HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO (Harry Potter and The Goblet of Fire, EUA/Inglaterra, 2005)
Gênero: Aventura, Fantasia
Duração: 157 min.
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Robert Pattinson, Jason Isaacs, Stanislav Ianevski, Katie Leung, Robbie Coltrane, Michael Gambon, Clémence Poésy, Alan Rickman, Brendan Gleeson, Miranda Richardson, Gary Oldman, Ralph Fiennes
Compositor: Patrick Doyle 
Roteirista: Steven Kloves
Diretor: Mike Newell

Hormônios ingleses

O primeiro filme de Harry Potter dirigido por um inglês (Mike Newell) mostra o despertar da libido dos protagonistas adolescentes, mas não é tão bom quanto o anterior, do mexicano Cuarón

Desde que soube que seria Mike Newell o diretor do quarto filme de Harry Potter, fiquei desanimado com a escolha. Newell, embora tenha bons filmes no currículo - adoro QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL (1994) -, também tem títulos desprezíveis, como é o caso de O SORRISO DE MONA LISA (2003). É um diretor sem uma marca autoral, além de ter uma competência duvidosa como mero "operário".

Porém, teoricamente, o fato de a direção estar nas mãos de Newell representa um passo à frente na tentativa de tornar o Harry Potter das telas tão britânico quanto o dos livros de J.K. Rowling. Foi a primeira vez que um inglês dirigiu um filme da série, que antes esteve nas mãos de um americano (Chris Columbus) e de um mexicano (Alfonso Cuarón). Eu adorei HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN (2004), dirigido por Cuarón. Para mim, que nunca li um livro sequer de Harry Potter, o filme é perfeito. Envolvente, mágico, empolgante, surpreendente. Por isso, levando em consideração as ótimas críticas que HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO (2005) têm recebido e com a boa lembrança do terceiro filme, fui ao cinema conferir esse quarto filme da franquia com boas expectativas. Resultado: me decepcionei bastante.

Não que o filme não tenha alguns bons momentos (penso especialmente na seqüência no fundo do mar), mas é que a trama é das mais fracas de toda a série. Parece uma obra destinada às platéias que curtem videogames ou RPGs, já que a história toda se sustenta no tal "Torneio Tribuxo", uma competição mortal e cheia de mistérios, que o filme tenta nos convencer o tempo todo de que se trata de algo altamente perigoso e que o nosso herói, Harry Potter, está correndo perigo. Mas a gente sabe que não, que ele vai se sair muito bem, apesar dos díficeis obstáculos. Sempre haverá um feitiço que o salvará dos perigos. Talvez seja essa certeza, e esse excesso de truques na manga, que tenha me deixado um pouco aborrecido - além de eu também não ter gostado da fotografia, muito "européia".

Uma das melhores coisas do filme é Emma Watson, garota que está bem crescidinha. Ela está ficando cada vez mais bela e carismática, ao contrário de seus parceiros Daniel Radcliffe e Rupert Grint, cada vez mais feios à medida que se aproximam da idade adulta. Também considero um ponto alto do filme as cenas do baile. Os hormônios agindo na adolescência, a chegada das paixões, o despertar da libido - ok, talvez libido seja uma palavra um tanto pesada para o filme, mas enfim... Felizmente, a bela seqüência final acena para um quinto filme muito melhor, mais sombrio e maduro. É esperar pra ver.

Cotação:
Ailton Monteiro
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