KILL BILL VOL. 2 (Kill Bill Vol. 2, EUA, 2004)
Gênero: Aventura
Duração
: 108 min.
Elenco: Uma Thurman, David Carradine, Daryl Hannah, Michael Madsen, Michael Parks, Gordon Liu, Perla Haney-Jardine
Compositores: Ennio Morricone, Luis Bacalov, Isaac Hayes, Quincy Jones
Roteiristas: Quentin Tarantino, Uma Thurman 
Diretor:
Quentin Tarantino

O nome dela é...

Conclusão da saga de Quentin Tarantino sobre a Noiva poderá decepcionar alguns, porém mostra que o cineasta está na sua melhor forma

Após o impacto provocado pela estréia de KILL BILL VOL. 1, uma enorme expectativa passou a rondar a estréia da sua conclusão nos cinemas - o que, no caso do Brasil e a exemplo do filme anterior, ocorreu com um injustificável atraso de seis meses. Finalmente, com a chegada deste volume 2 de KILL BILL, fica confirmado o que já se comentou lá fora: não temos aqui exatamente "mais do mesmo", e por esta razão o filme poderá decepcionar alguns daqueles que alçaram a primeira parte à condição de clássico instantâneo.

A Noiva (Uma Thurman) continua em sua jornada de vingança, e após ter confrontado e eliminado Vernita Green (Vivica A. Fox) e O-Ren Ishii (Lucy Liu) na primeira parte, ela segue em busca de Budd (Michael Madsen), Elle Driver (Daryl Hannah) e, finalmente, Bill (David Carradine). No entanto, à diferença do VOL. 1, não há cenas de ação da magnitude do confronto da Noiva contra os Crazy 88 e O-Ren, e muito menos aquele banho de sangue todo. Na verdade o VOL. 2 apresenta apenas uma grande seqüência de luta e violência, entre a Noiva e Elle Driver. E mesmo assim ela está mais para vale-tudo do que para artes marciais.

Há longos flashbacks, mostrando o dia fatídico na igreja (este em preto-e-branco), e o divertido treinamento da Noiva com o sádico mestre de Kung Fu Pai Mei (Gordon Liu, que no VOL. 1 era o líder dos Crazy 88), que se mostrará decisivo em pelo menos duas complicadas encrencas enfrentadas por nossa heroína. Numa delas a Noiva é enterrada viva por Budd, numa situação aparentemente sem saída e magistralmente filmada por Tarantino. O cineasta segue com suas referências a clássicos das artes marciais e aos westerns spaghetti – Carradine aparece tocando uma das flautas de bambu que utilizou na série KUNG FU, e o personagem de Pai Mei era recorrente nos filmes da “Shaw Bros.”. A ação do filme desloca-se da Ásia para o sul dos EUA e México, dando à produção um sabor de faroeste contemporâneo.

No entanto, o diretor dá uma guinada rumo a um estilo mais próximo ao dos seus filmes anteriores, e o VOL. 2 passa a sustentar-se mais em situações irônicas, drama e longos diálogos pop/filosóficos, do que em cenas de ação regadas a sangue. Neste sentido, o confronto final da Noiva (de quem, afinal, descobrimos o nome real) e Bill é uma espécie de anticlímax. Quando tudo se encaminhava para um combate feroz entre os dois, a vingadora descobre que Bill estava vivendo com a filha dos dois que julgava morta, B.B. (Perla Haney-Jardine), e toda a estratégia que ela planejara vai por água abaixo.

Inicia-se então um confronto de palavras e sentimentos, que passa pelo monólogo de Bill sobre o seu personagem de quadrinhos preferido, Superman. E, ao contrário do que se poderia esperar, o filme ruma para um final de emoção e ternura. Mas não imaginem que Tarantino perdeu a mão e fez o filme descambar para um dramalhão água-com-açúcar. A Noiva finalmente obtém a sua vingança completa, mas não da maneira que muitos esperavam e desejavam. E isto, sob determinado ponto de vista, pode ser considerado um acerto do filme.

O pior talvez seja mesmo a seleção musical feita por Tarantino, que não é tão inspirada como a do primeiro filme - mas isso é conversa para outra seção do site. O fato é que é injusto avaliar os dois volumes de KILL BILL em separado, quase que de forma estanque como muitos fizeram. No conjunto, revela-se uma obra coesa que foi a resposta à altura para aqueles que já consideravam Tarantino como coisa do passado. Ele realizou um longo filme repleto de drama, ação, humor e emoção, na maior parte do tempo uma delícia de se ver e ouvir e que também é, além de uma declaração de amor ao cinema, sua homenagem à maternidade de Uma Thurman.

Cotação:
Jorge Saldanha
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