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Polanski: As Várias Faces do "Homenzinho" de Várias Vidas Paulo Vasconcellos
Polanski, vencedor do Oscar de melhor diretor por "O Pianista", veio a convite do Sesc SP e Ursula Groska Produções, para Mostra Roman Polanski, que aconteceu em São Paulo e Santo André, de 19 a 25 de março de 2004. Um tanto evasivo, o cineasta de origem polonesa, nascido em Paris, pouco pôde se entusiasmar com as perguntas que lhe eram feitas. Chegaram até a insistir sobre o que ele achava do futebol brasileiro. Um fã-clube lhe presenteou com uma camisa da Seleção Brasileira, a qual ele aceitou e vestiu gentilmente, sem nem mesmo saber direito do que se tratava. Salvo algumas poucas perguntas realmente pertinentes à carreira e processo criativo do diretor, Polanski falou sobre a sua tênue ligação com o judaísmo, assunto pelo qual não nutre tanto interesse. O que lhe interessa é contar histórias sobre a humanidade. Ou ainda, o que lhe é mais estimulador, o momento que vive. Exemplificou dizendo que está curtindo muito o filho pequeno, e que seu próximo projeto será sobre crianças: Oliver Twist. Indagado sobre o que representava pra ele fazer cinema, Polanski respondeu serenamente que é como fazer tudo na vida: a busca da satisfação. Salientou, porém, que nada de grande se faz sem paixão. Disse também não renegar seus filmes, exceto alguns curtas exibidos na Mostra, os quais pediu para ninguém assistir.
Questionado sobre a representação do mal em seus filmes, e o que ele achava do mal em si, respondeu curto e grosso que não acha nada, pois é só um diretor de cinema, não um filósofo. Talvez aí, quem sabe, Polanski estivesse demonstrando impaciência com as perguntas, cansaço ou apenas preguiça em responder. Pois o cerne de qualquer obra de arte, ainda mais àquelas que contam histórias, tem, e muito, uma conotação filosófica. Mesmo obras menores que remetem à filosofice. Entretanto, sentenciou sobre o tema dizendo-se crente no altruísmo, imaginando o ser humano essencialmente bom. Polanski confirmou minhas suspeitas sobre a ressurreição do homem. Nem as 7 vidas de um gato se equiparam à sua persistência. Qual animal da terra sobreviveria ao Gueto de Varsóvia, a um colégio católico, à viuvez de Sharon Tate, aos encantos de Nastassja Kinski, e, finalmente, à loucura que esta trajetória poderia suscitar? E como ele mesmo disse na coletiva, quando lhe perguntaram o que diria para os jovens diretores: "A força motriz desta profissão é a perseverança". E o que ele lamenta é que, muitas vezes, e infelizmente, a perseverança vence o talento. O que nós não lamentamos é que essas mesmas duas caraterísticas, inerentes ao próprio Polanski, continuam digladiando entre si, dentro dele, fazendo surgir, de tempos em tempos, o que de melhor ele pode nos oferecer: seus filmes. Filmografia de Roman Polanski, cortesia de Internet Movie Database. |