NOIVAS (Brides, Grécia, 2004)

Gênero: Drama

Duração: 128 min.

Elenco: Damian Lewis, Victoria Haralabidou, Andréa Ferréol, Evi Saoulidou, Dimitri Katalifos, Irini Iglesi, Evelina Papoulia, Steven Berkoff, Carolina Bikebits, Angeliki Karistinou, Liza Kouznetsova

Compositor: Stamatis Spanoudakis

Roteirista: Ioanna Karystiani

Diretor: Pantelis Voulgaris

E La Nave Va

Simpático drama grego de 2004, que apenas agora chegou ao Brasil, narra uma comovente história de amor proibido que se passa a bordo de um navio – e as semelhanças com Titanic param aí

Quando se pensa em um filme inteiramente situado a bordo de um navio, dos últimos dez anos para cá - e, provavelmente, por décadas e mais décadas - instintivamente lembramos do Titanic de James Cameron e seus 11 Oscars. Particularmente, não estamos entre os grandes admiradores do filme (nem entre os pequenos, tampouco), mas não se pode negar que ele tornou-se uma referência dos filmes que sobem a bordo antes de entrar em cena. Isso é um fato.

A História do Cinema, porém, é muito mais rica em filmes que situam sua narrativa no convés de um navio. Diretores como Hitchcock - em Um barco e nove destinos - e Fellini - em E la nave va – realizaram obras importantes de suas filmografias empregando tal ambientação. Até o cinema de aventura já teve momentos melhores que o filme de James Cameron, vide o clássico O destino do Poseidon, que Irwin Allen produziu e Ronald Neame dirigiu em 1972.

Produzido por Martin Scorsese, NOIVAS é uma simpática e encantadora realização que se insere na filmografia de esquadra: sem ambições maiores, o filme comove com sua simplicidade ao narrar a estória de um amor proibido entre uma noiva grega que, nos anos 20, embarca em um navio rumo à América para casar-se com um homem que sequer conhece e, subitamente, se apaixona a bordo.

Habilmente dirigido pelo ateniense Pantelis Voulgaris, NOIVAS acerta ao concentrar sua ação no drama íntimo de sua protagonista Niki - magnificamente interpretada por Victoria Haralabidou. Todo o resto do filme (que pode, a grosso modo mas não de modo grosseiro, ser resumido na cenografia do navio) é funcionalmente utilizado pelo diretor para ilustrar o sofrimento e as angústias daquela mulher dividida entre o amor inesperado e as conveniências que foi preparada para aceitar.

Niki não é a única noiva a bordo - na verdade, são centenas a bordo do SS King Alexander, todos indo encontrar/conhecer seus futuros maridos. Porém, graças a uma habilidade inata para a costura, é a única das noivas do filme a receber o direito de circular por todos os arredores do luxuoso navio que a transporta - a primeira classe, inclusive e principalmente. Um universo de luxo e beleza que passa despercebido perante seus olhos e seu coração, e que talvez seduzisse muitos diretores na busca da ambientação ideal para o filme. Mas que, graças à inteligência artística de Voulgaris, é corretamente menosprezado na realização; é como se o diretor quisesse perguntar: "Por que preocupar-me com tanta beleza, se o coração está feio por estar entristecido?".

Ao seguir essa opção, o cineasta demonstra haver descoberto não apenas a melhor forma, mas sim a forma ideal de contar a sua estória, e faz de NOIVAS um filme indiretamente narrado pelo olhar de sua sofrida protagonista, que habilmente despreza toda a opulência que há a seu redor por saber ser esta inferior a seus sentimentos e a responsável indireta pela impossibilidade de vivenciá-lo. Ao apresentar e desenvolver essa percepção, NOIVAS conquista os sentimentos de seu público com tanta intensidade que não deixa dúvidas que sua epopéia naval abraçou o íntimo e alcançou o universo.

Cotação:
Carlos Dunham
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