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O EXPRESSO POLAR (The
Polar Express, EUA, 2004)
Gênero: Aventura
Duração: 99 min.
Elenco: Andrew Ableson, Debbie Lee Carrington, Tom
Hanks, Jimmy 'Jax' Pinchak, Eddie Deezen, Josh Hutcherson, Chantel
Valdivieso, Michael Jeter
Compositor:
Alan Silvestri
Roteiristas: Chris Van
Allsburg, Robert Zemeckis, William Broyles Jr.
Diretor: Robert Zemeckis
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Natal digital
Com personagens ainda longe de serem
foto-realistas, filme de natal de Robert Zemeckis nada mais é que um bom desenho
animado
Na sexta-feira,
ao sair do trabalho ainda meio em dúvida se via O EXPRESSO POLAR ou
SOB O DOMÍNIO DO MAL,
optei por ver o primeiro, de preferência numa cópia legendada. Assim, com base
na informação do roteiro cultural do jornal, fui lá para o Shopping Aldeota,
mesmo sabendo que as salas de lá estão com um probleminha no som. O ruim foi
que, ao chegar lá, soube que a cópia exibida era dublada. Quase desisti, mas
como ia ficar complicado me locomover até o Iguatemi, resolvi ver lá mesmo. Não
sou fã de Tom Hanks mesmo, não faço questão de ouvir sua voz e, além do mais, a
dublagem está bem boa.
Mais do que um protegido do Spielberg, Robert Zemeckis é um grande diretor. Ele
foi o homem que dirigiu a trilogia DE VOLTA PARA O FUTURO (1985, 1989, 1990) e,
fora isso, é possível enumerar vários ótimos momentos de sua filmografia, como:
1) as meninas tentando chegar no apartamento dos Beatles em FEBRE DE JUVENTUDE
(1978); 2) a gostosa Jessica Rabbit em UMA CILADA PARA ROGER RABBIT (1988); 3) o
humor negro perturbador de A MORTE LHE CAI BEM (1992); 4) o mistério e a
espiritualidade de CONTATO (1997); 5) Michelle Pffeifer chegando no banheiro e
sentindo uma presença "estranha" em REVELAÇÃO (2000); 6) o acidente de avião em
NÁUFRAGO (2000). Digam o que disserem, o homem é fera, e apesar de não ser tão
bom quanto o Spielberg, acabou cometendo menos erros que ele.
Este seu O EXPRESSO POLAR (2004) é o tipo de filme em que se deve considerar
mais a forma que o conteúdo. Digo isso, não no intuito de menosprezá-lo (há
grandes filmes que são pura forma). É que quem acha esse negócio de Papai Noel
uma palhaçada para fazer os pais gastarem dinheiro com presentes nas lojas e
ser, ainda por cima, uma tradição totalmente desvinculada da realidade
brasileira - país tropical, Hemisfério Sul, em dezembro é verão, a neve passa
longe daqui, etc. - pode simplesmente curtir o filme pelas imagens, pela boa
direção de Zemeckis, pelo ritmo de montanha-russa de alguns momentos.
O EXPRESSO POLAR funciona melhor pela beleza da animação. Reclama-se que os
movimentos ainda parecem meio artificiais, mas isso não me incomodou nem um
pouco. É verdade que o trabalho que a equipe de Peter Jackson fez com o Gollum
na trilogia O SENHOR DOS ANÉIS ficou muito mais realista, mas Jackson tinha uma
obrigação muito maior, já que estava fazendo um trabalho com atores de carne e
osso e o Gollum não podia ficar parecendo desenho animado no filme. Não é o caso
deste filme de Zemeckis, que por mais que tentem me convencer que não é, para
mim vai continuar sendo um desenho animado. Através dessa técnica - a
performance capture -, Tom Hanks "interpreta" quatro ou cinco personagens no
filme, mas o único que ainda lembra suas feições é o homem do trem.
Talvez a cena mais impressionante do filme seja a cena do bilhete voando da mão
do menino, que remete à cena da folha em FORREST GUMP (1994). Tão viajante
quanto aquela cena de CONTATO (1997), em que passeamos do planeta Terra até a
Via Láctea. Pena que na hora em que o menino chega no Pólo Norte, na casa do
Papai Noel, o filme cai no ritmo e cai também na lengalenga da mensagem de
Natal. Sem falar que o visual começa a ficar mais parecido com comercial da
Coca-Cola. Mas isso são contras que, botando na balança, perdem para as
qualidades do filme.
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