O ORFANATO (El Orfanato, México/Espanha, 2007)
Gênero: Terror
Duração: 100 min.
Elenco: Belén Rueda, Fernando Cayo, Geraldine Chaplin, Montserrat Carulla, Mabel Rivera, Andrés Gertrúdix, Roger Príncep, Carla Gordillo Alicia, Georgina Avellaneda, Alejandro Campos, Edgar Vivar
Compositor: Fernando Velázquez
Roteiristas: Sergio G. Sánchez
Diretor:
J.A. Bayon

Sobrenaturalmente hispânico

Filme do diretor estreante J. A. Bayon, produzido por Guilermo Del Toro, trata o gênero com uma abordagem que se baseia mais no clima opressor do que nos sustos

Apesar de poucos títulos chegarem aos cinemas nacionais, o cinema de horror espanhol tem crescido bastante nos últimos anos. A ponto de ter superado o cinema italiano, em quantidade e qualidade. O ORFANATO (2007) é um dos melhores exemplos de filmes do gênero vindos da terra de Buñuel. O filme tem o dedo do produtor Guillermo Del Toro, que realizou a obra-prima O LABIRINTO DO FAUNO e agora tem se dedicado mais a produzir filmes do que a dirigir. Dando uma olhada no IMDB, vi que ele será produtor dos próximos trabalhos dos colegas Rodrigo García, Alfonso Cuarón e Alejandro González Iñarritú. Como diretor, ele acabou de assinar contrato para dirigir O HOBBIT, que será produzido por Peter Jackson, e está finalizando HELLBOY II. Quer dizer, da turma hispânica que trabalhou em Hollywood, tudo indica que foi ele quem mais se destacou no mercado internacional, ainda que eu prefira seus trabalhos mais pessoais, falados em espanhol. Mas deixemos de enrolação e falemos de O ORFANATO. À primeira vista, vem à lembrança filmes como OS OUTROS e OS INOCENTES, cujos personagens mirins têm importância fundamental para a trama. Mas, diferente do filme de Jack Clayton, O ORFANATO não oferece dúvida quanto ao sobrenatural. Pelo menos, não quando o filme acaba, de forma até suave, na contramão dos filmes do gênero.

Já virou até lugar comum mostrarem crianças tendo a sensibilidade de ver os mortos, e talvez o maior desafio do diretor estreante em longa-metragem Juan Antonio Bayona - ou J.A. Bayona, como aparece nos créditos - seja o de utilizar os clichês do gênero de forma sutil, com uma cara diferente e sem abusar de sustos. Na verdade, quase não há sustos em O ORFANATO. É um filme que valoriza mais a construção do clima fantasmagórico, sem abrir mão do lado humano do drama da mãe (Belén Rueda, de MAR ADENTRO) que tem um filho adotado e que requer cuidados médicos constantes - o menino é portador do vírus HIV e precisa tomar pílulas para controlar a doença todos os dias. O menino, filho único do casal, freqüentemente fala de seus amigos "imaginários". Os pais acreditam que deve ser um problema normal e não desconfiam que esses amiguinhos são mesmo espíritos de crianças.

O prólogo já adianta o tom geral do filme, que mistura brincadeira de criança com um clima opressor, acentuado pela trilha sonora e pela maneira como a câmera é posicionada. E essa brincadeira mostrada no começo será reutilizada numa das cenas-chave do filme. Apesar de ter um sabor diferente dos filmes de terror americanos e japoneses, O ORFANATO mantém a tradição de valorizar o amor de mãe. Quem viu O BEBÊ DE ROSEMARY sabe que mesmo nas piores circunstâncias o amor materno segue fiel, podendo levar tanto ao sacrifício quanto à aceitação de situações, digamos, difíceis - para usar de eufemismo. Também não se deve esquecer de outra seqüência-chave do filme, que é a que envolve um especialista em paranormalidade (Edgar Vivar, o Seu Barriga do seriado CHAVES) e uma médium chamada para verificar a existência de espíritos hostis dentro da casa (a excelente Geraldine Chaplin).

Cotação:
Ailton Monteiro
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