HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL (Harry Potter and The Sorcerer´s Stone, EUA, 2001)
Gênero: Aventura, Fantasia
Duração: 152 min
Estúdio: Warner Bros.
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, John Cleese, Robbie Coltrane, Warwick Davis, Richard Griffiths, Richard Harris
Roteiristas: Steven Kloves
Compositor: John Williams
Diretor: Chris Columbus

Não poderia ser mais decepcionante a adaptação do fenômeno literário do momento. Infelizmente, HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL é um filme sem alma, produzido de forma burocrática e sem ousadias - o que não chega a ser uma surpresa se levarmos em conta que o nome de Chris Columbus está nos créditos, diretor sem personalidade acostumado a realizar fitas infantilóides e de consumo rápido, como UMA BABA QUASE PERFEITA ou ESQUECERAM DE MIM. E pensar que realizadores do porte de um Terry Gilliam ou mesmo Steven Spielberg foram rejeitados para o projeto... 

O maior defeito desse HARRY POTTER, todavia, é o roteiro esquemático e acéfalo de Steven Kloves, que comete o mesmo pecado da primeira adaptação para as telas de O SENHOR DOS ANÉIS, feita por Ralph Bakshi em 1978: acredita que todo mundo leu o livro e, portanto, já está familiarizado com os termos e clima da história. Ou seja, para quem realmente leu o livro o filme acaba até agradando, pois fica fácil para esse espectador preencher os imensos furos da trama. Já para o "não iniciado", o que se vê na tela é um amontoado de cenas sem coerência, unidas pifiamente por uma obscura sub-trama envolvendo a tal "Pedra Filosofal" que dá título ao filme. 

Tudo isso embalado por dezenas de efeitos especiais digitais, que variam do eficiente ao tosco (a seqüência do jogo de Quadriból é particularmente confusa e mal realizada), mas que jamais ultrapassam o banal. A trama gira em torno de um menino que tem poderes mágicos especiais e, depois de ter os pais mortos por um mago do mal, passa boa parte da infância sendo criado por tios (que, inexplicavelmente, tratam-no como um escravo). Um dia ele é recrutado para iniciar seus estudos em uma escola de magia que, aparentemente, existe em algum tipo de dimensão paralela à das pessoas normais (rotuladas de "trouxas" por quem traduziu o original). 

A partir daí somos apresentados a uma série de personagens que, entre amiguinhos, professores e empregados, entram e saem de cena sem maiores explicações ou justificativas. Chega a ser irritante a apatia e a estupidez dos professores, que são caracterizados como magos poderosos, mas revelam-se incapazes de perceber o que está realmente acontecendo na escola e tomar as devidas atitudes. O filme também mostra de maneira incrivelmente inconseqüente crianças arriscando a vida - como na estúpida seqüência das aulas de vôos em vassoura, onde um menino se esborracha no chão, quebra o braço e fica tudo por isso mesmo. 

A fita conta com a presença de vários atores consagrados, como Richard Harris (no papel de Alvo Dumbledore, personagem obviamente clonado do Gandalf de O SENHOR DOS ANÉIS, só que não tem o que fazer), Maggie Smith, Alan Rickman (totalmente perdido), John Hurt e John Cleese (do Monty Python), mas eles ficam tão pouco tempo em cena que nem chegam a causar maior impressão. Atrapalha também a trilha sonora de
John Williams, que além de ser intrusiva, piegas e excessivamente grandiloqüente, recicla descaradamente seu próprio material já usado em HOOK, ESQUECERAM DE MIM e AS BRUXAS DE EASTWICK. 

O filme só não chega a ser totalmente insuportável graças à presença do ator mirim Daniel Radcliffe, que possui carisma genuíno e transforma Harry Potter em um personagem agradável e simpático. Infelizmente, é muito pouco para salvá-lo e o que poderia ter se tornado um grande filme de fantasia e aventura, resultou numa espécie de "Os Melhores Momentos de HARRY POTTER - Veja o Filme, Leia o Livro e Compre os Bonequinhos"... 

Melhor mesmo é ler os livros, pois certamente vão estimular muito mais a nossa imaginação que o filme que, no final das contas, nada mais é do que um típico produto pré-fabricado por um grande estúdio para fazer sucesso fácil e rápido, totalmente embonecado, artificial e incapaz de transmitir emoções ou valores genuínos. 

Cotação: **

André Lux

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