MUNIQUE (Munich, EUA, 2005)
Gênero: Drama
Duração: 130 min.
Elenco: Eric Bana, Daniel Craig, Geoffrey Rush, Marie-Josée Croze, Ayelet Zorer, Mathieu Kassovitz, Kurt Russell, Ciarán Hinds, Hiam Abbass, Sharon Alexander, Mosko Alkalai, Gila Almagor, Hanns Zischler
Compositor: John Williams
Roteiristas: Eric Roth, Charles Randolph, Tony Kushner
Diretor: Steven Spielberg

Spielberg polêmico

Steven Spielberg desiste de fazer filmes para seus filhos e realiza um drama com um subtexto político controverso, que não evita a violência e o sexo

Em 2005 Steven Spielberg repetiu o feito de 1993, quando dirigiu dois grandes filmes, JURASSIC PARK e A LISTA DE SCHINDLER. Um blockbuster e um filme mais sério, mais adulto, digamos assim. Sei que essa classificação não é muito feliz, já que, além de MUNIQUE, há subtextos políticos também em GUERRA DOS MUNDOS, mas acho que me fiz entender. A diferença entre os dois novos filmes de Spielberg está na controvérsia. A polêmica, no caso de MUNIQUE, é mais explícita, tendo em vista o tema explosivo escolhido pelo diretor. O fato de ele ter preferido uma certa neutralidade para acompanhar os passos de um grupo de cinco homens com a missão de matar os responsáveis pelo atentado em Munique, nas Olimpíadas de 1972, fez com que ele não fosse visto com bons olhos pela comunidade judaica. Os palestinos, obviamente, também não gostaram nada do filme.

Spielberg fez o seu filme mais violento até hoje. Até cenas de sexo (e com mulher grávida) e nudez frontal ele incluiu, o que não deixa de ser uma surpresa vindo do cineasta. Parece que ele parou com aquela besteira de querer fazer filmes para os seus filhos pequenos, o que é motivo de comemoração. Spielberg nos presenteou com duas seqüências eletrizantes, que lembram grandes momentos do mestre Hitchcock: a explosão no quarto de hotel e a bomba instalada no telefone. A cena da vingança à espiã holandesa também está entre os pontos altos. Eric Bana chegou a manter contato com o verdadeiro Avner e leu muitos livros sobre o conflito entre israelenses e palestinos. Tentou entender o que é viver sob constante tensão. Pelo visto, isso funcionou bastante, como podemos ver ao final do filme, quando ele volta de sua missão e fica paranóico.

Dizem que no final de MUNIQUE, enquanto sobem os créditos, aparecem as torres gêmeas. Não percebi. Mas pode-se dizer que Spielberg quis mostrar que os EUA meio que se transformaram numa nova Israel, lugar marcado por constantes conflitos. A Terra Prometida já não existe mais.

MUNIQUE é desses filmes que nos fazem sair do cinema meio sem saber o que dizer, o que pensar. Com o tempo, ele cresce na memória afetiva, quando lembramos das espetaculares cenas de tensão e da fotografia maravilhosa do polonês Janusz Kaminski, que já havia trabalhado com Spielberg em outros nove filmes (e ainda vai ser o responsável pela fotografia dos próximos dois trabalhos do diretor). Foi uma experiência bem diferente de quando eu saí da sessão de GUERRA DOS MUNDOS, entusiasmado como uma criança que acabou de ganhar um doce. MUNIQUE, ao contrário, nos deixa com um gosto amargo na boca.

Cotação:
Ailton Monteiro
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