HARRY POTTER E A ORDEM DA FÊNIX (Harry Potter and the Order of the Phoenix, EUA/Inglaterra, 2007)
Gênero: Aventura, Fantasia
Duração: 138 min.
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Helena Bonham Carter, Robbie Coltrane, Ralph Fiennes, Michael Gambon, Brendan Gleeson, Richard Griffiths, Jason Isaacs, Gary Oldman, Alan Rickman, Fiona Shaw, Maggie Smith, Imelda Staunton, David Thewlis, Emma Thompson
Compositor: Nicholas Hooper
Roteirista: Michael Goldenberg
Diretor: David Yates

Seguindo um padrão

Novo filme de Harry Potter mais uma vez não é tão bom quanto o dirigido por Alfonso Cuarón em 2004, é chato como os demais e traz um final que é um verdadeiro balde de água fria

Continuo achando que a série Harry Potter só tem mesmo valor para aqueles que acompanham os livros de J.K. Rowling. Com exceção do ótimo HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN (2004), dirigido habilmente por Alfonso Cuarón, todos os demais episódios da série só me provocaram sono e tédio. O novo título, HARRY POTTER E A ORDEM DA FÊNIX (2007), dessa vez sob a batuta do inglês David Yates, infelizmente não é mais uma bem vinda exceção. Pelo contrário, para quem não tem intimidade com os livros, o novo filme é ainda mais chato e cheio de referências, acumuladas ao longo dos volumes anteriores e rapidamente esquecidas por quem não se liga no universo da escritora.

Outro problema do filme - ou pelo menos algo que deve ser psicologicamente esperado pelo espectador - é o excesso de discussões políticas em Hogwarts. Parece que David Yates pegou uma batata quente ao ter que adaptar justamente esse livro, considerado por vários leitores como sendo o mais fraco da série. Assim como aconteceu com o anterior, HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO (2005), incomodou-me nesse filme a fotografia enevoada e pouco nítida, típica das produções inglesas. Se bem que alguém pode até dizer que isso é proposital, para que o crescente clima sombrio da série seja mais explicitado.

Nesse quinto filme da série, a personagem principal, além do próprio Harry Potter, é a megera sorridente Dolores Umbridge (Imelda Staunton) que usa de suas artimanhas para tomar o poder de Hogwarts das mãos do diretor Dumbledore. O que tira um pouco o filme do marasmo é justamente a tentativa de Harry e seus amigos de se rebelarem contra Umbridge, através de reuniões secretas para praticar a magia. Nessas reuniões, na falta de um professor, Harry é o escolhido para ser o facilitador dos treinamentos.

Talvez por falta de tempo e para que o filme não fique com uma duração quilométrica e ainda mais chato (138 minutos já é tempo demais, não?), o diretor preferiu não se ater muito aos personagens, concentrando-se mais na trama. Nesse sentido, até que o cineasta fez bem em cortar também várias das possíveis discussões políticas, através do recurso das manchetes de jornais e das decisões de Umbridge pregadas na parede. Porém, não dá para se gostar de um filme cujo clímax - o momento supostamente mais trágico e que envolve a morte de um dos personagens importantes da série - é um verdadeiro balde de água fria. Para acabar de esfriar o que estava apenas morno.

Quanto ao trio de protagonistas, Emma Watson continua uma graça (queria vê-la em outros filmes), Rupert Grint continua com a mesma cara de amigo boboca e Daniel Radcliffe está cada vez maior, com cara de adulto. Por causa disso, os próximos filmes precisam ser feitos às pressas; senão daqui a pouco o rapaz vai aparecer barbado. O próximo da série, HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE, já está agendado para o ano que vem, tendo novamente o insosso David Yates na direção.

Cotação:
Ailton Monteiro
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