A DAMA NA ÁGUA (Lady in the Water, EUA, 2006)
Gênero: Suspense
Duração: 110 min.
Elenco: Paul Giamatti, Bryce Dallas Howard, Noah Gray-Cabey, Jessica Graham, Cindy Cheung, Bob Balaban, Sarita Choudhury, Brandon Cook, Mary Beth Hurt, Freddy Rodríguez, M. Night Shyamalan
Compositor: James Newton Howard
Roteirista: M. Night Shyamalan
Diretor: M. Night Shyamalan

Escorregão no molhado

O controverso cineasta M. Night Shyamalan dá um passo em falso, neste filme que falha em sustentar sua premissa de fantasia

M. Night Shyamalan é um dos cineastas mais controversos de que se tem notícia, capaz de causar reações de amor e ódio extremos. Eu, por exemplo, sempre que via alguém falar mal de A VILA (2004), sentia-me na obrigação de entrar na briga pelo filme, mesmo sem ter muita força argumentativa. Exatamente por ser da turma dos amantes de A VILA e de gostar de todos os filmes do cineasta, inclusive OLHOS ABERTOS (1998), exatamente por isso eu jamais imaginei que fosse desgostar de um filme de Shyamalan. Infelizmente, tenho que admitir que A DAMA NA ÁGUA (2006) foi um passo em falso, um filme que sujou uma filmografia até então irretocável.

Se antes a comparação com Spielberg já era sugerida, desta vez ela é mais explícita, já que A DAMA NA ÁGUA é um filme sobre uma criatura de outro mundo tentando voltar para seu universo e influenciando a todos a seu redor com sua energia positiva. Porém, diferentemente de E.T. - O EXTRATERRESTRE, imagino que as crianças não iriam apreciar o filme de Shyamalan. Será que se o filme tivesse sido vendido como uma obra infanto-juvenil seria mais bem-sucedido? Acho que não. Talvez porque o filme de Shyamalan seja por demais sofisticado na utilização de ângulos de câmera pouco usuais, e de uma narrativa bem lenta. Aliás, tecnicamente o filme é até bem interessante.

A principal falha de A DAMA NA ÁGUA foi não ter conseguido me sugar para dentro de seu universo. Não consegui comprar a idéia de que Story (Bryce Dallas Howard) fosse uma criatura de um conto de fadas. Os melhores filmes de fantasia, como O SENHOR DOS ANÉIS por exemplo, conseguem ser convincentes por mais ridículas que sejam suas premissas. Isso porque eles se sustentam nos detalhes e na capacidade de se criar uma atmosfera de magia. O filme de Shyamalan não tem uma sustentação válida. Sempre que o personagem de Paul Giamatti procura aquela senhora coreana para saber tudo sobre a ninfa e seu universo, tudo soa muito patético. Ainda que a intenção tenha sido causar humor, nem assim o filme é bem sucedido. Ao contrário, a personagem da coreana é lamentável. Por outro lado, não achei ruim o personagem do crítico de cinema, alvo da maioria das críticas dos detratores. Ao menos pareceu uma provocação àquelas pessoas que olham a vida de modo cínico e inquisidor.

Porém, o que eu acho mais interessante é que, apesar de tudo, A DAMA NA ÁGUA ainda tem admiradores apaixonados. Tão apaixonados quanto eu depois de sair das duas sessões de A VILA. Quer dizer, Shyamalan ainda continua sendo um
nome quente e que ainda vai continuar chamando a atenção e causando as mais diversas reações nas platéias. Só espero que da próxima vez eu esteja do lado dos apreciadores e não dos decepcionados. Afinal, todos os grandes cineastas (Hitchcock, Kubrick, Lynch) cometeram equívocos em algum momento de suas carreiras. Portanto, ainda existe esperança. Principalmente quando eu lembro da cena em que Bryce Dallas Howard adentra no quarto onde está o enfermo Joaquin Phoenix em A VILA.

Cotação:
Ailton Monteiro
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