E SE FOSSE VERDADE (Just Like Heaven, EUA, 2005)
Gênero: Comédia romântica
Duração: 95 min.
Elenco: Reese Whiterspoon, Mark Ruffalo, Donal Logue, Dina Spybey, Ben Shenkman, Jon Heder, Ivana Milicevic, Rosalind Chão, Chris Pflueger, Kerris Dorsey, Alyssa Shafer, Ron Canadá, Caroline Aaron
Compositores: Rolfe Kent, Robert Smith
Roteiristas: Peter Tolan, Leslie Dixon, Marc Levy
Diretor: Mark Waters

Mais do que aparenta

Apesar dos clichês o novo filme do diretor Mark Waters extrapola o gênero, e mostra que a atriz Reese Whiterspoon está numa grande fase de sua carreira

Alguns trailers, em vez de cumprir da melhor maneira possível sua tarefa de "vender o produto", acabam passando uma idéia errada do mesmo para o público. O trailer de E SE FOSSE VERDADE (2005) é um desses casos. Para completar, os críticos também não estão ajudando: o filme está sendo tratado como um mero filminho bobo, propício para o natal, época em que as pessoas vão menos ao cinema e, quando vão, elas talvez precisem de algo mais leve para atenuar as cargas desse período, em que a cabeça da gente anda cheia de reflexões e o coração está mais sensível. Até quem não é cristão, ou adepto das tradições natalinas, acaba fazendo esse tipo de balanço anual.

Como passei por um momento traumático recentemente, tenho encarado a vida como algo bem mais frágil e passível de extinção. Talvez por isso que eu não consiga ver o filme como uma mera comédia romântica. Aliás, nem sei se o termo “comédia” pode ser aplicado a esse filme. Na trama, Reese Whiterspoon é uma médica novata e bastante esforçada que sofre para conseguir a efetivação no hospital. No dia que consegue, ao voltar para casa sofre um terrível acidente, tendo seu carro atingido por um caminhão. Depois dessa seqüência passamos a ver o filme pelo ponto de vista de Mark Ruffalo, um arquiteto deprimido que procura um apartamento para morar sozinho. Até que o destino, como que por milagre, joga literalmente na sua cara um anúncio de aluguel de apartamento. O lugar é confortável e tem uma bela visão da cidade de San Francisco. O problema é que ele vai ter que lidar com o espírito de Reese, que faz questão que ele saia de sua propriedade. Contar mais pode estragar algumas surpresas.

Algumas das situações, de fato, nem podem ser chamadas de surpresas - são velhos clichês -, mas de vez em quando o diretor Mark Waters consegue subverter as regras do gênero. Neste filme, é possível que ele até tenha ido ainda mais longe do que em MENINAS MALVADAS (2004), seu mais elogiado filme. Ele é esperto o suficiente para saber aproveitar o poder carismático de seu elenco. Se nos seus filmes anteriores - o outro é SEXTA-FEIRA MUITO LOUCA (2003) -, ele soube fazer bom uso da gracinha da Lindsay Lohan, neste novo trabalho, Mark Ruffalo e Reese Whiterspoon têm seu espaço para brilhar. Reese, inclusive, está numa fase muito boa de sua carreira e pode até ser indicada ao Oscar por seu papel em JOHNNIE & JUNE.

Como apreciador de música pop, alguns filmes conseguem me conquistar logo de cara, apenas pelo bom uso de uma canção marcante nos créditos de abertura. Nesse filme, tive o prazer de ouvir "Just like heaven", do The Cure, na voz de Katie Melua - nunca ouvi falar dessa moça. O bom é que quem quiser ouvir também a versão original, é só ficar até os créditos finais para matar a saudade desse clássico. Enquanto isso, você pode ficar por alguns minutos pensando nesse lance de destino, em coisas inevitáveis, em conspirações astrais...

Cotação:
Ailton Monteiro
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