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FRANCIS HIME

por Fábio Massaine Scrivano

Um dos gênios da música brasileira, melodista de "Minha", "Meu Caro Amigo", "Trocando em Miúdos", "Embarcação" e "Vai Passar", entre outras jóias do nosso cancioneiro, Francis Hime também destacou-se como compositor de trilhas sonoras para filmes nacionais. A relação de Hime (nascido em agosto de 1939, no Rio de Janeiro) com o cinema nacional começou, na verdade, antes dele musicar filmes. Algumas de suas primeiras canções, como "Por um Amor Maior" (1965), tiveram letra do cineasta Ruy Guerra, de Os Cafajestes e Os Fuzis. A filmografia do compositor tem início em 1968, com a comédia O Homem que Comprou o Mundo, escrita e dirigida por Eduardo Coutinho. No ano seguinte, Hime mudou-se para os Estados Unidos onde ficaria até 1973. Morando em Los Angeles, vivenciou um período fundamental para sua carreira cinematográfica. Ele estudou orquestração com Hugo Friedhofer, que já havia trabalhado com Erich Korngold e Max Steiner, e composição para cinema com David Raksin e Lalo Schifrin. Sobre Raksin, declarou: "Ele fez, por exemplo, com Johnny Mercer, "Laura". Sabe lá o que é isso?".

Hime e Simone

De volta ao Brasil, trabalhou em A Estrela Sobe (1974), de Bruno Barreto, e Um Homem Célebre (1974), de Miguel Faria Jr., dois filmes de temática musical. Em seguida, compôs suas três trilhas mais importantes: A Noiva da Cidade (1975), Lição de Amor (1975) e Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), tendo sido premiado no Festival de Gramado pelas duas últimas. Para A Noiva da Cidade, que tem direção de Alex Viany e mostra o retorno de uma estrela de cinema à sua cidade natal, Hime criou três músicas em parceria com Chico Buarque, com quem formou uma das grandes duplas da MPB. Destacam-se a ótima canção-título e "Passaredo", uma pioneira advertência ecológica. Baseado em livro de Mário de Andrade ("Amar, Verbo Intransitivo") o sensível Lição de Amor possui uma bela trilha instrumental. É um trabalho cujo refinamento melódico e sonoro evidencia a formação erudita do compositor. O drama, dirigido por Eduardo Escorel e passado num casarão da São Paulo dos anos 20, tem Rogério Fróes como o pai de família que contrata uma governanta alemã (Lilian Lemmertz) para promover a iniciação sexual e afetiva de seu filho adolescente (Marcos Taquechel).

Francis e Olivia Hime

A primeira lembrança musical do delicioso Dona Flor e Seus Dois Maridos, enorme sucesso de bilheteria dirigido por Bruno Barreto a partir do livro de Jorge Amado, é provavelmente a brilhante "Que Será", canção de Chico Buarque interpretada por Simone. Mas o filme também é valorizado por uma excelente trilha instrumental de Francis Hime, que ressalta admiravelmente tanto o aspecto cômico quanto o romântico do inusitado triângulo amoroso formado pela dona de casa baiana Florípedes (Sônia Braga, no auge da sensualidade), o recém-falecido Vadinho (José Wilker), mulherengo e jogador com quem era casada, e o circunspecto farmacêutico Teodoro (Mauro Mendonça), seu novo pretendente. Desde 1979, ano de República dos Assassinos, de Miguel Faria Jr., Francis Hime está afastado dos filmes. Uma pena, porque ele ainda tem muito a oferecer, como comprova sua magnífica "Sinfonia do Rio de Janeiro de São Sebastião", de 2000. Mas vale lembrar que uma das músicas de seu mais recente disco, "Brasil Lua Cheia", chama-se "Cinema Brasil". A letra, de Joyce, fala de Grande Otelo, Oscarito, Fernanda Montenegro, Cinema Novo ...

Filmografia de Francis Hime, cortesia de Internet Movie Database

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