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Esta
matéria tratará de mostrar e de esclarecer como trabalha e o que
objetiva a
Media Ventures, companhia criada por Jay Rifkin e Hans
Zimmer, com o propósito
de compor trilhas sonoras. O porquê de sua música, de sua existência,
baseado
em comentários e entrevistas de um dos seus criadores, além de outros
fatores
que influem em suas criações tão discutidas com amor e ódio, de acordo
com
sua própria história.
Há
três aspectos básicos sobre Hans Zimmer e a Media
Ventures que devem ser ressaltados. Primeiramente teremos
que tratar
de como o músico alemão iniciou sua carreira, e para isso devemos
retornar no
tempo uns 20 anos, mais ou menos, quando ele começou participando em
grupos
musicais que poderiam agrupar-se na categoria do pop
eletrônico. Especialista em sintetizadores, sistemas computadorizados e
teclados eletrônicos, nos anos 80 Hans Zimmer criou um conhecido hit
da música pop: "Video
Killed the Radio Star". Posteriormente passou a fazer parte do grupo Ultravox,
onde desenvolveu de forma pioneira a utilização de computadores,
para acompanhar as apresentações ao vivo da banda. Juntamente com
Warren Cann,
Zimmer formou um grupo chamado Helden. Se escutarmos seus
primeiros trabalhos,
presentes principalmente em alguns discos bootlegs,
veremos como já desde o início, seu estilo tão particular estava se
manifestando em temas longos, com ritmos e tempos variados, como é o
caso da música
do Helden, "Spies" (1983). O
segundo aspecto, que é tão importante como o anterior, são seus
primeiros
trabalhos com o compositor Stanley Myers, fornecendo música adicional,
onde com
sintetizadores e computadores acompanhava as tão particulares obras de
Myers
para o cinema. Trabalhou com ele no Lillie Yard Studio de
Londres,
onde naquela época se encontrava a tecnologia mais avançada em matéria
musical. Assim, juntos fizeram filmes como InsignificanCe,
The Castaway, Paperhouse, ou o premiado e consagrado pela
crítica My
Beautiful Laundrette.
Posteriormente,
o terceiro elemento importante da carreira de Hans Zimmer foi o de
tornar-se
conhecido e requisitado través de uma forma particular de compor scores.
O marco inicial (e posterior razão do êxito do artista) foi a trilha
desenvolvida para o filme Black
Rain
em 1989. Apesar de já ter sido reconhecido por Hollywood graças ao seu
trabalho
em Rain Man, foi neste
filme do
diretor Ridley Scott que a particularidade do trabalho de Zimmer abriu
um
precedente importante para o seu futuro: a criação de uma música
totalmente
percussiva, com ares étnicos, que era a descrição perfeita de um filme
de ação
sobre um policial americano que viaja ao Japão para acertar as contas
com a máfia
de lá. Pela primeira vez Hans Zimmer utilizou a duas chaves para o seu
sucesso:
o tempo e a percussão do rock,
com os acordes étnicos em sintetizadores. Esta experiência adquirida
foi a que
o compositor indefectivelmente levou para a criação de sua empresa.
Enfim,
se juntarmos estes três aspectos que acima descrevemos, encontraremos a
base do
que é hoje a Media Ventures.
Saberemos então que seu método de trabalho é o da utilização de dois ou
mais compositores (tal como acontece numa banda rock
ou pop), criando em
principio música
de sintetizador - já que era o instrumento que Zimmer mais conhecia - e
com uma
base percussiva, características que lhe deram fama e trabalho. Tudo
isto
aproximado do Heavy Metal
ou Rock
Pesado, somado, adicionalmente, a um tempo distinto do utilizado até
então
pelos compositores de cinema que poderíamos classificar como mais
clássicos.
