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O Que é
Música? |
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Essa discussão é antiga e talvez já esteja até fora de moda, mas ninguém ainda chegou a uma conclusão! Ou seja, a questão se esgotou sem ter chegado ao fim.
Sucessão de sons distribuídos no tempo finito. Creio que essa seja a melhor definição para a indagação “o que é música?”. Porém, ao entrarmos em um assunto tão complexo, não podemos deixar de fazer outra pergunta muito pertinente e até filosófica: a música é uma criação humana ou natural? Se a resposta for humana, teremos que acrescentar um parêntese na afirmação citada acima: sucessão de sons distribuídos (e organizados) no tempo finito, pois sem a interferência humana, os sons da natureza são aleatórios e não seguem necessariamente um padrão. Mas compor é organizar? E a música aleatória surgida no século XX, que consistia em dar algumas instruções ao intérprete e omitir outras forçando o mesmo a improvisar qualquer som que viesse à cabeça? Isso é música? E o músico de jazz, ao improvisar, faz música? Se considerarmos sucessão de sons distribuídos no tempo finito, inevitavelmente teremos a interferência humana; mas se considerarmos essa sucessão em um tempo que não necessariamente seja finito, então teremos uma música eterna que emerge das profundezas da natureza e que podemos ouvir a qualquer instante, em qualquer lugar: uma cachoeira, a chuva, um trovão, o vento, os sons dos animais, os sons que ecoam da Amazônia, o giro do planeta Terra, tudo isso é som, mas é música? O pássaro quando canta, canta, ou emite som? E se o canto de um determinado pássaro estiver “afinado” ou construir uma melodia, mesmo sem a interferência humana, não seria música? O século XX fez ruir todas as certezas sobre a questão música. Ruídos foram acrescentados às músicas; sons concretos; a melodia já não se fazia mais necessária; a forma ruiu; o sistema tonal idem. Mas nunca se fez tanta música quanto se faz hoje! Será necessário ter certezas para compor, ou a liberdade está acima de tudo? Um acadêmico dirá que “sim, é necessário estudo formal para ser um grande compositor”, mas e os autodidatas, não podem ser bons compositores? Música é fórmula ou livre pensar? Ora, a natureza está aí para nos ensinar! Não é harmônico o canto de um pássaro? Não é dissonante o ruído do trovão? Não é tranquilizante o som da chuva caindo? Não é impactante a explosão de um vulcão? Tudo isso não é mais expressivo e até mais real do que uma orquestra sinfônica executando Mahler? O nosso sentido de organização, que fora herdado de nossos ancestrais, não estaria nos limitando ao nos impor uma certa compreensão do que se ouve? Será preciso compreender? Será essencial o início o meio e o fim? Nós somos humanos e habitamos a Terra que habita o Sistema Solar, que por sua vez habita a Via Láctea, que por fim (talvez por fim!) habita o Universo. Tudo isso gira, explode e, embora o som não se propague no vácuo, se fosse possível ouvir perceberíamos algo tão absurdo e grandioso que não haveria compositor capaz de fazer algo tão espetacular! E isso tudo é música! Porque música não é o que nós queremos que seja, mas os sons que o Universo nos deu. Nós apenas organizamos à nossa maneira, com toda a nossa arrogância e dizemos: compus uma sinfonia! Ora, o Universo não precisa de nenhuma sinfonia, ele é a sinfonia. Eterna, imutável, intangível! Qualquer redução para um número limitado de instrumentos, em um curto espaço de tempo e seguindo ordens de expressão e interpretação de um músico não passa de uma redução, uma parte. Utilizamos apenas doze sons dentre os infinitos que existem! Nós agradecemos aos grandes compositores da história da música que nos deram a oportunidade de ouvir partes tão sensacionais. Eles são realmente gênios, pois sem eles não haveria nem partes para serem ouvidas. Porém, nunca haveremos de ouvir música em sua totalidade, pois para isso seria necessário apenas senti-la e desnecessário ouvi-la, até impossível ouvi-la. A música humana é uma maravilhosa forma de expressão, de emoção, de terapia, de pacificação ou até de angústia, suspense, raiva e incitação para a guerra como já foi utilizada tantas vezes, como por exemplo por Hitler. Mas não é completa. Sempre que nos deparamos com o papel em branco para compor algo, percebemos que existem infinitas possibilidades e que vários caminhos nos agradarão, então ficamos atônitos, até escolhermos um. Eu disse escolhermos um e não o melhor. É aí que nos deparamos com a grandeza da natureza e percebemos que tudo está contido nela, só temos a opção de escolher entre tudo o que já existe. Criar? Digamos reduzir, fica mais honesto. A música está no Universo e o Universo é a música. |