UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA (A Woman Under the Influence, EUA, 1974)
Gênero
: Drama
Duração: 155 min.
Elenco: Gena Rowlands, Peter Falk, Fred Draper, Lady Rowlands, Katherine Cassavetes, Matthew Laborteaux, Matthew Cassel, Christina Grisanti, O.G. Dunn, Mario Gallo
Compositor: Bo Harwood
Roteirista: John Cassavetes
Diretor: John Cassavetes

Um homem que influencia

Filme do falecido diretor John Cassavetes, que demorou 33 anos para estrear no Brasil, traz uma bela mensagem de valorização da família

John Cassavetes foi um caso raro e muito peculiar na história do Cinema. Em uma época onde o star system ainda era algo forte na estrutura cinematográfica, o cineasta lançava as bases do cinema independente e fazia filmes sem astros, apenas com amigos, e frequentemente em poucas locações. Para dinamizar seus filmes e impedir que os mesmos se tornassem desinteressantes, o diretor trabalhava com a câmera em movimento, empregando bons primeiros planos para enfatizar a atuação dos intérpretes - mas sendo hábil o suficiente para impedir que a forma falasse mais alto que o conteúdo: seus filmes eram simples e ágeis, o que não significa que não tivessem um apuro formal - mas estes estavam, acima de tudo, a serviço da estória, da trama contada, do filme, e de sua mensagem.

O estilo de filmar de Cassavetes foi seguido por muitos cineastas, de Woody Allen a Domingos de Oliveira, tanto no que diz respeito à maneira de filmar quanto ao conteúdo - Cassavetes via de regra concentrava suas tramas em conflitos ocorridos em pequenos microcosmos humanos, entre estes o universo familiar. É esse o exato caso de UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA, seu sétimo filme. Realizado em 1974, proporcionou ao cineasta sua terceira indicação ao Oscar, a única como melhor diretor. Impressionantemente, permaneceu inédito nos cinemas brasileiros até agora - durante nada menos que 33 anos - e finalmente foi lançado comercialmente no país.

No filme, a maravilhosa Gena Rowlands, esposa do cineasta, interpreta Mabel, uma dona-de-casa absolutamente normal, se não fosse pelo caso de estar começando a apresentar sinais de loucura. Esposa e mãe exemplar, Mabel involuntariamente balança a estrutura familiar quando sua doença começa a vitimá-la de forma mais incessante. Mais que a própria personagem (que em determinado momento do filme é internada e some de cena durante boa parte da metragem), é a forma como a loucura de Mabel afeta todos os que estão a seu redor o grande protagonista da trama. Se o filme fosse dirigido por um cineasta qualquer, ou por um dos muitos que acreditam que qualquer um pode ser John Cassavetes, é possível que seus personagens começassem a se drogar, a ingressarem em algum outro tipo de irresponsabilidade social, e que o roteiro do filme tentasse de todas as formas desvalorizar a harmonia familiar, contradizendo, assim, a própria mensagem da trama: o de como um núcleo familiar abalado pode ser nocivo a seus membros.

Mas Cassavetes não é um cineasta qualquer, e trabalha UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA de forma a valorizar a família e a fortalecê-la: representado, na tela, por sua esposa Gena Rowlands e alguns de seus melhores amigos – Peter Falk, igualmente brilhante, interpreta o marido Nick, e a mãe do cineasta e a mãe de Gena Rowlands interpretam, respectivamente a mãe de Nick e... a mãe de Mabel - Cassavetes sabe melhor que ninguém da importância e força da família, e faz de seu belo filme uma mensagem de valorização ao primeiro núcleo social que conhecemos quando chegamos à Terra. Esse é, talvez, o mais belo motivo para que UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA seja um filme não apenas de ótima qualidade, mas que, acima de tudo, deve ser aplaudido.

Cotação:
Carlos Dunham
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