 |
GUERRA DOS MUNDOS
(War of The Worlds, EUA, 2005)
Gênero: Ficção Científica
Duração: 116 min.
Elenco: Tom Cruise, Justin Chatwin, Dakota Fanning, Tim Robbins,
Miranda Otto, David Alan Basche, James DuMont, Yul Vazquez
Compositor: John
Williams
Roteiristas: David Koepp
Diretor: Steven Spielberg
|
Aliens maus
Steven Spielberg retorna ao
seu tema favorito, mas desta vez em um filme que reflete seu amadurecimento como
cineasta e a paranóia americana pós-11 de setembro
Steven Spielberg é o pai e
responsável por toda a era do “cinema-pipoca” atual. Proporcionando fábulas que
só a Sétima Arte é capaz, o diretor nos levou a conhecer lugares e seres
extraordinários, aventuras nunca antes possíveis até ao paradoxo da realidade
cruel. Porém, depois do Oscar por
A Lista de Schindler,
algo mudou: sua direção se tornou mais contida e suas
obras, antes tão fabulosas, tomaram um tom mais reflexivo. Eis então este
Guerra dos Mundos,
uma adaptação do livro homônimo de H.G Wells (que já havia sido filmado em 1953)
que leva o velho Spielberg às origens.
No elenco temos um excelente Tom Cruise interpretando
Ryan Ferrier, um pai divorciado que tenta um relacionamento com seus filhos,
crianças que não tem o menor vínculo e afeição pela figura ausente. No início da
projeção compartilhamos o relacionamento conturbado dos três, e o fato da
intimidade familiar ser um entrave para a convivência entre eles. Spielberg
acerta nesta primeira parte da narrativa onde conhecemos os personagens, suas
características e sentimentos. A pequena atriz Dakota Fanning (foi a primeira
vez que a vi na tela) é de um brilhantismo singular, ela interpreta a personagem
de forma sutil e cheia de nuances, de modo impressionante para uma atriz de sua
idade. Ignorado por
Colateral,
Cruise merecia uma indicação ao Oscar, até como uma forma de recompensar o erro
anterior e indicá-lo por duas dignas interpretações. Em um momento tenso, a
ânsia pela vida nos mostra a angústia do pai pela sobrevivência de seus filhos,
forçando-o a atitudes extremas; e Cruise, de modo visceral, demonstra o quanto
estava entregue ao personagem.
É quando entramos na segunda parte. Os aliens
começam seu extermínio em massa e o fazem de forma angustiante e cruel. Cenas
impactantes não faltam na carreira de Spielberg, mas aqui ele se supera. E
difícil escolher a melhor. O diretor brinca com o inevitável o filme todo, e nós
nos rendemos ao seu jogo de aflições. Em certo momento parei e pensei: é um
filme do Steven? Ao contrário de outras obras suas aqui temos a sensação de
inevitabilidade, de que não haverá mais um happy end, mas não... estamos
em um filme do diretor de CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU e E.T., só que
desta vez, além dos aliens não serem bonzinhos, temos refletida na tela a
paranóia provocada nos americanos pela destruição terrorista do 11 de setembro.
Sim, estamos em um filme de Spielberg
e a trilha de
John Williams
não poderia faltar. Encaixando perfeitamente com a
tensão mostrada na tela, o compositor mais uma vez entrega uma trilha funcional,
mas nada memorável e aqui abro um parêntese. Muito se tem discutido quanto a
funcionalidade das trilhas atuais e a falta de temas fortes.
Um exemplo recente é
Batman Begins
e a trilha composta pela dupla
James Newton Howard e
Hans Zimmer, onde a ausência
de um tema forte para o Morcegão foi muito criticada. Após o
Episódio III
e este
Guerra dos
Mundos, cheguei à conclusão que a música que
“funciona apenas na sala de projeção” é (se boa ou não) uma tendência das
trilhas atuais. Para Williams já não há mais fanfarras. O diretor refina sua
obra, e assim como Spielberg amadureceu (e conteve) seu estilo de direção, seu
fiel parceiro Williams também o fez.
Não revelarei o final, mas ele é um tanto insatisfatório e destoa de toda
a tensão criada nas quase duas horas anteriores. O filme termina de forma
abrupta, inesperada e decepcionante. Ele o fez em A.I. e repetiu a dose em
Guerra dos Mundos,
o que é uma pena. Fiel à obra original, o final é um anti-clímax e a narração em
off despeja uma filosofia barata nos tensos espectadores para mostrar que
o filme acabou e de forma feliz. Nesta obra Spielberg demonstra todo o seu
conhecimento e evolução da arte em que criou, mas a sensação de que faltou algo
é evidente. Spielberg cresceu, seu público fiel também.
|