NEIL ARGO
Entrevista exclusiva para o ScoreTrack.Net

Neil Argo é um compositor norte-americano que, apesar de trabalhar principalmente para a televisão, agora também está dando maravilhosas contribuições musicais para o cinema. De 'The New Mission: Impossible', 'Wild America' e 'Beverly Hills 90210', até a África do Sul retratada nos documentários da National Geographic, ele já compôs para muitos projetos notáveis. Os scores de Neil utilizaram orquestras de estúdio completas, assim como sintetizadores. Apesar de preferir o magnífico som de um conjunto de instrumentos acústicos, ele sente-se inteiramente à vontade combinando os dois mundos, em trilhas sonoras híbridas. Em novembro de 2008, nossa associada Viviana Ferreira realizou a seguinte entrevista exclusiva com o gentil Neil.

Neil Argo

Viviana Ferreira - Onde você nasceu?
Neil Argo - Eu nasci em San Diego, Califórnia. Meu pai era um oficial de carreira da Força Aérea, por isso nos mudamos de San Diego quando eu tinha dois anos. Nos mudamos muito enquanto eu crescia (por isso estudei em três diferentes colégios, por exemplo).

VF
- Como você descobriu sua paixão pela música?
NA
- Quando estava no colégio, com 15 anos, eu decidi que queria tocar bateria, então meus pais compraram um conjunto completo de bateria para mim. Toquei bateria durante o colégio e nos meus quatro anos na Força Aérea (banda militar). Quando fui para a faculdade em Denton, Texas, cidade famosa pelo jazz, eu descobri que meu 'ouvido' para orquestração e melodia era melhor que meu talento como baterista. Então, enquanto estava na universidade, mudei meu foco principal e curso para composição e larguei a bateria (foi quando comecei a ter lições de piano).

VF – Qual a sua formação musical?
NA - Após quatro anos na Força Aérea e cinco na Universidade North Texas (Bacharelado em Composição Musical), trabalhei por um ano e comecei um Mestrado em Teoria Musical e Composição na University Northern Colorado em Greeley, Colorado.

VF - 'Wild America' foi um trabalho incrível, o que este projeto significa para você?
NA - Dois anos após meu Mestrado, por volta de 1981, conheci John Denver e o ex-produtor de seus especiais para a ABC do início dos anos 70, em Aspen. Esse produtor estava planejando lançar nacionalmente uma nova série para a PBS Television, chamada 'Wild America'. Eu liguei para ele por um ano, e finalmente ele me escolheu para compor o tema de 'Wild America' em 1982. A série estreou na PBS em outubro de 1982. Compus e gravei para a série em Denver nos quatro anos seguintes. Foi um bom treinamento para aprender como compor e reger em sincronia com o filme, e como compor rápido.

VF - Você trabalhou como compositor e regente em séries de TV como 'MacGyver', 'The New Mission: Impossible' e 'Beverly Hills 90210'. Fale-nos um pouco sobre essas experiências.
NA - Mudei-me para Los Angeles e comecei a procurar trabalho como compositor ou orquestrador e eventualmente conheci Rocky Moriana, do departamento musical da Aaron Spelling Productions, que à época estava localizada na Warner Hollywood. Eu lhe perguntei se poderia assistir às sessões de gravação de 'Dynasty', 'Hotel', 'The Colby's', e ele concordou... e assim foi por três anos. Nesse período um dos compositores regulares da Spelling, John Davis, convidou-me para orquestrar para ele, o que fiz. Então ele me indicou para trabalhar com um colega seu que estava compondo para 'MacGyver' ('Profissão: Perigo'). Eu orquestrei para essa pessoa, Kenny Harrison, por um par de episódios. Orquestrar para um compositor de televisão significa trabalhar para alguém que está compondo 46 ou mais peças (não, é muito sintetizador e sampling) e nesses programas ele tem de dois a um dia e meio para compor 23 minutos de música de orquestra. Então, como orquestrador, eu tinha que pegar suas composições escritas (MUITAS notas juntas) às 22h. O compositor precisava que suas 46 peças estivessem distribuídas na partitura, com todas as suas articulações e dinâmicas no lugar certo, prontas para serem entregues ao pessoal da transcrição às 8h da manhã seguinte. Então era comum que eu não dormisse por dois dias seguidos. No início da greve dos roteiristas de Hollywood em 1988, a Paramount Television trouxe de volta a série 'Missão: Impossível', agora chama de 'The New Mission: Impossible'. Fui contratado pela Paramount para compor em 25 episódios desta série nos dois anos seguintes. Em 1990 meu amigo e colega John Davis foi convidado para compor o tema de 'Beverly Hill's 90210' ('Barrados no Baile'), o que ele fez e eu trabalhei com ele nesta série e em outros novos programas da Spelling, como 'Hearts Are Wild' e 'Burke’s Law' (apenas 'B. H. 90210' durou um longo tempo).

