O HOMEM QUE COPIAVA (Brasil, 2003)
Gênero: Comédia
Estúdio: Columbia
Elenco: Lázaro Ramos, Luana Piovani, Pedro Cardoso, Leandra Leal, Paulo José, Júlio Andrade, Carlos Cunha Filho
Roteirista: Jorge Furtado
Diretor: Jorge Furtado

Gaúcho bom de filme

Roteiro promissor é filmado com segurança pelo diretor Jorge Furtado, dando origem a um dos mais criativos filmes nacionais dos últimos anos

Responsável pelo magistral curta ILHA DAS FLORES, considerado por muitos o mais importante da história do cinema brasileiro, o diretor gaúcho Jorge Furtado estreou com longas com HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES, filme que teve uma escassa distribuição, passando apenas em algumas grandes cidades. Por sua vez, este O HOMEM QUE COPIAVA, sua segunda empreitada, foi considerada de acordo com o talento de seu criador. 

Furtado é um diretor de estilo próprio, bastante baseado em Tarantino e outros cineastas modernos - dá diversas voltas no tempo em suas histórias, muitas vezes com sacadas inteligentes e curiosas que fogem do tema principal e acabam caindo em lugares atípicos e inesperados. Quem não se lembra da massagem nos pés em PULP FICTION? O HOMEM QUE COPIAVA é cheio desse tipo de diálogo. 

O filme parte de um ponto simples: André, um "Operador de Fotocopiadora", como se auto denomina, é apaixonado por Sílvia, sua vizinha. Certo dia segue a moça, que trabalha como vendedora em uma loja de roupas, e encomenda uma peça para sua mãe. Ocorre que a roupa esta custa 38 Reais, um dinheiro que o rapaz não tem. Com uma narração em off que lembra outro grande cineasta americano, Martin Scorsese (desde onde me lembro, sempre quis ser um gângster...), Furtado estabelece um ponto de vista interessante sobre sua história, e começa a aprontar surpresas para o espectador quando são apresentados Cardoso e Marinês, "amigos" de André. 

Nasce então uma interessante trama policial, envolvendo idéias que fogem totalmente da considerada "moral". O quarteto principal interage de uma maneira que conquista totalmente o espectador, abrindo espaço para toda a inventividade do roteiro. Ocorrem diversos momentos inesquecíveis durante a projeção, que não pretendo revelar aqui para não acabar com a surpresa do espectador. Porém, em certo momento, o personagem André entra em uma loja seguindo o pai de Sílvia. Ao ser percebido, disfarça e diz "Sou um estudante, e estou fazendo uma pesquisa. Qual a sua banda preferida?". A resposta é "Creedence", o que faz toda a seqüência seguinte ser orquestrada por uma música da banda. 

Assim, Furtado apenas conta sua história, com alguns arrojos, como efeitos em Split Screen durante a projeção, mas sempre com uma mão firme que não deixa a linha soltar, e uma brilhante condução de elenco - Luana Piovani é o destaque, capaz de arrancar suspiros e com uma atuação digna de aplausos. 

Curioso o fato que o outro grande filme nacional dos últimos tempos, CIDADE DE DEUS, tinha os mesmos inspiradores - Tarantino e Scorsese. Continuando nesse nível, temos tudo para vir a ser uma grande força do cinema mundial.

Cotação:
Carlos Massari
FILME EM DESTAQUE