PLANETA DOS MACACOS (Planet of The Apes, EUA, 2001)
Gênero
: Ficção Científica
Estúdio: Fox
Duração: 119 min
Compositor: Danny Elfman
Elenco: Mark Wahlberg, Tim Roth, Helena Bonham Carter, Michael Clarke Duncan, Cary-Hiroyuki Tagawa, David Warner, Kris Kristofferson
Roteirista: William Broyles Jr. 
Diretor: Tim Burton

Não dava mesmo para esperar muito dessa nova versão do livro clássico da ficção científica de Pierre Boulle, ainda mais sob a batuta de Tim Burton (BATMAN), diretor que via de regra arruína seus filmes ao injetar altas doses de histeria e bizarrices fora de hora, apenas para tentar "parecer diferente" e chocar a platéia. E seu PLANETA DOS MACACOS não é exceção. Errou portanto quem disse que o filme não tem a sua marca pessoal. Pelo contrário, está tudo lá: o visual desnecessariamente dark e pesado, a falta de lógica do roteiro, a trilha sonora medíocre e bombástica do amador Danny Elfman (seu colaborador habitual) e, como não poderia deixar de ser, uma péssima direção de atores. Nem Tim Roth, geralmente competente, consegue sair ileso, perdendo-se em uma atuação histérica e irritante como o estúpido general Thade - bateu o recorde em fazer cara de malvado e grunhir para a câmera!

Além disso, o filme tem um visual feio onde nem mesmo a maquiagem do especialista Rick Baker convence, já que os atores ficaram mais parecidos com orcs do que com macacos (o pior é o senador feito por David Warner). Também são risíveis as caracterizações dos humanos que vestem-se com roupas de homens da caverna iguais àquelas que a gente usa em festas a fantasia, mas têm o cabelo penteado e as mulheres usam até batom! E para piorar, ainda conseguem raciocinar e falar, portanto sua submissão aos macacos não se justifica. 

O filme já começa mal, mostrando de forma apressada e ilógica um piloto espacial (feito pelo inexpressivo e antipático Mark Wahlberg, totalmente errado para o papel) roubando uma nave para resgatar um chimpanzé desaparecido em "tempestade magnética" que também o envolve e o joga para o futuro (ou seria para outra dimensão?), até ele se espatifar em um planeta dominado por macacos falantes. Daí pra frente o filme descamba para a comédia involuntária, com os personagens correndo de um lado para o outro em situações que beiram o ridículo e lembram mais OS TRAPALHÕES NA GUERRA DOS PLANETAS do que qualquer outra coisa. Não existe a menor preocupação por parte do diretor em criar suspense ou mesmo dar alguma lógica ao que se vê na tela. Pelo contrário, tudo é resolvido de maneira rápida e apressada, embora a parte final (excessivamente violenta) se arraste dando a impressão de que o filme nunca vai acabar. 

Mas pior mesmo é a conclusão, que não tem o menor sentido e com certeza foi inventada na última hora para deixar a platéia confusa e, dessa forma, tentar tirar a atenção de um fato inegável: o filme é ruim de doer! E dessa vez Tim Burton nem pode dar a desculpa de ter trabalhado com um material ruim, já que a mesma história em mãos mais competentes rendeu o excepcional filme de 1968, dirigido com maestria por Franklin Schaffner. Melhor revê-lo e esquecer essa refilmagem grotesca e infeliz. 

Cotação: *

André Lux

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