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Considerado um dos mais
influentes e respeitados compositores da Era de Ouro de Hollywood,
Alfred Newman alcançou o, ainda imbatível, recorde de 44 indicações e 9
premiações da Academia de Artes Cinematográficas. Foi o primeiro a
nascer, de uma seqüência de 10 filhos de uma família pobre de New Haven,
Connecticut. Nasceu em 1901 e, com 8 anos de idade já era bastante
conhecido em sua cidade como pianista prodígio. O jovem Newman tocou
para o virtuoso Jan Ignace Paderewski, o qual organizou, em New York, um
recital para o artista e logo uma carreira maravilhosa parecia ter sido
ali iniciada, sendo Newman impelido a ganhar o sustento de sua pobre
família através da música. Graças ao seu reconhecido talento como
pianista, ganhou uma bolsa de estudos com Sigismond Stojowski em New
York.
Newman iniciou o seu trajeto
partindo do teatro de Vaudeville para a platéia da orquestra dos
teatros da Broadway. Largou os estudos aos 14 anos para ajudar
definitivamente a família ao ser contratado como pianista pelo teatro
Strand, na Broadway, e logo aos 18 anos tornou-se um condutor e
arranjador musical estabelecido, conhecido e solicitado pelos melhores
compositores, inclusive, George Gershwin, Richard Rodgers, Cole Porter,
Jerome Kern e Irvin Berlin. Foi graças a este último que Newman, em
1930, foi parar na costa oeste dos Estados Unidos. Quando Berlin foi
levado para Hollywood na alvorada da Era do Som, conseguiu levar também
Newman, a fim de trabalhar para seu musical “Reaching for Moon” (1931),
a comédia sobre a depressão estrelada por Douglas Fairbanks e Bing
Crosby. Newman nunca retornou a New York depois disso, pois foi logo
convidado pela United Artists para ser o diretor musical deste estúdio
em ascensão. Ele serviu por quase uma década a UA, levando esta função
com uma disciplina quase monástica. Seu primeiro score original
foi composto para “Street Scene” (1931), um filme produzido pelo chefe
de estúdio Samuel Goldwyn. Ainda como diretor musical na UA, em 1933
escreveu a, agora famosa, fanfarra com metais e percussão como
“logomusic” da abertura da 20th Century-Fox. Sendo que, curiosamente, em
1953, a chamada “Fox Fanfare”, sofreu um acréscimo em homenagem à
estréia do formato “Cinemascope” no cinema com o filme musicado por
Newman “The Robe”.
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Lawrence
Olivier: "O Morro dos Ventos Uivantes"
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Newman deixou a UA no final de
1938, depois de ter escrito, entre outros, clássicos scores como
“The Prisioner of Zenda” (1937, O Prisioneiro de Zenda) e “Hurricane”
(1937, O Furacão), mas seu mais produtivo período estava apenas
começando. Durante seu ano como “free-lancer”, ele escreveu a música
para “Gunga Din”, “Wuthering Heights” (O Morro dos Ventos Uivantes) e
“The Hunchback of Notre Dame” (O Corcunda de Notre Dame). Então, Darryl
F. Zanuck o chamou para ser o diretor musical da 20th Century-Fox, que
estava marcada para sempre com sua fanfarra. Newman, agora, iria
provocar um fabuloso salto em sua carreira, tanto financeira como
artisticamente. Nesta ocasião, ele conseguiu dividir a hegemonia da
música cinematográfica com os lendários
Max Steiner e
Erich Wolfgang
Korngold, ambos da Warner Bros.
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Cena de
"Como Era Verde o Meu Vale"
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Como diretor musical da Fox,
Newman, não apenas compôs dramáticos scores e supervisionou
belíssimos musicais, mas também era responsável por todo o trabalho
musical que passava pelo estúdio. Todos os músicos, arranjadores,
orquestradores, compositores, adaptadores, letristas, solistas, cantores
e assistentes do departamento musical da Fox estavam sob a sua
responsabilidade direta. Newman ganhou 8 dos seus 9 Oscars para a Fox.
