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Aspectos da Música de Cinema Emerson F. C. Paubel
1 – FORMA E MÚSICA DE CINEMA 1.1 –
Relação da Música e Drama no Filme 1.2 –
Escrevendo Música para Filmes 1.3 –
Como lidar com o problema da continuidade formal entre música e filme? a) Ao nível da cena individual:
b) Ao nível do filme como um todo: Pode algum tipo de forma coesiva existir no filme como um todo? Deve a música refletir esta subjacente estrutura formal do filme inteiro? A resposta para ambas as questões é sim, porém com alguma ressalva. O elemento visual do filme é sempre presente e, conseqüentemente, tem oportunidades para suavizar crescimento orgânico e desenvolvimento. A música, por outro lado, é raramente um dos elementos contínuos de um filme (uma partitura para cinema não é uma sinfonia). Boa música de cinema é geralmente utilizada somente naqueles momentos onde ela será mais apropriada. Isto cria um problema para a forma musical, que é baseada na repetição e contraste, usualmente sobre um relativo curto espaço de tempo e sem interrupção. Um filme freqüentemente possui longos períodos sem música, nos quais a platéia tem um bom tempo para esquecer as idéias musicais apresentadas. O compositor pode compensar este problema através do uso de alguns artifícios:
- Especificando temas musicais para corresponder com personagens/temas dramáticos, o compositor pode trazer de volta um tema em vários pontos sob vários aspectos para ilustrar a mudança de contexto de um tema dramático ou o estado mental de um personagem. Onde o filme é emocionalmente neutro em termos de elemento visual, o uso do leitmotif pode agregar uma dimensão não presente na tela. Ainda assim, um leitmotif pode ser desenvolvido e modificado ao longo do filme, sendo que grande parte do formato original será preservado no sentido de manter uma linha de continuidade; - O modelo leitmotif pode ser facilmente sobre-usado.
- Usando apenas um tema, as repetições/variações da idéia musical são facilmente percebidas, enriquecendo a coerência musical. Freqüentemente, o tema-título é obtido a partir do domínio da canção popular; - O modelo monotemático também é muito sobre-usado.
- Este é de algum modo similar ao modelo do leitmotif, mas os temas não são necessariamente agregados a personagens ou idéias específicos. Freqüentemente, o tema principal em uma partitura desenvolvente serve como uma exposição do material musical básico, assim como a função da exposição na forma clássica sonata-allegro. A semelhança estrutural com a forma sonata-allegro, entretanto, termina neste ponto; enquanto que na forma sonata-allegro o material temático principal é geralmente trazido de volta numa simples recapitulação (a seção final da forma), uma partitura desenvolvente pode ter muitas recapitulações modificadas ou não do material temático principal, alteração decidida mais em função das necessidades dramáticas do filme do que por quaisquer considerações musicais.
A música, diferentemente da linguagem, não possui automaticamente associações ou significados lingüísticos/dramáticos específicos. Nenhuma correspondência biunívoca entre um gesto musical e uma construção verbal é inerente nos próprios sons musicais. Um gesto musical é um sinal polivalente que pode gerar uma rede complexa de significados possíveis. A música adquire significados específicos primeiramente através de sua apresentação em combinação com elementos visuais e o texto do roteiro. Por meio de ocorrências repetidas de uma idéia musical num filme em vários contextos dramáticos, “camadas” de significado são gradualmente adicionadas. Estas camadas podem aumentar a especificidade e complexidade do significado de ponta a ponta, ou elas tendem para generalizações mais extensas. Um compositor pode utilizar respostas culturais esperadas a elementos musicais e dramáticos usando clichês e estereótipos, alguns dos quais podem ser parte de uma bem conhecida tradição cinematográfica e assim podem pertencer à vasta comunhão de conhecimento cultural compartilhado. Utilizando elementos bem conhecidos dentro do contexto dramático de um filme específico, o compositor pode facilmente criar uma resposta imediata da platéia. Tal ferramenta útil pode ser rapidamente tornada ineficaz se excessivamente utilizada. Contudo, ela pode também tornar-se um meio de criar uma resposta mais específica que é diretamente condicionada pelas cenas nas quais a música acontece. Em tais casos, uma relação mais complexa entre o sinal e seu significado é criada: a platéia pode ser confrontada pela dissonância entre os significados compreensíveis de um clichê e o específico contexto no qual ele ocorre. Repetição, contraste e variação podem ser vistos como os blocos básicos de construção do significado musical num filme. A tabela abaixo mostra as quatro possibilidades básicas, junto com um resumo rápido de cada efeito. A repetição ou continuação de uma relação-exemplo particular fortalecerá a percepção daquela relação, enquanto que uma falta de repetição (descontinuidade da relação-exemplo) pode enfraquecer sua percepção. Nota: Nesta tabela, elementos musicais são indicados pelas letras a e b; elementos dramáticos (textual e visual) são representados pelas letras x e y.
Nenhum dos exemplos descritos acima tem de ser usado para a exclusão dos demais. Por exemplo, um compositor poderia usar uma grande porção de repetição de uma idéia musical para estabelecer uma conexão forte com um particular tema dramático, então alterar aquela relação colocando a música em um novo contexto dramático (com novas implicações), por meio disso adicionando uma nova dimensão ao sinal musical/dramático que já tenha sido estabelecido. [1] Ciência da linguagem que opera com a articulação dos signos verbais e não-verbais, com os diversos sistemas de sinais, de linguagem e suas relações; compreende três ramos: sintaxe, semântica e pragmática. |
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