PIRATAS DO CARIBE: O BAÚ DA MORTE (Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest, EUA, 2006)
Gênero: Aventura
Duração: 145 min.
Elenco: Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley, Bill Nighy, Stellan Skarsgard, Jack Davenport, Kevin McNally, Naomie Harris, Jonathan Pryce, Mackenzie Crook, Tom Hollander, Lee Arenberg
Compositor: Hans Zimmer
Roteiristas: Ted Elliott, Terry Rossio
Diretor: Gore Verbinski

Piratas de bilheteria

Segundo filme da franquia baseada em parque temático da Disney não passa de um longo amontoado de situações barulhentas

Eu me considero um cinéfilo bastante aberto a todos os gêneros e estilos de filmes. Gosto dos filmes do verão americano, dos blockbusters, do cinema como grande evento, ainda que em grande parte das vezes eles filmes funcionem como mera diversão descartável. Alguns filmes, porém, embora eu veja tanta gente elogiando, só me causam sono e desinteresse. PIRATAS DO CARIBE: O BAÚ DA MORTE (2006), assim como o seu antecessor de 2003, é um exemplo típico. Não dá para dizer que eu sinto desprezo pelo filme, pois eu me dei ao trabalho de sair de casa e de comprar um ingresso para assisti-lo, mas é um sentimento que se aproxima disso.

A melhor seqüência, na verdade a única que realmente me entreteve, é aquela dos piratas sendo capturados por uma tribo canibal. Foi quando eu percebi o grande potencial de Gore Verbinski para filmes que se assemelham a desenhos animados. O que me lembrou de UM RATINHO ENCRENQUEIRO (1997), filme infanto-juvenil que o cineasta dirigiu no início da carreira e antes do sucesso de O CHAMADO (2002). Dizem que o filme é bem divertido, e deve ser mesmo. Verbinski é um bom diretor, mas virou um pau mandado de Jerry Bruckheimer, produtor que se especializou em diversão escapista e acéfala. Vejam só: não estou pedindo um blockbuster intelectual ou coisa do tipo: o que eu queria era pelo menos uma história que fizesse sentido, e não um amontoado de situações onde o mais importante são os efeitos especiais e o enorme barulho que o filme promove durante sua interminável metragem (quase duas horas e meia!), capaz de atrapalhar até mesmo o sujeito que está assistindo a um filme mais calminho na sala ao lado.

Outra coisa que me incomoda é ver um dos melhores atores da geração anos 1990 - Johnny Depp - envolvido com essa trupe. Depp foi sugado pelo "lado negro" de Hollywood. Não resistiu aos milhões na conta bancária, ao apelo popular, à indicação ao Oscar. Uma pena, mas dá para entender. Tem certas coisas que são mesmo difíceis de resistir. Dinheiro é uma delas. Mas sabe qual o maior problema disso tudo? É que o filme está fazendo um sucesso estrondoso. É, até o momento, a maior bilheteria de 2006, tendo ultrapassado títulos muito melhores como
X-Men 3: O Confronto Final e
Superman - O Retorno. Mas e daí que o filme está rendendo horrores? Daí que os executivos de Hollywood cada vez mais vão pensar que o público é idiota, que ninguém está nem aí para uma boa estória, para uma direção decente, para um pouco mais de sensibilidade.

A impressão que eu tenho, vendo um filme como esse, é que o bom cinema está cada vez mais restrito a salinhas minúsculas, sendo cada vez mais achatado por esses monstros. Enquanto isso, A DAMA NA ÁGUA, do M. Night Shyamalan, está recebendo péssimas críticas e uma bilheteria que ainda não conseguiu se pagar. O principal motivo para o fracasso do filme do Shyamalan tem sido o boca-a-boca negativo. Quer dizer que todo mundo está espalhando que esse filme dos Piratas é um filmaço, então? Não dá pra entender.

Cotação:
Ailton Monteiro
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