A PAIXÃO DE CRISTO (The Passion of The Christ, EUA, 2004)
Gênero: Drama
Duração: 127 min.
Elenco: James Caviezel, Monica Bellucci, Claudia Gerini, Maia Morgenstern, Sergio Rubini, Toni Bertorelli, Roberto Bestazzoni, Francesco Cabras, Rosalinda Celentano
Compositor: John Debney
Roteiristas: Benedict Fitzgerald, Mel Gibson 
Diretor: Mel Gibson

Agonia... da platéia

Versão de Mel Gibson da agonia de Cristo é um show de horrores completamente desprovido de sentido

Antes de mais nada: sou ateu e conheço muito pouco das histórias da Bíblia. Porém, não nego que, como livro, ela tem um valor muito grande, no nível de outras importantíssimas obras de ficção existentes por aí. Então, a primeira decisão do Sr. Mel Gibson nessa adaptação da agonia de Cristo (retirada de um fragmento da Bíblia, com um daqueles nomes esquisitos que até hoje não sei o que significam!) já é completamente equivocada. Esse é um filme para quem já decorou o "Livro Sagrado" do início ao fim. Os personagens não têm nome, o que vemos ali é simplesmente uma seqüência de cenas de tortura, completamente descabidas, e ficamos boiando sobre o que era aquilo.

Separemos a Bíblia do filme. São artes diferentes, não? Li muito disso na época de O Senhor dos Anéis, e concordo. Mas não há nenhuma independência por aqui. Quem são aqueles personagens? Logo no início, um cara vai lá e fala um monte de coisas para Jesus. O que ele é? Lúcifer, suponho eu. Mas não tenho certeza, o filme não explica nada. Só fui saber que aquela mulher que passa o filme inteiro com Jesus era mãe dele com mais de uma hora de projeção...

Há uma tremenda estilização em todos os personagens presentes no filme: Jesus salva, é o "super tudo" (embora Jim Caviezel, desculpem o trocadilho, não atue bem nem com milagre), mas seus inimigos... Os apóstolos ficam com cara de bobos o filme inteiro, Herodes é um gordinho rebolante e desmunhecante, Pilatos é um babaca , todo mundo morre de medo de todo mundo... Tudo é contexto apenas para chicotadas, marteladas e muitos dólares.

Não existe o que podemos chamar de obra cinematográfica lá no meio (de novo isso?). É uma conjunção de cenas lotadas de violência gráfica, absolutamente sem personagens, sem vida. Não há Jesus, não há mensagem, há alguém apanhando "pra cacete", sendo crucificado, que pronuncia seis frases ao longo da projeção. Preciso dizer mais alguma coisa?

Só para terminar... é um show de horrores, e completamente desprovido de sentido. Pura palhaçada.

Cotação: *zero*
Carlos Massari
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