Lisbela e o Prisioneiro (Brasil, 2003)
Gênero: Comédia 
Duração: 105 min 
Elenco: Selton Mello, Débora Falabella, Virginia Cavendish, Bruno Garcia, Tadeu Mello, André Mattos, Lívia Falcão, Marco Nanini
Compositor: André Moraes 
Roteiristas: Guel Arraes, Jorge Furtado, Pedro Cardoso
Diretor: Guel Arraes

Amor à Sétima Arte 

Nova reunião entre o diretor Guel Arraes e o ator Selton Mello é uma arrebatadora homenagem ao Cinema

Algumas equações cinematográficas significam plena qualidade. A mais conhecida delas é a infalível Martin Scorsese + Robert De Niro, porém não podemos esquecer de outras como Alfred Hitchcock + James Stewart, por exemplo. E aqui no Brasil, aos poucos, vai surgindo mais uma - trata-se de Guel Arraes + Selton Mello. Depois do sensacional O AUTO DA COMPADECIDA, filme absolutamente hilário que era, originalmente, uma minissérie da TV Globo, Arraes, um famoso diretor do núcleo global, resolveu se aventurar de vez no mundo das películas. Repetiu a fórmula no apenas bom CARAMURU, mas agora voltou a acertar em cheio.

LISBELA E O PRISIONEIRO, seu terceiro filme, é uma homenagem ao cinema. Percebemos isso logo que as luzes se apagam e Débora Falabella começa a se referir aos grandes clássicos da Sétima Arte. A partir de então, a narrativa segue de maneira pouco convencional, com diversas interrupções para explicações estéticas, ligadas diretamente com o fantástico novo mundo recém-descoberto por Guel Arraes. Essas constantes demonstrações de amor ao cinema fazem o filme parecer, no quesito tema, com CINEMA PARADISO, de Giuseppe Tornatonne, mesmo tendo um pano de fundo completamente diferente - LISBELA, na verdade, é uma comédia que de modo narrativo lembra muito mais OS EXCÊNTRICOS TENENBAUMS, de Wes Anderson.

O prisioneiro do título é Leléu, interpretado com inacreditável maestria por Selton Mello. Sua performance é uma das maiores responsáveis pelos sucessivos momentos hilários do filme - Leléu é um trambiqueiro qualquer, que passa de cidade em cidade conquistando as mulheres, até pegar a esposa de um matador profissional, vivido por Marco Nanini, não menos excelente. Então, o personagem de Mello conhece Lisbela, aficcionada em filmes, e passa a viver um grande romance.

Escrito por três grandes nomes do cinema nacional - o próprio Guel Arraes, Jorge Furtado (diretor de O HOMEM QUE COPIAVA e do curta ILHA DAS FLORES, entre outros) e Pedro Cardoso, LISBELA mantém a atenção principalmente pelo modo inteligente que se desenvolve, sempre conseguindo novas situações sem sair de um tema exato: o amor pela Sétima Arte. LISBELA E O PRISIONEIRO ainda conta com uma fantástica trilha sonora, cheia de grandes sucessos nacionais, e de, talvez, o melhor elenco do ano – como já disse, Selton Mello e Marco Nanini têm atuações devastadoras.

Assim, o espectador é preso na poltrona durante toda a projeção. Diverte-se em excesso e sai com um largo sorriso no rosto. O mesmo com que Lisbela saía de suas sessões em um cinema preto-e-branco na sua cidade. O sorriso que faz a Magia do Cinema, essa arte maravilhosa.

Cotação:
Carlos Massari
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