 |
MÁ EDUCAÇÃO (La
Mala Educación, Espanha, 2004)
Gênero: Drama
Duração: 105 min.
Elenco: Gael García Bernal, Fele Martínez, Daniel Giménez Cacho,
Lluís Homar, Javier Cámara, Petra Martínez, Nacho Pérez, Raúl García
Forneiro
Compositor:
Alberto Iglesias
Roteirista: Pedro Almodóvar
Diretor: Pedro Almodóvar
|
Um Almodóvar até
comportado
Trocando a polêmica e o humor pelo
suspense, novo filme do genial diretor espanhol é imperdível, mas não estará na
lista dos melhores de 2004
MÁ EDUCAÇÃO
(2004), de Pedro Almodóvar, é filme para se analisar os prós e contras. Apesar
de não ter ficado totalmente satisfeito com o filme como um todo, cada vez que
lembro das cenas geniais, percebo que até quando Almodóvar erra, ele acerta.
Mesmo os filmes mais fracos desse brilhante autor não deixam de ser
imperdíveis.
Assim que o filme começou, já fiquei entusiasmado com os créditos de abertura,
que lembra PSICOSE, do Hitchcock, especialmente pela música de Alberto Iglesias,
homenageando Bernard Herrmann.
As primeiras imagens do filme são igualmente interessantes, quando vemos pela
primeira vez a bela fotografia de José Luis Alcaine, colaborador de Almodóvar em
ATÁ-ME (1990) e MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS (1988), que ao gosto do
autor, sempre tem que destacar as cores quentes, especialmente o vermelho.
Interessante também o uso do leve estreitamento da tela nas cenas de
flashback.
Pena que o ritmo do filme vai ficando irregular a partir do momento em que a
história vai se revelando um suspense, gênero que Almodóvar já tinha
experimentado antes com MATADOR (1986). Mas o filme que MÁ EDUCAÇÃO mais faz
lembrar é mesmo A LEI DO DESEJO (1987), por causa do homossexualismo mais forte.
Claro que gay tem em quase todo filme do diretor, mas nesses dois filmes,
esse tema está presente até na câmera, como, por exemplo, na cena em que Fele
Martínez está na piscina e olha para certas partes do corpo de Gael García
Bernal. Não se trata apenas dos travestis engraçados da maioria de seus filmes,
ainda que tanto Gael quanto Javier Cámara apareçam travestidos numa cena até
engraçada, mas que não dá o tom geral do filme, mais sério.
Almodóvar, a partir de A FLOR DO MEU SEGREDO (1995) tem preferido adotar mais
seriedade, assumindo o melodrama definitivamente. Ele tem evitado chocar as
audiências, como fazia nos tempos de A LEI DO DESEJO. Assim como ele preferiu
(sabiamente) não mostrar o enfermeiro interpretado por Javier Cámara fazendo
sexo com uma garota em estado de coma na obra-prima FALE COM ELA (2002), nesse
novo filme ele evita mostrar os abusos que o garotinho sofre de um padre na
escola, ainda que isso fique mais do que evidente. Não sei dizer se essa
escolha, no caso de MÁ EDUCAÇÃO, foi acertada, já que a impressão que se tem é
que o diretor se acovardou; que o que parecia ser um filme-denúncia sobre a
podridão da Igreja Católica, acaba virando um filme de suspense, uma história de
assassinato e trocas de identidade, deixando em segundo plano "o crime do padre
Manolo".
Almodóvar também suaviza as cenas de sexo homossexuais, em comparação com A LEI
DO DESEJO, ainda que possa até chocar alguns desavisados com uma cena de felação
bastante ousada, levando em consideração que quem está "botando a boca no
trombone" aqui é o superstar Gael García Bernal.
Apesar dos contras, é um autêntico Almodóvar. Logo, é uma obra imperdível. Pena
que dessa vez não vai estar no meu top 10 no fim do ano.
|