DOZE HOMENS E OUTRO SEGREDO (Ocean's Twelve, EUA, Austrália, 2004)
Gênero: Policial
Duração: 120 min.
Elenco: Brad Pitt, Catherine Zeta-Jones, George Clooney, Ed Kross, Julia Roberts, Don Tiffany, Anne Jacques, David Sontag, Matt Damon, Andy Garcia
Compositor: David Holmes
Roteiristas: George Clayton Johnson, Jack Golden Russell, George Nolfi
Diretor: Steven Soderbergh

Reunião de amigos

Continuação de Onze Homens e um Segredo diverte muito mais ao diretor Steven Soderbergh e seu elenco de amigos do que ao espectador

Steven Soderbergh é um cineasta que me passa emoções contraditórias. Adoro os filmes mais lentos dele, como OBSESSÃO (1995), O ESTRANHO (1999) e SOLARIS (2002), bem como a sua estréia na direção, SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE (1989). Mas às vezes ele parece afetado, quando resolve trabalhar com montagem rápida de videoclipe. Esse Soderbergh, o "videoclipeiro", às vezes me causa irritação. Em DOZE HOMENS E OUTRO SEGREDO (2004) ele consegue mostrar essas duas facetas. Embora a maior parte do filme seja cheia desses cortes rápidos, quando a câmera pára um pouco para mostrar os amantes Brad Pitt e Catherine Zeta-Jones é que se percebe que, por mais que o diretor cometa erros, ele tem intimidade com a câmera e conseguiu prestígio suficiente em Hollywood para fazer o que tem vontade. E dane-se se o filme é irregular ou mesmo ruim.

Diferentemente de ONZE HOMENS E UM SEGREDO, que tinha como base o filme original de 1960, este filme foi feito apenas para reunir os amigos. Mal comparando, seria como convidar os amigos para um churrasco para bater papo e tomar umas cervejas. Por mais que o churrasco esteja gostoso, é a companhia dos amigos o mais importante. Pena que essa reunião de amigos nem sempre seja agradável para o espectador. Isso porque Soderbergh enche o filme de subtramas e enrola a gente por exatas duas horas. Chegou uma hora no filme em que eu simplesmente desisti de entender toda aquela enrolação e fiquei prestando atenção apenas nos cortes, na fotografia, na música, na beleza de Catherine Zeta-Jones - ela que parece a personificação da felicidade mundana para o homem.

Quando o filme consegue passar para a tela a intimidade e o clima de brincadeira entre o elenco, ele se enche de graça. Como na cena em que George Clooney pergunta a uma pessoa quantos anos ela acha que ele tem, e ela responde que ele devia ter cinqüenta e poucos anos. Aliás, essa brincadeira parece ter partido de Brad Pitt nos bastidores, e o diretor a achou tão divertida que resolveu colocá-la nas telas (a propósito, conforme o IMDB Clooney tem 43 anos.). Outro momento bem interessante é na cena em que a personagem de Julia Roberts (Tess) engana toda a imprensa e os papparazzi, por causa de sua grande semelhança com a Julia Roberts, estrela de Hollywood. Uma brincadeira metalingüística bem divertida.

Não é difícil simpatizar com essa turma. Principalmente com os "mais astros" Brad Pitt e George Clooney, e com as mulheres Julia Roberts e Zeta-Jones. Essa última, por ter já trabalhado tanto com o diretor em TRAFFIC (2000), quanto com Clooney, em O AMOR CUSTA CARO, dos irmãos Coen, já parecia estar bem familiarizada com a gangue. Até Matt Damon, que no primeiro filme era bem apagado, nessa seqüência ficou bem mais à vontade.

O problema é que, além de ter que dar conta de uma trama mal amarrada e cheia de vai-e-vém no tempo, Soderbergh ainda tem que dar conta dos outros homens. Afinal, são doze agora. O restante da turma, como os personagens de Bernie Mac, Don Cheadle e do chinês Shaobo Qin, fica em segundo plano e a eles são relegados os piores momentos do filme. Andy Garcia continua sendo o cara antipático e sem graça do elenco.

Mas sabe o que eu mais gostei no filme? A seqüência inicial com Zeta-Jones e Brad Pitt, com a câmera congelando a imagem em Pitt pulando a janela, seguida pelos créditos iniciais ao som de uma versão em italiano de "Sentado à Beira do Caminho", de Roberto e Erasmo Carlos, interpretada pelo cantor Ornella Vanoni (a canção se chama "L'Appuntamento" - O Encontro). É por causa desses momentos de beleza plástica e sonora que essa continuação é superior ao filme original. Não é redondo e bem resolvido, mas os seus poucos grandes momentos superam tudo o que foi feito no primeiro filme.

Cotação:
Ailton Monteiro
FILME EM DESTAQUE