VF - Você também compôs para especiais da National Geographic e a série 'Explorer', o que você pode nos dizer destes projetos?
NA - Em 1993 o irmão do produtor de 'Wild America', Mark Stouffer, conseguiu que eu fosse contratado pela National Geographic Television para fazer um novo especial para eles, chamado 'Survivors of the Skeleton Coast'. Deste especial surgiu a oportunidade para que eu compusesse toda a música para mais cinco especiais de uma hora sobre a África para a BBC em Londres chamados 'Skeleton Coast Safari', até 1997. Em 1994, o produtor de um episódio da 'National Geographic Explorer' me convidou para compor a música de seu programa de meia hora, 'Animal Minds', o que fiz. Trabalhar para a National Geographic como compositor é como trabalhar com qualquer produtor independente. Quero dizer, eles designam um produtor para supervisionar um projeto e você, como compositor, trabalha apenas com aquele produtor. No entanto, ao final a música tem de ser aprovada por um produtor sênior da NGTV. Mas, quando você compõe para um especial de uma hora da National Geographic, é uma grande tarefa. Aqui, você está trabalhando diretamente com editores sêniors e produtores executivos, e todas as decisões sobre a música que você compõe é aprovada imediatamente (ou rejeitada, nesse caso você a muda também imediatamante). A NGTV não possui compositores específicos, que eu saiba. Muitos compositores já trabalharam para eles ao longo dos anos.

Neil Argo e Russ Emanuel

VF - Você trabalha com freqüência com o diretor Russ Emanuel, há quanto tempo você o conhece? E como se conheceram?
NA - Conheci Russ Emanuel, um jovem diretor que recém se formara na USC em cinema e negócios internacionais, em 2002. Ele estava fazendo seu primeiro filme de meia hora e estava procurando um compositor em sites de referência para produção (como 'LA411' ou 'Mandys'). Ele disse que encontrou meu website, ouviu minha música, gostou, e quis encontrar e entrevistar a mim e a mais seis compositores. Três dias depois ele me telefonou e disse que me escolhera para musicar seu primeiro filme. Nos quatro anos seguintes compus as trilhas sonoras de mais três curtas-metragens dele - 'Mavet', 'Girl with Gun' e 'Perfect Red'. Ano passado ele dirigiu seu primeiro longa metragem chamado 'P.J.', estrelado por John Heard, Robert Picardo, Vincent Pastore, Patricia Rae e outros. Russ e eu já fizemos até agora seis filmes, se você contar 'Chasing the Green', atualmente em pós-produção e estrelado por William Devane, Ryan Hurst, Jeremy London, Heather McComb.

VF – Quem é o seu ídolo da música do cinema?
NA - Meus compositores de cinema favoritos são Jerry Goldsmith e Michel Legrand. Michel é muito, muito melódico. Penso que uma melodia transmite um sentimento ou um lugar melhor que qualquer coisa. A melodia que compus para 'P.J.' transmite, creio, o sentimento de Nova York e toda a sofisticação e grandeza da cidade.

VF - De todas as suas partituras, qual a sua preferida?
NA - É difícil dizer qual é minha partitura preferida, no momento provavelmente é 'P.J.'.

VF – Então, fale sobre seu último trabalho, 'P.J.'.
NA - Tive quatro semanas para compor 50 minutos de música de orquestra para 'P.J.'. Há um clipe da gravação no meu site, na categoria media/video, ou então vá no YouTube e pesquise por Neil Argo. O dia da gravação foi maravilhoso... todo ele. Gravamos 50 minutos de música em exatamente seis horas, ou uma sessão dupla como eles chamam no sindicato dos músicos (foi uma gravação sob as normas da American Federation of Musicians). Eu regi por seis horas, com uma pausa de dez minutos por hora. Tive apenas uma hora e meia para dormir na noite anterior (o diretor, Russ, teve de me dar uma carona até o estúdio porque estava cansado demais). Tive a sorte de ter Mike Vaccaro contratando a orquestra, porque ele conseguiu um concert master de filmes de orçamento muito maior. Palmas para Mick! O score de 'P.J.' foi muito bem recebido e até mesmo comparado aos de Michel Legrand, o que é muito lisonjeiro para mim.

VF – E para o futuro? O que mais podemos esperar ouvir de Neil Argo?
NA - Estou ansioso para compor mais scores para o cinema, e tenho esperança que a música de 'P.J.' atraia atenção para mim, de modo que possa ter mais oportunidades de compor para maravilhosas histórias.

VF – Bem, foi um prazer entrevistá-o Neil, porque sua música é fantástica, e porque você é um inteligente e apreciado compositor de trilhas sonoras. Muito obrigado!
NA  - Eu é que agradeço Viviana. Apreciei esta entrevista, tanto como você. Que você tenha um caminho abençoado!

Agradecimentos especiais a Neil Argo por conceder-nos esta entrevista. Para mais informações sobre o compositor, visite http://www.neilargo.com/

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