Recordar é Viver

Os rappers do Three 6 Mafia levaram o Oscar®. Eminem já tinha levado o seu

Kevin Kline como Cole Porter, na recente cine-bio DeLovely

Desde que entramos no novo milênio, o Oscar® já concedeu a estatueta de melhor canção original do cinema duas vezes a um rap. Sinal dos tempos? Sem dúvida, a música popular mudou muito nos últimos cinqüenta anos e a Academia, goste-se ou não desse ou daquele gênero, tem se mostrado esforçada em fazer opções menos conservadoras, reconhecendo expressivas vertentes do cenário musical contemporâneo. E que cenário é esse? Nos Estados Unidos, um cenário bastante diferente daquele que o mundo (inclusive o Brasil, dono de uma das mais exuberantes culturas musicais do planeta) aprendeu a amar, fosse nos filmes de Fred Astaire, fosse nos discos de Frank Sinatra.


Mas isso, felizmente, não quer dizer que a canção americana clássica, nascida quase sempre nos palcos da Broadway ou estúdios de Hollywood durante os anos 20, 30 e 40, tenha desaparecido. E nem poderia, pois é um dos mais belos legados artísticos, de qualidade e força emotiva impossíveis de ignorar. Além dos nostálgicos “de carteirinha”, como o especialista Michael Feinstein e a jazzista Diana Krall, vários cantores e cantoras jovens como Jane Monheit, Jamie Cullum e Michael Buble estão gravando a obra de lendas como Richard Rodgers, Jerome Kern, Irving Berlin e Cole Porter, este muito bem defendido por Alanis Morissette, Sheryl Crow, Robbie Williams e Elvis Costello na recente cinebiografia DeLovely (2004).

E o que dizer do sucesso da série The Great American Songbook de Rod Stewart, o roqueiro cuja carreira ganhou novo e sensacional impulso quando ele se rendeu ao ultra-romantismo de “It Had to Be You” (1924)” ou “S’Wonderful” (1927)? Esta, vale lembrar, foi escrita pelos irmãos George e Ira Gershwin para o show Funny Face e, depois, deliciosamente encenada por Gene Kelly e Georges Guetary em Sinfonia de Paris (1951), musical ganhador do Oscar. E não nos esqueçamos que Caetano Veloso também prestou seu tributo aos cancionistas americanos do passado no disco A Foreign Sound (2004), no qual relembra, por exemplo, duas jóias de Harry Warren: “I Only Have Eyes for You”, do filme Dames (1934), com letra de Al Dubin, e “There Will Never Be Another You”, do filme Iceland (1942), com letra de Mack Gordon.

Enfim, canções geniais como essas não envelhecem. Seja na vitrola ou no ipod, proporcionaram e continuam proporcionando uma sensação indescritivelmente prazerosa aos ouvidos e à alma.

Fábio Massaine Scrivano

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