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O CD de "The Clone Wars" |
Um novo capítulo da saga Star Wars começou
com "The Clone Wars", o piloto em longa metragem da nova série
animada em CGI produzida por George Lucas. Kevin Kiner, o compositor da
trilha sonora, nos concedeu esta entrevista exclusiva onde fala sobre "The Clone Wars",
"CSI: Miami" e outros aspectos de sua carreira.
Viviana Ferreira
- Kevin, é um
prazer entrevistá-lo para o ScoreTrack.net. Você já vem compondo trilhas
sonoras há mais de 25 anos. Quando você compõe um score, qual é a
sua abordagem? Quais são os seus sentimentos?
Kevin Kiner -
Meu primeiro passo no processo é assistir ao filme para ver quais as
emoções que preciso acentuar ou apoiar, em relação ao drama que está à
minha frente. Neste sentido, creio que me sinto quase como um
ator,
tentando mergulhar no sentimento e na atmosfera que o diretor quer
transmitir em seu filme. Se é uma cena de ação, busco sentir a vibração
e a energia a serem colocadas na música. É natural sentir este tipo de
adrenalina quando você está escrevendo um trecho musical excitante.
VF
- Desde 2003 você trabalha em CSI: Miami, fale-nos sobre a
experiência de fazer parte de uma série de TV de tanto sucesso como
esta.
KK
- CSI: Miami tem sido uma das minhas melhores experiências como
compositor de um programa de televisão. A série constantemente muda seus
estilos musicais, de um episódio para outro ou mesmo dentro de um mesmo
episódio. Ser tão eclético é um grande desafio, mas também sempre me
deixa renovado. Constantemente fico ouvindo novas idéias no cenário
musical, e me mantendo atualizado com o que está acontecendo.
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Kevin Kiner
confraterniza com um Clone Trooper |
VF
– O que você pode nos dizer sobre a trilha
sonora original de
Star Wars: The Clone Wars?
KK
-
Eu queria que esse score fosse algo que se afastasse dos filmes 'live action'
anteriores, mas que também mantivesse boa parte estilo que
John Williams
estabeleceu tão bem. Esse foi o maior desafio na trilha de Clone
Wars, manter a sensibilidade clássica que John trouxe, mas
adicionando minha própria voz com percussão e várias modalidades étnicas
à sua base. O som das trilhas sonoras dos filmes está constantemente
evoluindo, e eu quis que o score de Clone Wars estivesse na
vanguarda desta evolução – você poderia chamar isso de "o clássico
encontra a etnicidade rítmica".
VF
- Neste filme você utilizou a Orquestra Filarmônica de Praga. O que você
sentiu vendo 91 músicos incríveis interpretando a sua música?
KK
-
Toda vez que me dão recursos tão grandes fico absolutamente deslumbrado.
Já trabalhara com a Orquestra Filarmônica de Praga em três ocasiões,
e os resultados sempre foram ótimos. As cordas em Praga são imbatíveis,
e desta vez usamos alguns dos mais jovens intérpretes de metais, que tem
um estilo bem mais agressivo, e isso realmente complementou este
trabalho em particular.
VF
- Dê-nos o nome de um compositor que possa ser considerado um modelo
para você, e que tipo de influências ele (ou ela) trouxe ao seu estilo.
KK
- Para mim John Williams sempre foi o modelo do que um grande compositor
de cinema deva ser. Suas melodias e estilo clássico são inigualáveis.
Então, em termos de influência, ele sempre foi a minha única escolha.
Dito isso, tenho minha própria voz e estilo, como qualquer compositor
tem, então sempre estou tentando combinar este estilo – que possui raízes no rock
o qual cresci tocando – com a sensibilidade clássica e melódica que John
traz para um score.
VF
- O seu próximo projeto é o documentário Crimes Against Nature, o
que você pode nos dizer sobre ele?
KK
- Crimes Against Nature é um documentário baseado no livro de Bobby
Kennedy Jr. que relata os abusos sofridos pelo meio ambiente na atual
administração. A música é muito eclética, que vai de solos de gaitas de
fole a uma batida trip hop. O ritmo trip hop funciona muito bem em
algumas cenas da natureza porque leva à paisagem um tipo de toxidade urbana.
O filme lida com muitos aspectos da mineração do carvão, e o som urbano
é um belo elemento que retrata a sujeira e a devastação que estão na
tela.
VF
- Vamos voltar ao início: onde você nasceu, e como você descobriu sua
vocação para a música?
KK
-
Eu me criei em Escondido, Califórnia (perto de San Diego). Comecei no rock,
tocando guitarra em muitas bandas diferentes. Minhas principais
influências, enquanto crescia lá, foram “Yes”, “Pink Floyd”, “The Eagles”, “The Beatles”,
“The Stones”, “Black Sabbath”, “ELP”, “ELO”, “Uriah Heep”, BB King, etc.
Qualquer coisa que tivesse um grande destaque de guitarra e onde eu
pudesse me destacar. Também tive uma pesada influência de grandes do jazz
como Howard Roberts, Les
Paul, Wes Montgomery, e até mesmo de saxofonistas como Charlie Parker e
Coltrane.
VF
– De todos os scores que você compôs, qual é o seu favorito?
KK
-
Creio que, entre meus trabalhos favoritos, haveria um empate entre a
trilha sonora de um filme chamado The Other Side of Heaven e a de
Star Wars: The Clone
Wars. As duas são muito diferentes entre si, com a primeira sendo
muito calorosa, afetuosamente americana, e é claro Clone
Wars sendo o que já discutimos nesta entrevista.
VF
- E quanto às trilhas sonoras escritas por outros compositores?
KK
- Entre as trilhas de
outros compositores, minha lista de favoritas inclui: Star Wars,
Indiana Jones, Schindler’s List, Superman (John Williams), Back to
the Future (Alan Silvestri), Phone Booth (Harry Gregson Williams), Star
Trek (Jerry Goldsmith), The Bourne Identity (John Powell), Babel
(Gustavo Santaolalla), Beautiful Mind (James Horner), The Mission (Ennio
Morricone), Out of Africa (John Barry).
VF
– Para encerrar: qual o seu instrumento musical preferido?
KK
- Bem, sou um guitarrista e isto já responde à sua pergunta. Mas eu
sempre adorei compor para cordas. Lembro da primeira vez que ouvi uma
seção de cordas tocando algo que eu compusera – foi melhor que sexo!
Agradecimentos especiais a Kevin Kiner e Melissa McNeil, por terem
possibilitado esta entrevista.
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