HELLBOY (Hellboy, EUA, 2004)
Gênero: Aventura
Duração: 122 min.
Elenco: Ron Perlman, John Hurt, Selma Blair, Rupert Evans, Karel Roden, Jeffrey Tambor, Ladislav Beran, Corey Johnson
Compositor: Marco Beltrami
Roteiristas
: Guillermo del Toro, Peter Briggs
Diretor: Guillermo del Toro

Ele é infernal

Guillermo del Toro transforma uma HQ pouco conhecida no Brasil em uma simpática e bem sucedida aventura

E a odisséia das adaptações cinematográficas de gibis continua, mas isso não é de surpreender. O que surpreende mesmo é que, à exceção do polêmico HULK de Ang Lee, essas adaptações têm sido bem aceitas tanto pelo público como pela crítica. O mexicano Guillermo del Toro, que em 2002 conduziu o interessante BLADE 2 e recusou o convite para dirigir HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN, foi o responsável por trazer HELLBOY e os demais personagens criados por Mike Mignola para as telas.

No início do filme estamos em 1944, quando os nazistas combinam ciência e magia negra na tentativa de vencer a II Guerra Mundial. Hitler utiliza o monge louco Rasputin (Karel Roden) para abrir um portal dimensional, a fim de trazer para o mundo sete demônios com poderes suficientes para destruir o mundo. Os aliados atacam o local onde está sendo realizada a cerimônia e destroem o portal, porém não evitam que um bebê demônio com uma grande mão de pedra, Hellboy, seja invocado.

O pequeno demônio é criado pelo Prof. Bloom (John Hurt), fundador do Bureau Federal de Pesquisa e Defesa Paranormal, braço do FBI dedicado a combater as forças do mal que ameaçam o mundo. Já adulto, Hellboy (Ron Perlman, acostumado a interpretar sob pesada maquiagem desde os tempos da série de TV A BELA E A FERA), um gigante vermelho com os chifres serrados e que não dispensa um bom charuto, é um dos principais agentes do Bureau. O nosso demônio do bem tem coração, e nutre uma grande paixão pela sua incendiária colega Liz (Selma Blair). No entanto, Rasputin e seus seguidores retornam para finalizar o trabalho iniciado há 60 anos.

Confesso que só descobri a existência destes comics da Dark Horse quando soube da produção deste filme, portanto não tenho como compará-lo aos quadrinhos. Dito isto, achei este HELLBOY um híbrido que lembra em alguns momentos X-MEN (uma equipe de mutantes combatendo os vilões), porém com um senso de humor muito próprio. O filme se beneficia da atuação esplêndida de Perlman, que faz de seu bizarro Hellboy um super-herói não apenas poderoso, mas principalmente simpático e bem-humorado - aliás, como o filme em si.

Mesmo com cenas de ação que não fogem à rotina das produções atuais, nas quais o protagonista passa a maior parte do tempo combatendo monstrengos digitais, HELLBOY conta com os talentos de Del Toro (que não se rende aos excessos da computação gráfica e deixa espaço para os personagens se desenvolverem), Perlman, do especialista em maquiagens Rob Bottin e do compositor Marco Beltrami, todos em seu ponto máximo. É uma grande diversão, e já com uma continuação prevista para 2006.

Cotação:
Jorge Saldanha
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