Dentro da 20th Century-Fox ele criou escola marcando época com seus
scores neo-românticos, sensíveis e perfeitamente adaptados às cenas
para as quais foram escritos. Newman escreveu praticamente todas as
clássicas trilhas sonoras para os filmes mais importantes da Fox na
época: “How Green Was My Valley” (1941, Como Era Verde o Meu Vale),
“Heaven Can Wait” (1943, Que O Céu Espere), “The Song of Bernadette”
(1943, A Canção de Bernadette – a preferida do compositor), “The Keys of
the Kingdom” (1944, As Chaves do Reino), “Leave Her to Heaven” (1945,
Amar Foi Minha Ruína), “The Razor’s Edge” (1946, O Fio da Navalha) “All
About Eve” (1950, A Malvada), “David and Bethsheba” (1951, David e
Betsabá), “The Robe” (1953, O Manto Sagrado), “The Egyptian” (1954, O
Egípcio – em parceria com
Bernard Herrmann),
“The Seven Year Itch” (1955, O Pecado Mora ao Lado), “Bus Stop” (1956,
Nunca Fui Santa), “Anastasia” (1956, Anastásia, A Princesa Esquecida),
“The Best of Everything” (1959, Sob o Signo do Sexo), “The Diary of Anne
Frank” (1959, O Diário de Anne Frank). Criou ainda a importantíssima
20th Century-Fox Orchestra e promoveu a carreira de outros brilhantes
compositores como:
Bernard Herrmann, Alex North,
Hugo Friedhofer,
David Raksin,
Franz Waxman, Cyril
Mockride, Leigh Harline, Victor Young e
Jerry Goldsmith.
O
respeito que todos os músicos de Hollywood tinham por ele pode ser bem
avaliado pela afirmativa do compositor de temperamento mais difícil da
história do cinema, Bernard Herrmann: “Alfred Newman ajudou a elevar o
estado da arte da música de filmes à perfeição". Ou pelo que disse o
arranjador Fred Steiner: “De todos os grandes nomes associados com a
história dos grandes scores de filmes sonoros, nenhum tem uma
carreira mais fabulosa que a de Alfred Newman... ultimamente o mais
condecorado músico de Hollywood.” (Referindo-se aos seus 9 Oscars e 44
indicações). Autor de 142 trilhas sonoras, uma boa parte como arranjador
e diretor musical, Newman trabalhou a música do filme “Laura” para David
Raksin, (que escreveu uma melodia imortal) e “Jane Eyre”, “Hangover
Square” e “The Day The Earth Stood Still” para Bernard Herrmann. Como
Judeu não-praticante, ele não prestou serviço formal ao seu templo, mas
algumas vezes, sua vida e sua inspirada música para certos filmes (The
Song of Bernadette, The Robe, The Keys of Kingdom, David and Bathsheba,
The Greatest Story Ever Told e A Man Called Peter) demonstraram sua
afinidade com o tema religioso, assim como
Miklós Rózsa.
Newman
deixou a Fox em 1960, mas ele continuou a trabalhar como “free-lancer”
novamente em filmes como “How the West Was Won” (1962, A Conquista do
Oeste) e “The Greatest Story Ever Told” (1965, A Maior História de Todos
os Tempos). Supreendentemente, devido a todas as suas honrarias
acumuladas na área dos musicais, Newman é considerado como melhor
arranjador e condutor de trilhas sonoras do que compositor. Pode ele
assimilar músicas populares e arranjá-las para orquestra e coral como se
fossem clássicas e de grande potência e efeito no cinema. Suas
composições não possuem a audácia e a aventura de Bernard Herrmann ou o
trabalho mais inspirado e imponente de Miklós Rózsa, sua música é tão
tonal, melodiosa e acessível que não exige muito daquele que a ouve,
sem, contudo, ser banal ou conservadora. Foi, justamente, a natureza
agradável da música de Newman associada às suas habilidades
diplomáticas, que o ajudaram a conquistar o seu sucesso. Nas palavras de
seu mais constante colaborador dos musicais e amigo, o letrista Ken
Darby: “Sua primeira proposta era engrandecer a cena, fazê-la mais real,
adicionando-se a ela, sem tirar a atenção da audiência, caminhando para
o envolvimento com as imagens e os personagens...”.
