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O cenário épico-musical de
Lawrence da Arábia, o inesquecível tema romântico Lara's Theme
de Dr. Jivago, os autênticos sons japoneses da música de
Shogun, o poder inerente do score para as cenas de suspense
em A Testemunha... Todos são exemplos marcantes da obra de um
único compositor, Maurice Jarre, cujos três Oscars, seis indicações ao
Oscar, dois prêmios da Academia Britânica, um prêmio francês César,
quatro Globos de Ouro, além de outras numerosas honrarias, espelham uma
longa e respeitada carreira como compositor de música original e
consistente para o cinema.
Maurice Jarre nasceu em 12 de setembro de 1924 em Lyon, França, filho do
diretor técnico de uma estação de rádio local. Ele ainda não optara pela
carreira musical, até que, aos 16 anos, ouviu a Rapsódia Húngara No.
2, de Lizst. Imediatamente, decidiu que ainda seria um grande
regente de orquestra. Jarre estudou percussão no Conservatório de Música
de Paris, e tornou-se timpanista na maior orquestra sinfônica da cidade.
Posteriormente, estudou composição com Jacques de la Presle, Louis
Aubert e Arthur Honegger. Seus profundos estudos de música étnica
(especificamente Russa, Indiana, Japonesa, Sul-americana e Árabe) seriam
de grande utilidade em seu trabalho no cinema. Após a formatura, Jarre
colaborou com Pierre Boulez, compondo música para a companhia teatral de
Jean Louis Barrault, e depois tornou-se diretor musical do Teatro
Nacional Francês, posição que ocupou por doze anos. Nesse período,
compôs e conduziu aproximadamente sessenta scores, que incluem
Don Juan, Richard II, Macbeth, Oedipus, Luther, The Miser, e a
comédia musical Loin de Ruell.
Jarre
continuou a compor para o teatro nos anos 50 e 60, incluindo vários
balés (entre eles, Notre Dame de Paris, constante do repertório
tanto do Balé Kirov como da Ópera de Paris), uma ópera para o rádio (Ruiselle,
1954), um concerto para percussão e cordas (1956), Mobiles para
Violino e Orquestra (1961), e uma cantata para soprano, contralto, coral
e orquestra (Cantates pour une Emente), 1964. Em 1994, Jarre foi
condecorado como Oficial da Ordem Nacional da República da França pelo
Presidente Francois Mitterand. Para a ocasião - que comemorava o
qüinqüagésimo aniversário da libertação da França da ocupação nazista,
durante a II Guerra Mundial - ele compôs a obra de 15 minutos
Liberátion. A sua música para os filmes de David Lean também foi
celebrada na televisão estatal, com Great Performances exibindo o
filme-concerto Lean by Jarre.
A
música de Jarre acompanhou um impressionante número de filmes notáveis
nos últimos quarenta anos, que incluem triunfos artísticos e muitos
sucessos comerciais. Foi agraciado com indicações ao Oscar pelo
misticismo de Ghost (1990), sua música majestosa para as gentis
criaturas de Na Montanha dos Gorilas (1988), a partitura
dramática de A Testemunha (1985), sua música de grande escala
para o épico Mohammad, Messenger of God (1977), uma deliciosa
canção para Roy Bean, O Homem da Lei (1972) e seu score
para o oscarizado filme francês Sundays and Cybele (1963). O
terror de Atração Fatal (1987), o charme de Sociedade dos
Poetas Mortos (1989), e o humor de Luar Sobre Parador (1988)
foram em muito acentuados pela música de Jarre. Em 1952, ele compôs o
seu primeiro score cinematográfico para o documentário
anti-belicista de Georges Franju Hotel des Invalides. Desde
aquela época, produziu mais de duas centenas, todos efetivos associados
aos filmes que servem, muitos transcendendo o meio cinematográfico e
vendendo milhões de discos, garantindo, enfim, que a música de Maurice
Jarre seja lembrada mesmo após os próprios filmes terem sido esquecidos.
Filmografia de Maurice Jarre, cortesia de
Internet Movie Database |