A MORTE PEDE CARONA (The Hitcher, EUA, 2007)

Gênero: Suspense

Duração: 83 min.

Elenco: Sophia Bush, Sean Bean, Zachary Knighton, Neal McDonough, Skip O'Brien, Travis Schuldt, Yara Martinez, Lauren Cohn, Danny Bolero, Kyle Davis

Compositor: Steve Jablonsky

Roteiristas: Jake Wade Wall, Eric Brent

Diretor: Dave Meyers

A volta do caroneiro

Refilmagem de suspense cult dos anos 1980 reflete o processo de masculinização da mulher no cinema

Muita coisa mudou de uns anos para cá. Os filmes de suspense e terror que lidam com psicopatas estão cada vez mais sangrentos e gráficos, e as mulheres já não são apenas "scream queens", isto é, não passam os filmes o tempo todo gritando e correndo feito loucas. Poder-se-ia dizer que isso faz parte de um processo de masculinização da mulher que acabou se refletindo nos novos filmes. Na refilmagem de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, por exemplo, a mocinha interpretada por Jessica Biel chega a cortar fora o braço do próprio Leatherface! O remake de A MORTE PEDE CARONA (2007), então, não poderia ser muito diferente, até por ser também produzido pelo mesmo Michael Bay do citado filme. A perturbada heroína, dessa vez, é a bela Sophia Bush, uma versão melhorada da Deborah Secco, e que fica mais bela ainda de minissaia, botas e uma arma de fogo na mão. Fetiche puro.

O diretor convidado para essa releitura foi Dave Meyers, mais conhecido pela direção de videoclipes de artistas como The Offspring, Britney Spears, Creed e Jennifer Lopez. E como diretor de vídeos musicais, há um certo capricho no visual do filme, ainda que não haja exagero no uso de filtros e de uma edição muito picotada. Na verdade, o que se vê é mais um suspense bastante genérico, ou seja, não muito diferente dos vários exemplares do gênero que vimos nos últimos anos. A decisão de se trocar um protagonista masculino - do original de 1986 - por um jovem casal foi acertada, funcionou bem. O começo do filme, mostrando uma lebre atravessando uma estrada e sendo esmagada, é interessante, dá o tom do filme que varia entre os sustos e o humor negro. A certa altura não resta muita escolha ao espectador a não ser rir dos absurdos que o caronista psicopata (Sean Bean) é capaz de fazer. Talvez Sean Bean não seja tão assustador quanto Rutger Hauer, mas dá pro gasto.

O fiapo de trama, herdeiro do ENCURRALADO de Spielberg, continua funcionando bem e o filme não aborrece em nenhum momento de seus 84 minutos. Trata-se de um filme bem enxuto e que garante o entretenimento de quem vai ao cinema sem muitas expectativas. Só continuo achando que o filme original, por ter apenas pouco mais de vinte anos, ainda não necessitava de uma refilmagem. Mas como a falta de idéias reina em Hollywood, o jeito é esperar que o resultado seja satisfatório. E dentro do que se pode esperar desse filme, até que ele não se saiu mal. E eu não me admiraria se eu fosse rever o original de Robert Harmon e chegasse à conclusão que a refilmagem é melhor, já que faz muito tempo que eu o vi na televisão. Pode ser que ele não tenha envelhecido bem.

Cotação:
Ailton Monteiro
FILME EM DESTAQUE