), tem sua família massacrada (em uma das cenas mais violentas e gratuitas da história do cinema) e vive com sede de vingança, até virar gladiador e retornar a Roma onde poderá confrontar-se novamente com seu inimigo. Ou seja, você já viu isso (e melhor) em BEN-HUR, SPARTACUS, CORAÇÃO VALENTE, CONAN - O BÁRBARO, DEMÉTRIUS E OS GLADIADORES e tantos outros.

E qualquer pessoa com o mínimo conhecimento de história vai ficar constrangida com a visão Hollywoodiana do Império Romano, um dos mais sanguinários que já existiram. "Tragam a justiça e a democracia de volta a Roma", brada Maximus em uma das cenas mais ridículas do filme. Dá a impressão que os realizadores do filme estão, na verdade, traçando um paralelo entre Roma e os EUA, tentando mostrar que o imperialismo de ambos vem de sentimentos nobres como "honra" e "glória" e, portanto, deve ser louvado!

Para piorar tudo temos a trilha sonora do amador Hans Zimmer, que entorpece nossos ouvidos com um pastiche horrível de Holszt, Wagner e Ennio Morricone, misturado com guitarras espanholas, vocalizações new age descabidas (e chupadas da série Xena, a Princesa Guerreira, de Joe LoDuca) e temas heróicos bombásticos que serviriam para um comercial da nova Pick-up da GM, nunca para um personagem cuja motivação é o ódio e a sede de sangue. Resumindo: uma bomba insuportável que só a Hollywood dos dias de hoje é capaz de produzir e ainda faturar uma nota preta em cima, graças à campanhas de marketing milionárias (que conseguiram até fazê-lo faturar alguns Oscars!) e à falta de cultura geral da população.

Em tempo: o filme melhora um pouco em DVD, já que assistir em casa causa menos irritação do que nos cinemas e você pode sempre abaixar o som quando aquela música vergonhosa começar a tocar. Mas não tem jeito, termina mesmo quando Maximus revela-se no Coliseu, logo após a primeira luta em Roma. Depois disso vira um tédio só, perdendo-se em tramas e sub-tramas que tentam ser fortes e ousadas (como o incesto sugerido), mas que só conseguem ser ingênuas e burras - o ponto mais baixo é o embate final entre o gladiador e o Imperador na arena... É o tipo de filme que não dá pra gostar nem com muito boa vontade. E, convenhamos, um general Romano todo sensível, amoroso e romântico só mesmo na cabeça dos executivos de Hollywood!

Cotação: *½

André Lux

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