Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra (The Pirates of the Caribbean: Curse of the Black Pearl, EUA, 2003)
Gênero: Aventura
Duração: 143 min.
Estúdio: Disney
Elenco: Johnny Depp, Geoffrey Rush, Orlando Bloom, Keira Knightley, Jack Davenport, Jonathan Pryce, Lee Arenberg, Mackenzie Crook
Compositores: Klaus Badelt, vários
Roteiristas: Ted Elliott, Terry Rossio, Jay Wolpert
Diretor: Gore Verbinski

Papagaio de Pirata

A Disney leva às telas atração de parque temático, em filme que já é uma das maiores bilheterias do ano

Com sérias chances de ser a segunda maior bilheteria do verão americano (atrás apenas de PROCURANDO NEMO, na frente até mesmo de MATRIX RELOADED), PIRATAS DO CARIBE chega aos cinemas brasileiros com fama de grande diversão. Porém, é impossível deixar de dizer que, além de méritos, possui falhas. A principal é a direção de Gore Verbinski (O CHAMADO), como sempre burocrática e esquematizada. O filme acaba seguindo à regra tudo que os blockbusters hollywoodianos devem ter - não apenas na construção corriqueira dos personagens, onde vemos mocinho, mocinha, vilão, etc., como também na formação dos acontecimentos. 

Quem assistiu a LISBELA E O PRISIONEIRO, de Guel Arraes, pôde notar as constantes semelhanças da trama do filme de Verbinski com o filme B assistido por Lisbela. Até mesmo o final é idêntico, o que comprova o apelo unicamente comercial que o filme possui. Isso fica ainda mais flagrante pelo próprio fato de PIRATAS DO CARIBE, em sua proposta de resgatar o gênero "filme-de-pirata" (missão na qual já fracassaram Roman Polanski e Renny Harlin) já nasceu de maneira duvidosa: é baseado na conhecida atração de um parque temático da Disney.

O filme é sobre o pirata Jack Sparrow (Johnny Depp), que é largado em uma ilha deserta por seus ex-comandados, liderados por Barbossa (Geoffrey Rush) e parte em busca de vingança. Descobre então que seus perseguidos, a bordo do navio "Black Pearl" (o Pérola Negra do título), foram vítimas de uma tremenda maldição que os transformou em fantasmas, fazendo com que necessitem do sangue do possuidor da última medalha de ouro asteca, de um tesouro que roubaram. Quem possui essa medalha é a jovem Elizabeth (Keira Knightley), filha do governador de Port Royal (Jonathan Pryce) e paixão do ferreiro Turner (Orlando Bloom). Elizabeth acaba sendo raptada por Barbossa, e Sparrow se une a Turner para recuperar o Pérola Negra e resgatar Elizabeth. 

Como se percebe, é uma trama envolvente, ainda que longa demais. É nela que estão alguns dos méritos de PIRATAS DO CARIBE - que por mais que seja um representante típico do cinema descartável hollywoodiano (foi produzido pelo criador de blockbusters descerebrados, Jerry Bruckheimer), tenta recriar o clima das antigas produções de piratas, e com isso, consegue divertir.

Outro mérito vai para o elenco, que segura o rojão. Johnny Depp, impagável como Jack Sparrow, tem uma grande interpretação. Orlando Bloom (o Legolas da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS), um pouco apático, acaba ofuscado pela presença da belíssima Keira Knightley, uma das maiores promessas da nova geração de atrizes. E Geoffrey Rush, com sua habitual competência, faz um bom vilão. Além disso, o filme também conta com uma produção esmerada, o que se constata principalmente na construção de época e na trilha original. Esta, de autoria (?) de Klaus Badelt, que teve uma mãozinha de oito colegas da empresa Media Ventures, de Hans Zimmer (pelo jeito, ficou faltando apenas o próprio). Detalhe: o tarimbado Alan Silvestri compôs uma partitura original para este filme, que acabou rejeitada (em muitos cartazes, inclusive, o nome de Silvestri permaneceu).

Ao final, PIRATAS DO CARIBE é um filme muito melhor de se assistir do que de comentar. Pode não parecer mas diverte, e isso ainda vale um ingresso e um saco de pipoca.

Cotação:
Carlos Massari
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