MADAGASCAR (Madagascar, EUA, 2005)
Gênero: Animação
Duração: 86 min.
Elenco: Ben Stiller, Chris Rock, David Schwimmer, Jada Pinkett Smith, Sacha Baron Cohen, Cedric the Entertainer, Tom McGrath, Christopher Knights
Compositores: Hans Zimmer, Ryeland Allison, James Michael Dooley, James S. Levine 
Roteiristas: Mark Burton, Billy Frolick, Eric Darnell
Diretores: Eric Darnell, Tom McGrath

Anarquia animada

A Dreamworks agrada crianças e adultos nesta engraçadíssima animação, que nos leva a pensar se não é possível mudarmos nossa maneira de viver

Um leão narcisista, uma girafa insegura, um hipopótamo boa praça, a zebra descontente e pingüins mafiosos são a mais nova sensação nas telonas. A animação Madagascar é a prova de que a Pixar não está mais sozinha na tentativa de arrebatar os corações dos pequenos (incluam os adultos na lista) com criaturas fofinhas e engraçadas. Em Madagascar anarquia é a palavra de ordem.

Ao contrário da rival, que sempre retrata a nossa sociedade viciosa em suas personagens, os animadores da Dreamworks Animation querem apenas que saiamos da sala de projeção com os maxilares doendo. Conhecemos a trupe de um zoológico em Nova York, que ganha a vida se exibindo aos ávidos telespectadores, recebendo em troca uma vida de luxo e glamour. Acontece que a zebra Marty está entediada com tal vida e procura pela liberdade e a Natureza - o que contrasta com os ideais de Alex, totalmente escravo da vida mansa. Após muita confusão e com a ajuda dos hilários pingüins, a turma toda vai parar na ilha Madagascar, território selvagem, gerando pesadelos para o leão e onde Marty finalmente descobre a sonhada natureza.

A partir daí muita comédia, aventura e, pasmem, até uma festa rave de lêmures, recheiam o pacote turístico na ilha. Citações a produções famosas do cinema não faltam, passamos por Beleza Americana, Titanic, Naúfrago... todas hilárias. O desenho, porém, não se limita a palhaçadas e paródias. Os roteiristas colocaram de maneira sutil a inversão de papéis no filme. Madasgascar é uma alusão ao método que nós escolhemos viver. Uns se acomodam a certo sistema e não conseguem enxergar uma outra forma de vida, que não seja aquela acreditando viver uma democracia sem opções. Já outros questionam a posição em que se encontram e, ao encontrar uma maneira alternativa, se vêem prisioneiros do sistema anterior. A solução que a trama encontra para tais conflitos é simples: adaptação. Não existem sistemas ou soluções perfeitas, só o aperfeiçoamento de tais divergências converge na harmonia de um todo conflituoso. Mas voltemos à resenha.

O visual é de encher os olhos. A água já não parece mais um empecilho aos animadores digitais, que a recriam com perfeição. O cenário paradisíaco de Madagascar é de um detalhismo ímpar, e o mesmo vale para as expressões e movimentos dos animais. E o mais delirante é saber que haverá melhorias nesta técnica, e penso: aonde vamos parar? A trilha comandada por
Hans Zimmer é mais uma vez funcional, e perdoem-me se tiver equivocado, se parece muito com o hit do cantor Latino “Festa no Apê” (que por sua vez é adaptada de um conjunto europeu, o que aumenta minhas suspeitas). O fato é que o Zimmer de O Rei Leão continua adormecido.

Madagascar pode não ter a ambição de Os Incríveis, mas com certeza não decepciona. A animação cumpre sua proposta e a satisfação ao acender as luzes é plena. Não estranhe se sair do cinema cantarolando: “Eu me remexo muito, eu me remexo muito... MUITO!”. Junte suas tralhas, chame os amigos... fujamos para Madagascar!

Cotação:
Alex Oliveira
FILME EM DESTAQUE