HOMEM DE FERRO (Iron Man, EUA, 2008)
Gênero: Ficção Científica, Aventura
Duração: 126 min.
Elenco: Robert Downey Jr., Terrence Howard, Gwyneth Paltrow, Jeff Bridges, Leslie Bibb, Faran Tahir, Clark Gregg, Jon Favreau, Stan Lee
Compositor: Ramin Djawadi
Roteiristas: Art Marcum, Matt Holloway, Mark Fergus e Hawk Otsby
Diretor: Jon Favreau

Sólido como... ferro

Nova adaptação da Marvel inaugura a temporada de blockbusters de 2008, iniciando de forma consistente uma nova franquia (quem sabe, até mais de uma) e resgatando Robert Downey Jr. para o estrelato

Meados dos anos 1960... os postos Shell começaram a distribuir como brinde aos clientes os primeiros gibis da saudosa EBAL com os super-heróis da Marvel, simultaneamente à chegada na TV do desenho que, basicamente, reproduzia a arte dos quadrinhos. Foi então que, seja nas páginas do gibi, seja na telinha da TV, tive meu primeiro contato com Homem de Ferro, Hulk, Capitão América, Thor e Namor, criações de Stan Lee, Jack Kirby e de outros talentos da Marvel. Desta fase, para mim o Homem de Ferro foi o mais icônico, e não deixa de ser um espanto que agora, passados mais de 40 anos, ele chegue ao cinema num filme com méritos suficientes para me provocar toda esta onda de nostalgia.

Talvez isso pudesse ter me acontecido antes com o HULK de Ang Lee, mas o filme foi tão decepcionante que, na saída do cinema, só pensava nos seus problemas. Já neste HOMEM DE FERRO faltam erros e sobram acertos, estes começando pela escolha de Robert Downey Jr. que, após brigar para conseguir o papel, interpreta de forma perfeita Tony Stark, o playboy dono de uma multinacional de armamentos que, após quase morrer após a demonstração de um míssil no Oriente Médio, resolve dedicar sua vida e os recursos de sua empresa para combater o mal sob a armadura do Homem de Ferro. Após o longo ostracismo do ator provocado pelo álcool, drogas e passagens pela prisão, pode-se traçar um paralelo entre a redenção de Stark e a do próprio Downey Jr., um excelente ator que, após conhecer a glória em CHAPLIN, se perdeu e agora tem todas as chances para retornar ao estrelato. Estranhamente o filme não apresenta Stark como nos gibis, um alcoólatra - mas sim como um bon vivant irresponsável que só pensa em mulheres e máquinas possantes. Quem sabe, uma concessão para não constranger o ator.

Além de trazer de volta a também meio sumida Gwyneth Paltrow, muito bem na pele da secretária faz-tudo "Pepper" Potts, outro acerto foi a direção de Jon Favreau. Lembrava-me de Favreau principalmente por ter interpretado o advogado amigo de Ben Affleck em DEMOLIDOR - O HOMEM SEM MEDO. E não deixa de ser irônico que a maior parte da participação de Favreau naquele filme tenha sido excluída da montagem que passou nos cinemas, porém retornando na posterior (e superior) Versão do Diretor que saiu em DVD. Não sei se isto teve algo a ver com a escolha de Favreau, mas o fato é que ele soube levar à tela o Homem de Ferro prestando um belo tributo à sua origem nos gibis (trocando o Vietnã pelo Afeganistão), e com referências que fazem a alegria dos fãs - por exemplo, quando o tenente-coronel James "Jim" Rhodes (o sempre ótimo Terrence Howard) olha para a armadura de reserva (prateada) do Homem de Ferro e diz "agora não, fica para a próxima", o fã já sabe exatamente o que virá por aí. Detalhe: Favreau, no filme, é o motorista da limusine de Stark.

Os efeitos visuais da ILM estão no padrão dos que a empresa de George Lucas criou para TRANSFORMERS, ou seja, impressionantemente foto-realistas. Aliás, a semelhança entre as cenas do confronto entre o super-herói e o vilão Monge de Ferro são similares às do filme de Michael Bay, porém menos espetaculares. Mas que se encaixam perfeitamente na proposta do filme e, portanto, tornam-se plenamente satisfatórias. Para variar temos mais um filme de super-herói que recebe uma trilha sonora medíocre, cortesia do idem Ramin Djawadi (BLADE: TRINITY). É uma pena que, ao vermos o Homem de Ferro cruzando os céus, ele não seja acompanhado por uma música à altura.

HOMEM DE FERRO foi o primeiro filme 100% financiado pela Marvel, que agora é um estúdio, e o resultado mostra que Stan Lee (que na sua divertida e costumeira ponta aparece como um velho milionário cercado por mulheres - Hugh?) e sua turma, com plena autonomia financeira e criativa, farão a alegria de seus fãs nos próximos anos. Um exemplo disso é a cena escondida após os créditos finais, onde Stark volta para sua casa e é recebido por uma misteriosa figura, da qual não vemos inicialmente seu rosto mas que se dirige a ele com a voz inconfundível de Samuel L. Jackson. Quando a figura se aproxima confirmamos que de fato é Jackson, de tapa-olho, identificando-se como Nick Fury, o líder da organização secreta do governo S.H.I.E.L.D. Fury diz que está ali para informar a Stark que o Homem de Ferro não é o único super-herói do mundo, e que gostaria de lhe falar sobre uma iniciativa chamada "Vingadores"...

Cotação:
Jorge Saldanha
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