PARQUE DOS DINOSSAUROS (Jurassic Park, EUA, 1993)
Gênero: Aventura, Ficção Científica
Estúdio: Universal
Duração: 127 min
Compositor:
John Williams
Elenco: Sam Neill, Laura Dern, Jeff Goldblum, Richard Attenborough, Samuel L. Jackson, Joseph Mazzello, Ariana Richards
Roteirista: Michael Crichton
Diretor: Steven Spielberg

Foi uma decepção essa adaptação do best seller JURASSIC PARK, escrito pelo também cineasta Michael Crichton (COMA, O 13º GUERREIRO). Mas a culpa é do diretor Steven Spielberg, que mexeu demais na história e banalizou e diluiu uma trama extremamente rica e promissora. Quem leu o livro de Crichton sabe que ele estava mais interessado em abordar a questão da intervenção do homem na natureza (principalmente na genética) e suas inevitáveis conseqüências trágicas - tema que o filme explora de maneira débil e irresponsável. Entretanto, o livro não se limita à discussão intelectual e filosófica, pois traz momentos realmente genuínos de tensão e aventura, além de uma quantidade impressionante de perseguições e dinossauros dos mais variados tipos.

Já JURASSIC PARK, o filme, é basicamente um engodo, pois é visivelmente um filme realizado em grande parte pela equipe de segunda unidade, já que Spielberg estava com sua atenção voltada totalmente para A LISTA DE SCHINDLER, projeto muito mais pessoal que foi filmado simultaneamente. Se não bastasse isso, a trama foi sumariamente reduzida e idiotizada e o sucesso do filme justifica-se apenas pela estrondosa campanha de marketing em cima dos efeitos especiais digitais - que, embora impressionem, são poucos. 

A única cena realmente boa do filme é a da chegada à ilha e a descoberta dos dinossauros, que conseguiu reproduzir por alguns momentos (graças em grande parte à grandiosa trilha musical de John Williams) aquele clima mágico dos filmes antigos de Spielberg. Mas tirando isso e uma ou outra cena de suspense legítimo, o resto de JURASSIC PARK resume-se a uma correria desenfreada e cansativa, onde além da canastrice geral do elenco, temos que aturar criancinhas engraçadinhas, dinossauros psicopatas que perseguem os personagens sem nenhuma explicação lógica e abrem até portas e incríveis furos no roteiro - como a jaula do T-Rex, que em uma cena fica ao nível do solo, mas instantes depois é mostrada como um altíssimo precipício. Mas o pior mesmo é a conclusão, que simplesmente interrompe o filme justamente no momento em que parecia estar começando a ficar interessante. 

A expressão "muito barulho por nada" nunca fez tanto sentido para descrever um filme como JURASSIC PARK, produção superestimada que preferiu jogar fora todas as possibilidades de tornar-se um verdadeiro clássico da ficção científica em favor do sucesso rápido e fácil. 

Cotação:
**½

André Lux

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