MISSÃO: MARTE (Mission to Mars, EUA, 2000)
Gênero: Ficção Científica
Duração: 120 min.
Estúdio: Touchstone
Elenco: Gary Sinise, Tim Robbins, Don Cheadle, Connie Nielsen, Jerry O'Connell, Kim Delaney, Elise Neal, Peter Outerbridge
Compositor: Ennio Morricone 
Roteiristas: Lowell Cannon, Jim Thomas, John Thomas
Diretor: Brian De Palma

MISSÃO: MARTE foi o primeiro dos filmes feitos em série por Hollywood na tentativa de explorar os mistérios que envolvem o planeta vermelho. Apesar de ter sido destruído pela crítica especializada e desprezado pelo público (o erro foi terem tentado vendê-lo como um filme de ação e aventura), este filme dirigido pelo sempre competente Brian De Palma está longe de ser ruim. Seu maior defeito: explicar o mistério final de forma didática e infantil (com direito inclusive a uma narração em off que nos explica o que já estamos vendo na tela!), como se para ter certeza que a platéia entendeu tudo direitinho (mesmo defeito dos novos filmes do Spielberg que pretendem ser sérios e maduros, mas que por causa disso acabam não rendendo nem discussão em botequim). 

É uma pena, pois até a malfadada "solução" o filme é ótima. Conta a história de uma mal sucedida missão a Marte na tentativa de explorar o planeta. Entretanto, um acidente ocorre enquanto investigam uma estranha formação rochosa (que realmente existe e tem a forma de uma face) e quase todos os tripulantes desaparecem. Uma nova equipe é enviada ao local na tentativa de resgatar quem sobrou. Mas outros acidentes acontecem, garantindo sempre novas seqüências tensas e dramáticas, tendo como ponto alto a antológica cena do passeio espacial, de inegável força e impacto. Só ela já vale por dez dessas bombas que Hollywood anda produzindo ultimamente. Além disso, o filme é tecnicamente impecável, contando com uma excelente direção de fotografia de Stephen H. Burum (colaborador habitual de De Palma) e efeitos especiais pra lá de decentes. 

Já a música do maestro Ennio Morricone é um caso a parte. A aproximação escolhida pelo compositor italiano (o mesmo de CINEMA PARADISO e A MISSÃO) é totalmente fora dos padrões para esse tipo de filme e por isso acabou sendo tão incompreendida e criticada, até mesmo por quem diz entender do assunto. Mas é justamente essa criação arrojada e original que dá vida extra ao filme e o impede de cair na banalidade. Não é a toa que Morricone continua a ser considerado um dos melhores músicos ainda a trabalhar para o cinema. 

É uma pena que alguns diálogos francamente estúpidos e a conclusão em clima de "sessão da tarde" tenham estragado essa releitura de 2001 - UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO, que somente um cineasta cara-de-pau como De Palma poderia fazer sem cair no ridículo. Mesmo com seus defeitos e limitações, MISSÃO: MARTE não deixa de ser um excelente entretenimento e tem embasamento científico totalmente plausível. Recomendado para pessoas de mente aberta.


Cotação: ***½

André Lux

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