Alfred
Newman morreu em 17 de Fevereiro de 1970, logo depois de compor a trilha
sonora de “Airport”. Parte do seu legado está exposto na Biblioteca
Alfred Newman na USC, um projeto assumido e mantido por Martha Newman, a
esposa do compositor. O nome Newman, porém, continua presente na
história da música do cinema graças a seus dois filhos Thomas Newman (de
Beleza Americana, Perfume de Mulher, etc.) e David Newman (de Hoffa, O
Fantasma, etc.). Sua filha Maria Newman é também ligada à música, pois é
hoje uma aclamada violinista de concertos. Seu já falecido irmão Lionel
Newman, por um bom tempo o substituiu no trabalho da direção musical da
Fox. O veterano cronista de música de cinema, Tony Thomas afirmou:
“Quando Newman morreu em fevereiro de 1970, foi, para muitos de nós, o
fim da era de ouro de Hollywood”.
AS 44 INDICAÇÕES E OS 9 OSCARS
DE ALFRED NEWMAN:
1. The Prisoner of Zenda
(1937) O Prisioneiro de Zenda
2. The Hurricane (1937) O Furacão
3. The Cowboy and the Lady (1938)
O Cowboy e a Grã-fina
4. The Goldwyn Follies (1938)
Goldwyn Follies
5. Alexander's Ragtime Band
(1938) A Epopéia do Jazz 1º Oscar
6. They Shall Have Music (1939)
Música, Divina Música
7. The Hunchback of Notre Dame
(1939) O Corcunda de Notre Dame
8. Wuthering Heights (1939) Morro
dos Ventos Uivantes
9. The Rains Came (1939) ...E As
Chuvas Chegaram
10. The Mark of Zorro (1940) A
Marca do Zorro
11. Tin Pan Alley (1940) A Vida é
uma Canção 2º Oscar
12. How Green Was My Valley
(1941) Como Era Verde o Meu Vale
13. Ball of Fire (1941) Bola de
Fogo
14. My Gal Sal (1942) Minha
Namorada Favorita
15. The Black Swan (1942) O Cisne
Negro
16. Coney Island (1943) Turbilhão
17. The Song of Bernadette (1943)
A Canção de Bernadette 3º Oscar
18. Wilson (1944) Wilson
19. The Keys of the Kingdom
(1944) As Chaves do Reino
20. Centennial Summer (1946)
Noites de Verão
21. Irish Eyes Are Smiling (1944)
Olhos Travessos
22. Captain from Castile (1947) O
Capitão de Castela
23. Mother Wore Tights (1947)
...E os Anos Passaram 4º Oscar
24. When My Baby Smiles at Me
(1948) Quando Sorri o Amor
25. The Snake Pit (1948) Na Cova
das Serpentes
26. Come to the Stable (1949)
Falam os Sinos
27. All About Eve (1950) A
Malvada
28. On the Riviera (1951)
Escândalos na Riviera
29. David and Bathsheba (1951)
David e Betsabá
30. With a Song in My Heart
(1952) Meu Coração Canta 5º Oscar
31. Call Me Madam (1953) Sua
Excelência a Embaixatriz 6º Oscar
32. There's No Business Like Show
Business (1954) O Mundo da Fantasia
33. Daddy Long Legs (1955) Papai
Pernilongo
34. Love Is a Many-Splendored
Thing (1955) Suplício de uma Saudade 7º Oscar
35. Anastasia (1956) Anastásia, A
Princesa Esquecida
36. The King and I (1956) O Rei e
Eu 8º Oscar
37. South Pacific (1958) Ao Sul
do Pacífico
38. The Best of Everything (1959)
Sob o Signo do Sexo
39. The Diary of Anne Frank
(1959) O Diário de Anne Frank
40. Flower Drum Song (1961) Flor
de Lótus
41. How the West Was Won (1962) A
Conquista do Oeste
42. The Greatest Story Ever Told
(1965) A Maior História de Todos os Tempos
43. Camelot (1967) 9º Oscar
44. Airport (1970) Aeroporto

Filmografia de Alfred Newman, cortesia de
Internet Movie Database |