Hans
Zimmer convidou para trabalhar na Media
Ventures vários compositores jovens que conhecera na Europa,
através
de Stanley Myers ou por haver trabalhado com eles. Os
nomes mais conhecidos são Harry Gregson-Williams, John Powell, Gavin
Greenaway,
Nick Glennie-Smith, Mark Mancina e Klaus Badelt. A partir
daí começaram a trabalhar juntos. Porque razão? Bem, porque era a
maneira na
qual Zimmer sempre trabalhou, como se fosse um grupo de rock
que tivesse a possibilidade de fazer trilhas sonoras – ou seja, porque
sua
metodologia de composição é essa. Eles
pensam,
compõem, improvisam e tocam juntos, o que invariavelmente se reflete em
toda a
sua obra, convertendo-a em algo muito mais moderno. Essa forma moderna
de
composição lhes dá mais opções musicais na hora de mimetizar-se com o
que
um diretor de cinema propõe, mas respeitando o estilo que em princípio
os
colocou em evidência e os levou a serem buscados. Além do mais, Hans
Zimmer,
por ter uma personalidade carismática e intuitiva, se converteu em uma
referência
não apenas na hora de decidir sobre um projeto, mas também na hora de
vendê-lo.
Assim
nasceu o som Zimmer, e se quiserem saber mais a respeito, escutem
atentamente a
grupos alemães, escandinavos, ou de Rock
Pesado; neles encontrarão, imerso, o som Media
Ventures. Tanto é assim que um destes grupos, Nightwish,
incluiu em
um dos seus últimos álbuns uma suíte gravada ao vivo de Crimson
Tide e de Deep Blue Sea,
que nada mais são do que música rock
aplicada a um filme e que, em princípio, a ele se moldou com certos
toques de
sinfonismo, mas sempre com o mesmo tempo e a estrutura de onde nasceu.
Por
esta razão, a música da Media
Ventures
encontrou rapidamente fãs jovens ou associados ao Rock
Pesado, como ponto de partida para apreciar suas obras. E na outra
extremidade,
seus detratores, que associam a música de cinema a um nível mais
clássico e
pensam que “há marcianos entre nós”. Obviamente, esta maneira de compor
trouxe a Hans Zimmer a possibilidade de desdobrar-se e nutrir-se de
diretores de
orquestra, diretores de corais, estudiosos étnicos, etc., podendo assim
variar
seus trabalhos, voltando a seus princípios quando demandado.
Dito
por ele mesmo, sua música traz sempre uma visão otimista do que vê,
procurando dar esperança com o que compõem, e se ele acredita que o
filme
necessita de outro tipo de composição, então recomenda outro compositor
que
possa desenvolvê-la. Dizem que Zimmer é um bom compositor de motivos, e
que após
criá-los ele pede a cada um dos demais colaboradores que desenvolvam
algo a
partir desses motivos e das cenas que lhes cabe musicar, caso o tempo
exija ou o
trabalho o requeira. Uma
boa maneira de entender seu estilo de trabalhar é assistir, na versão
com três
DVDs de Black Hawk DOwn,
à sessão
de gravação de "Hymn to the Fallen". Na mesma pode-se observar
claramente ao seu singular método e como trabalham em equipe, compondo
à
medida em que soltam as rédeas de seus instrumentos.
Sem
dúvidas, no mundo das trilhas sonoras se pode dizer que “há marcianos
entre
nós”, e que jamais, até o surgimento da Media
Ventures, a composição de trilhas sonoras foi feita desta
maneira:
como projeto, como conjunto, como empresa. Ou seja, sem perder de vista
a importância
do que o diretor proponha, e agora mais do que nunca, o que os
produtores
proponham com vistas à boa comercialização do filme.
Isto
traz críticas, dores de cabeça, alegrias e discussões... mas uma coisa
é
certa: também é uma forma de trabalho como outra qualquer, que não pode
ser
vista de outro modo que não sob o manto de dignidade, dentro de um
mundo que
mudou para todos e que talvez necessite de novas respostas para superar
as
barreiras que a cada dia são impostas, de forma voraz, pelo mundo das
finanças.
Gabriel
Ascierto
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