Austin Powers em O Homem do Membro de Ouro (Austin Powers in Goldmember, EUA, 2002)
Gênero: Comédia
Duração: 94 min
Estúdio: New Line
Elenco: Mike Myers, Beyoncé Knowles, Michael York, Michael Caine, Seth Green, Eddie Adams, Robert Wagner
Compositor: George S. Clinton, Quincy Jones
Roteiristas: Mike Myers, Michael McCullers
Diretor: Jay Roach

Not so groovy, baby

Novo filme mostra que Austin Powers e seu intérprete, o comediante Mike Myers, já perderam uma boa parte de seu mojo...

Se você gostou das outras duas comédias protagonizadas pelo atrapalhado e conquistador agente secreto dos anos 60, Austin Powers (Mike Myers), certamente dará boas risadas com esta nova continuação. Mas não tantas como seria de se esperar... Desta vez, além do nefando Dr. Evil (o próprio Myers) e seu hilário clone Mini Mim (Verne Troyer), Powers deverá enfrentar o holandês Goldmember (Myers de novo), que como o nome indica possui um "bilau" de ouro! A trama, se é que ela importa, envolve uma viagem no tempo até 1975 onde, no disco-club de Goldmember, Powers recruta a parceira Fiofoxy Cleopatra (a cantora e beleza negra Beyoncé Knowles) para ajudá-lo a derrotar os vilões, que pretendem fazer com que um cometa de ouro maciço se choque contra a Terra. Ah, e também há Michael Caine no papel de Nigel Powers, um veterano agente secreto que foi o pai ausente na infância de nosso herói. 

Investindo um pouco mais na escatologia das piadas (adaptadas para o português pelo pessoal do Casseta e Planeta) e no egocentrismo do ator principal - Myers também encarna novamente o repulsivo capanga Igor Dão - este AUSTIN POWERS EM O HOMEM DO MEMBRO DE OURO comprova que a série se tornou repetitiva. O primeiro filme, AUSTIN POWERS 000 - UM AGENTE NADA SECRETO (1997) apresentava um personagem bastante original, o agente secreto congelado no auge da revolução sexual que, reanimado no final da década de 90, tinha que aprender a lidar com as mudanças dos costumes. Além disso, também era uma bem vinda sátira/homenagem aos filmes de espionagem, principalmente de James Bond. Já no segundo, AUSTIN POWERS - O AGENTE BOND CAMA (1999), à fórmula foi adicionada a viagem no tempo e, principalmente, o pequeno Mini Mim, responsável pelas melhores cenas do filme.   

O problema deste Austin Powers é que desta vez, aos elementos já conhecidos dos filmes anteriores, não foi adicionado nada de novo que realmente funcionasse. Michael Caine como o pai de Austin (em papel que deveria ter sido de Sean Connery, o 007 em pessoa), é pouco engraçado e nada acrescenta ao humor do filme. Já o vilão Goldmember, com seu sotaque holandês e pernas de borracha, é mais patético que engraçado. O que sobra são as mesmas piadas protagonizadas por Mini Mim e Myers, em suas várias caracterizações, e algumas seqüências que valem o preço do ingresso. A melhor é a inicial, que apresenta participações especiais de Tom Cruise, Gwyneth Paltrow, Kevin Spacey, Danny DeVito, Steven Spielberg, Britney Spears e Quincy Jones (compositor do tema musical de Powers, "Soul Bossa Nova"). 

Apesar de não ter todo o mojo (o "tesão vital" de Austin) dos filmes anteriores, este novo título é o mais rentável da série. Originalmente seria o encerramento da trilogia, mas o tilintar das moedas fez Myers declarar que futuramente teremos um novo Austin Powers. Previsível, já que a carreira cinematográfica do humorista, mais um egresso do famoso programa "Saturday Night Live", inclui estrondosos fracassos como QUANTO MAIS IDIOTA MELHOR 2 e  UMA NOIVA E TANTO. Oh, behave!

Cotação:
Jorge Saldanha
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