A ISCA PERFEITA (Birthday Girl, Inglaterra, 2001)
Gênero: Suspense
Duração: 93 min.
Elenco: Nicole Kidman, Ben Chaplin, Vincent Cassel, Mathieu Kassovitz, Stephen Mangan, Alexander Armstrong, Mark Gatiss, Ben Miller 
Compositor: Stephen Warbeck
Roteiristas: Jez Butterworth, Tom Butterworth
Diretor: Jez Butterworth

Ex-senhora Tom Cruise mostra a roupa de baixo

É a única razão para assistirmos a esta aborrecida mistura de gêneros...

Parece inegável que a carreira de Nicole Kidman chegou ao seu auge. Após dois anos arrebatadores, emplacando sucessos como os ótimos MOULIN ROUGE e OS OUTROS, a ex-senhora Tom Cruise ainda consegue centenas de indicações aos prêmios Hollywoodianos. Porém, nem mesmo a vida dos astros é um mar de rosas, e A ISCA PERFEITA prova isso. Filmada de maneira extremamente inócua e canhestra, não passa de uma trama "noiva por encomenda" que lembra (e por vários ingredientes) outro fracasso do ano passado: PECADO ORIGINAL, com Angelina Jolie e Antonio Banderas.

A façanha do desconhecido diretor Jez Butterworth vai mais longe do que se podia imaginar: ele consegue fazer com que a própria Nicole atue mal. A personagem da atriz na trama é extremamente vazia e superficial, um estereótipo da "mulher que vira criminosa por falta de oportunidade". Não estou contando nada demais neste  parágrafo, já que o próprio título nacional já entrega a reviravolta principal do filme (que por sinal nem é grande coisa, acontecendo com meia hora de projeção e sendo muito batida). Na suposta história, um banqueiro solitário de uma cidade perto de Londres (o péssimo Ben Chaplin, de CÁLCULO MORTAL) encomenda uma noiva russa pela Internet (Nicole). A decepção na chegada é evidente, já que a moça simplesmente não fala inglês. Para a felicidade de Chaplin, os dotes sexuais de sua "noiva" são acima da média.

Com a chegada de dois novos personagens (o astro francês Vicent Cassel e Mathieu Cassovitz), ocorre a tal reviravolta, que não acrescenta nada à trama, que passa a se arrastar nos clichês do gênero de maneira desenfreada. Tornando-se previsível graças à repetição de situações, o espectador acaba obrigado a olhar para o relógio a cada cinco minutos. Outro problema evidente da projeção de A ISCA PERFEITA é a salada mista de gêneros criada pelo roteiro. Mostrando-se uma comédia no início, através da falta de naturalidade do relacionamento do casal (Chaplin é o estereótipo do "babaca", enquanto Nicole é uma mulher dominadora e sexualmente voraz), logo se transforma naquele suspense batido que citei acima. O pior vem quando ele se transforma em um romance. Dois reais para quem adivinhar qual é o par romântico (brincadeira, dou dois reais para quem adivinhar a cor da calcinha da Nicole Kidman na maioria do filme, já que a questão levantada acima é fácil demais).

Aliás, também são perceptíveis diversas falhas técnicas, como a péssima fotografia de Oliver Stapleton (do não menos horrendo A CORRENTE DO BEM), e a medíocre trilha sonora de Stephen Warbeck (de O CAPITÃO CORELLI). Portanto, a única conclusão que podemos tomar é que Nicole Kidman não deveria estar nesse filme. Certamente não seria nem lançado em circuito caso não fosse a presença da superstar (tanto que foi lançado apenas após as estréias de MOULIN ROUGE e OS OUTROS).

Vale a pena somente para quem quiser vê-la nos trajes mais íntimos desde DE OLHOS BEM FECHADOS. De resto, é pura perda de tempo e dinheiro.

Cotação:
Carlos Massari
FILME EM DESTAQUE