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Nascido no
dia 15 de abril de 1948 em Queens, Nova York, EUA, Michael Kamen estudou
na famosa Julliard School of Music, onde se destacou como compositor e
até instrumentista, tocando trompete e oboé. Como membro fundador da New
York Rock & Roll Ensemble, Kamen obteve sucesso nos anos 70 como
arranjador, produtor e músico, trabalhando com uma variada gama de
artistas que incluíam Queen e Kate Bush. Ele foi o diretor musical da
turnê de David Bowie "Diamond Dogs", e foi essencial para o sucesso do
álbum do Pink Floyd "The Wall". Apesar de ter contato com a música de
cinema desde 1976, o primeiro sucesso de Kamen no ramo veio em 1983,
quando compôs o score para a clássica parábola de ficção
científica "Brazil". Desde então, seus extensos créditos incluíram
filmes como as séries de filmes de grande sucesso "Die Hard" (Duro de
Matar) e "Lethal Weapon" (Máquina Mortífera), "Highlander" (1986), "Robin
Hood: Prince of Thieves" (1991), "The Three Musketeers" (1993), "Don
Juan De Marco" (1995), "Mr. Holland's Opus" (1995), "101 Dalmatians"
(1996), "What Dreams May Come" (1998), "X-Men" (2000), a aclamada série
de TV "Band of Brothers" (2001), e o western de Kevin Costner
"Open Range" (2003). Além de suas trilhas para o cinema, Kamen compôs
uma série de canções de sucesso, especialmente "Everything I Do I Do For
You", "All For One" e "Have You Ever Really Loved A Woman" para Bryan
Adams.
Ele também compôs elogiados trabalhos eruditos - um concerto de
guitarra para Eric Clapton, um concerto de saxofone para David Sanborn,
uma sinfonia chamada "S&M", que combinou a San Francisco Symphony
Orchestra e a banda de rock Metallica, e uma peça para a National
Symphony in Washington intitulada "The Old Moon in the New Moon's Arms",
criada para comemorar a virada do milênio (confira nossa seção "CDs
Comentados", que inclui reviews de alguns dos trabalhos de
Kamen para as telas e para as salas de concerto). Seu score para
o filme "Mr. Holland's Opus" levou à criação da
Mr. Holland's Opus Foundation, uma
organização sem fins lucrativos que busca apoiar o ensino da música para
pessoas carentes, nas escolas dos Estados Unidos. Ele também foi o
diretor musical dos Jogos de Inverno de Salt Lake City em 2002, e no
mesmo ano regeu a orquestra no concerto do Jubileu de Ouro da Rainha
Elizabeth II, no Palácio de Buckingham. Em 2003, Kamen revelou que
sofria de esclerose múltipla, e que planejava engajar-se em uma nova
campanha para combater a doença. Infelizmente, este novo projeto nunca
chegou a se concretizar. Inesperadamente, Kamen faleceu vítima de um
ataque cardíaco no dia 18 de novembro de 2003 na sua residência em
Londres, deixando sua esposa, Sandra Keenan-Kamen, e duas filhas, Sasha
e Zoe. Além de seu trabalho, Michael Kamen será sempre recordado, por
quem o conheceu pessoalmente, pela sua personalidade efusiva e jovial.
Para seu programa de rádio
A MÚSICA NO CINEMA,
transmitido pela Rádio Universitária FM da Universidade Federal de
Uberlândia, nosso colaborador Márcio Alvarenga escreveu o
texto abaixo, que passa a ser o tributo do ScoreTrack.net a mais
este inesquecível compositor que foi imortalizado por seu trabalho no
cinema:
ADORÁVEL
PROFESSOR
Durante sua juventude ele pode ter sido um DON JUAN DE MARCO, pois
esteve ao lado de ídolos do grande público como David Bowie, Pink Floyd,
Eric Clapton e tantos outros. Nunca esteve no BRAZIL, país de que deve
ter ouvido falar. O sucesso não tardou até pelo fato dele ser uma
espécie de THE NEXT MAN. Se teve muitas mulheres em sua vida? Bem, este
é um assunto particular, mas devia entender bem dessa matéria, pois
conheceu até MONA LISA. Durante sua vida acabou formando um grande
CIRCLE OF FRIENDS. Nunca esteve SOB SUSPEITA, e caso tenha recebido
algum convite de Charlton Heston para integrar aquela entidade voltada
para o rifle, com certeza deve ter-se saído com bom humor alegando que
não tinha PERMISSÃO PARA MATAR. Como um bom HOMEBOY, sempre visitava
Nova Iorque onde nasceu e se formou na conceituada JULLIARD SCHOOL. Não
sei se é verdade, mas parece que ele tinha um tio que se parecia muito
com o personagem principal de AS AVENTURAS DO BARÃO DE MUNCHAUSEN,
aliás, parece que todo mundo tem um tio parecido com o John Neville.
Quando resolveu se casar, ao que tudo indica deve ter povoado o seu
pensamento com SOMEONE TO WATCH OVER ME. Gostava de animais,
principalmente de cachorro, seria capaz de contar até 101 DÁLMATAS.
Aquele seu corpanzil nos fazia lembrar de quem? Ah, isso mesmo THE IRON
GIANT. Quando foi acometido pela esclerose múltipla passou a resistir
titanicamente numa espécie de HIGHLANDER, O GUERREIRO IMORTAL. Essa
terrível doença passa uma sensação de THE DEAD ZONE, mas sua superação
indicava claramente que a situação não representava NADA ALÉM DE
PROBLEMAS. Tanto assim que em setembro ultimo acabou assumindo
publicamente que tinha a doença. Mas ele continuava acompanhado pela
BUSINESS COMPANY. Ele era daquelas pessoas capazes de ver UM CLARÃO NA
ESCURIDÃO, ou seja, iluminada, principalmente pela inspiração que o
transformou num versátil e criativo compositor. Bem, encarando o desafio
da doença estava mais do que claro que ele era DURO DE MATAR. Tinha um
coração de ouro, tanto assim que fundou a HOLLAND OPUS, uma fundação sem
fins lucrativos, cujo objetivo era abrir perspectivas para que pessoas
de talento, carentes, pudessem estudar música. Não que ele tivesse se
inspirado em ROBIN HOOD, O PRÍNCIPE DOS LADRÕES, mas para essa fundação
muitos milionários se dispuseram a colaborar. Esse mesmo coração de ouro
que, nunca esteve aos cuidados de nenhum THE HEART SURGEON, acabou
atravessando no ritmo e a sensação de quem sempre admirou seu trabalho é
de que tinha partido nosso O ÚLTIMO GRANDE HERÓI. O cinema se privava da
sua genialidade, do seu talento e estilo inconfundível no qual procurava
sempre homenagear grandes expoentes da música erudita como Beethoven,
Bach, Mozart e tantos outros. Quando soube de sua morte, isso poderia
parecer mais uma trama de MATADOR DE ALUGUEL, mas preferi acreditar que
ele pudesse se sair como o Mel Gibson de MÁQUINA MORTÍFERA e burlar a
própria morte, mas nada disso. Michael Kamen estava morto, restava agora
pegar suas obras, ouvi-las e reverenciá-lo por tudo que conseguiu
produzir para o cinema.
Márcio Alvarenga
Filmografia de Michael Kamen, cortesia de
Internet Movie Database |