MISSÃO: IMPOSSÍVEL 3 (Mission: Impossible 3, EUA, 2006)
Gênero: Aventura
Duração: 126 min.
Elenco: Tom Cruise, Ving Rhames, Michelle Monaghan, Keri Russell, Philip Seymour Hoffman, Laurence Fishburne, Billy Crudup, Simon Pegg, Jonathan Rhys Meyers, Maggie Q, Michael Berry Jr., Carla Gallo
Compositor: Michael Giacchino
Roteiristas: Alex Kurtzman, Roberto Orci, J.J. Abrams
Diretor: J. J. Abrams

Melhorar é possível

Estréia no cinema do criador das séries de TV ALIAS e LOST não poderia ser mais auspiciosa, transformando esta aventura do astro Tom Cruise num novo marco do gênero

Sensacional a estréia de J. J. Abrams no cinema. Uma prova de que a saída para o marasmo em que se encontra (va) o cinemão hollywoodiano está mesmo nas séries de TV. Na televisão, a equipe tem que se esforçar para que a audiência não mude de canal, o espetáculo nunca pode ficar chato. Lembrando que MISSÃO: IMPOSSÍVEL 2 (2000) tinha esse problema - John Woo havia se excedido nas cenas de ação, tornando-as muito longas e cansativas. Esse erro, J. J. não deixa acontecer em nenhum momento. Não é exagero dizer que MISSÃO: IMPOSSÍVEL 3 (2006) é um marco na história do cinema de ação norte-americano, da mesma forma que o foram OPERAÇÃO FRANÇA, de William Friedkin, nos anos 70, e DURO DE MATAR, de John McTiernan, nos anos 80 e 90. A estréia de J. J. tem jeito de ser um prenúncio de uma nova era para o gênero.

MISSÃO: IMPOSSÍVEL 3 já começa em alta voltagem. Ethan Hunt (Tom Cruise) está imobilizado pelo vilão (Philip Seymour Hoffman, Oscar® de melhor ator por CAPOTE) e à sua frente está sua namorada (a bela Michelle Monaghan), também imobilizada e amordaçada. Caso ele não dê a informação que o vilão deseja, a moça levará uma bala na cabeça. Quando ele conta até dez e ouvimos o tiro, começam os créditos com a conhecida música tema de Lalo Schifrin, dessa vez com arranjos do ótimo Michael Giacchino (colaborador de Abrams nas suas séries de sucesso ALIAS e LOST), como se fosse uma empolgante série de televisão que a gente tem o prazer de assistir. Eu até me senti um pouco quando criança, quando começava o seriado do Batman e eu pulava no sofá de alegria. Depois dos créditos, voltamos para um passado recente e flagramos a intimidade de Ethan Hunt, disposto a largar o trabalho de risco para se dedicar à mulher que ele ama. Até que surge uma nova missão, que ele não consegue rejeitar: resgatar uma agente que foi sua pupila (Keri Russell, estrela de outra série de Abrams, FELICITY), capturada por bandidos durante uma missão.

A semelhança com ALIAS é enorme. Tom Cruise age como uma Sydney Bristow, tentando a todo custo não envolver seus amigos em seu trabalho perigoso. Tem até uma cena em que Tom conversa de costas com um de seus informantes, assim como Sydney fazia com o Vaughn na primeira temporada da série. É como se J. J. Abrams pensasse num episódio super especial de ALIAS e o trouxesse para o cinema. O diretor já havia batido um recorde ao dirigir o piloto de série mais caro da história com LOST. Desta vez, ele bate novo recorde ao dirigir o mais caro filme (U$ 150 milhões) dirigido por um estreante.

Cenas empolgantes não faltam. E o bom é que não há uma preocupação em ser realista, verossímil. A inverossimilhança é uma virtude. E outra lição de Hitchcock também é aproveitada: há um mcguffin no filme, o tal "pé-de-coelho", que funciona como motor da ação. Entre os momentos eletrizantes, temos a seqüência do Vaticano, que é mostrado como um reduto do luxo e da corrupção. Outras seqüências eletrizantes: a cena do resgate de Keri Russel, com helicópteros voando entre geradores de energia eólica; a cena dos mísseis na ponte; a fuga de Tom Cruise em Shanghai; e o tão aguardado encontro de Cruise e Hoffman prenunciado no prólogo. E Tom Cruise ainda dá uma de Jack Bauer (de 24 HORAS) no final, que eu não vou contar aqui para não estragar a surpresa.

O desempenho de Hoffman como vilão é genial. O trabalho da equipe do IMF nunca foi tão harmônico. Desta vez, além dos "veteranos" Tom Cruise e Ving Rhames, completam o time os novatos Jonathan Rhys Meyers e Maggie Q. Mas claro que quem brilha mesmo é Tom Cruise, que faz questão de não usar dublês nas cenas de ação e é um ator bastante esforçado para dar o melhor de si. Tom Cruise é o cara. Não tem outro ator em Hollywood com o poder que ele tem e a capacidade de escolher os melhores projetos dos melhores diretores. O cara sai de um filme de Michael Mann para um de Steven Spielberg, aumenta a estrela de J.J.Abrams e vem aí em outro filme dirigido por Mann, THE FEW. J. J., por outro lado, recebeu a tarefa de revigorar mais uma franquia da Paramount que nasceu nas telinhas: ele será o produtor, e provavelmente também o diretor, do novo filme de JORNADA NAS ESTRELAS. Mas não nos antecipemos, pois o momento é de louvar essa bela obra de arte que é MISSÃO: IMPOSSÍVEL 3.

Cotação:
Ailton Monteiro
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