VÔO NOTURNO (Red Eye, EUA, 2005)
Gênero: Suspense
Duração: 85 min.
Elenco: Rachel McAdams, Cillian Murphy, Brian Cox, Tina Anderson, Guy Chapman, Noelle Drake, Tom Elkins, Kyle Gallner
Compositor: Marco Beltrami
Roteirista: Carl Ellsworth
Diretor: Wes Craven

Curto e satisfatório

O especialista em terror Wes Craven, após filme desastroso, decide não inventar neste eficaz filme de suspense

Wes Craven tornou-se um diretor cult após dirigir em 1977 QUADRILHA DE SÁDICOS, um filme na linha da versão original de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (1974). Nos anos 80 passou a ganhar dinheiro com A HORA DO PESADELO (1984) e suas continuações, e quando o filão de Freddy Krueger se esgotou ele emplacou outra série de sucesso, iniciada com PÂNICO (1996). O fato é que, ao longo de sua carreira, Craven mostrou ser um diretor irregular, o que pode ser facilmente comprovado pelo recente e desastroso AMALDIÇOADOS (2005).

Agora, Craven retorna com um filme mais satisfatório. VÔO NOTURNO (2005) é um suspense curtinho mas bem tenso e eficaz, sobre uma moça que trabalha como atendente de um hotel - Rachel McAdams, que também está nas telas em PENETRAS BONS DE BICO (2005) - que é ameaçada pelo terrorista interpretado por Cillian Murphy. Ele a chantageia com a ameaça de matar o seu pai, para que ela o ajude a assassinar um importante político que está hospedado em seu hotel.

A maior parte do filme se passa no interior do avião. O início, com Murphy abordando "acidentalmente" a gentil moça, até poderia ser confundido com uma comédia romântica, mas o fato é que Craven não tem a menor sensibilidade para conduzir um filme deste tipo. Além do mais Murphy, hoje mais conhecido como o perturbador vilão Espantalho de BATMAN BEGINS (2005), tem o rosto muito estranho para ganhar nossa simpatia.

Em certo momento do filme, a lembrança do episódio piloto da série de TV LOST é inevitável. Há também alguma semelhança com PREMONIÇÃO (2000), principalmente nos momentos em que a câmera passeia pela aeronave, mostrando os poucos coadjuvantes que irão, de alguma maneira, fazer parte da trama. Há quem reclame do último ato do filme, que lembra muito a série PÂNICO, com o assassino correndo com uma faca na mão e a heroína fugindo feito louca. Mas eu gostei assim mesmo, especialmente por conta das cordas vocais do vilão.

É engraçado notar que hoje em dia não se fazem mais scream queens como antigamente. As de hoje, provavelmente sofrendo da síndrome “Ellen Ripley/Sarah Connor”, são muito mais fortes e menos frágeis - como também se pode ver na nova versão de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, com a gostosíssima Jessica Biel arrancando o braço do "cara-de-couro".

Cotação:
Ailton Monteiro
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