REI ARTHUR (King Arthur, EUA, 2004)
Gênero: Aventura
Duração
: 126 min.
Elenco: Clive Owen, Ioan Gruffudd, Mads Mikkelsen, Joel Edgerton, Hugh Dancy, Ray Winstone, Ray Stevenson, Keira Knightley, Stephen Dillane
Compositor: Hans Zimmer
Roteirista: David Franzoni
Diretor: Antoine Fuqua

Faltou a Madame Min

Filme de Antoine Fuqua é mais uma versão da lenda do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, porém totalmente destituída do misticismo e fantasia das anteriores

A literatura e o cinema já contaram a lenda do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda inúmeras vezes. E dentre todas essas versões (das que eu conheço, pelo menos), a minha predileta é... não, não é Excalibur, dirigido por John Boorman em 1981, mas sim A Espada Era a Lei, o desenho animado da Disney de 1963. O hilário duelo de magias entre Merlin e a Madame Min ficou para sempre gravado na minha então influenciável mente infantil!

Portanto, nada mais distante do mundo de espadas mágicas, dos magos e seus feitiços, do que esse filme dirigido por Antoine Fuqua (do ótimo DIA DE TREINAMENTO). REI ARTHUR segue a mesma linha de TRÓIA, ou seja, procura contar uma trama mitológica ou lendária baseado em fatos levantados por historiadores. Assim como realmente existiu uma cidade de Tróia e, ao que parece, seu longo cerco por parte dos gregos, pelo jeito houve mesmo um Rei Arthur, mas ele pouco em comum teria com o personagem da lenda tão apreciada nos países de língua inglesa.  

Pelo que vemos no novo filme, Arthur (Clive Owen) era Artorius Castus, comandante de um grupo de bravos cavaleiros bretões que serviam ao Império Romano na Bretanha, no ano 300 D.C. Antes de serem dispensados de seus deveres, Roma dá a Arthur e seus cavaleiros uma última e perigosa missão: resgatar uma importante família romana, cujas terras estavam no caminho do exército invasor saxão. Após a difícil missão, na qual conheceu a bela bretã Guinevere (Keira Knightley), Arthur, ao invés de partir, decide permanecer e proteger a Bretanha contra os saxões, com a ajuda da tribo de bretões chefiada pelo feiticeiro Merlin (Stephen Dillane). Antes do início da grande batalha, seus cavaleiros voltam para lutar ao seu lado pela última vez.

Visto unicamente como uma aventura épica, REI ARTHUR pode agradar. O filme tem um bom elenco, eminentemente britânico, fotografia caprichada, bons efeitos especiais e uma trilha funcional de Hans Zimmer - melodiosa ou retumbante nas horas certas, e que ajuda a estabelecer uma certa semelhança deste filme com GLADIADOR e O ÚLTIMO SAMURAI (que também tiveram trilhas compostas por ele). Além disso, o diretor Antoine Fuqua sai-se razoavelmente bem em sua estréia no gênero. Ao contrário do que se poderia esperar, o filme não tem muitas cenas de batalha (e mesmo nelas a violência é atenuada), mas as que vemos são bem conduzidas por Fuqua, que consegue até inovar - nunca havia visto um combate sobre gelo fino neste tipo de produção.

Já para os que cultuam as versões mais tradicionais da lenda, o filme talvez decepcione. Os personagens estão todos lá, a espada Excalibur também, idem a Távola Redonda, mas tudo na "visão histórica" proposta pelo filme. Agora, fazer de Merlin um mero líder tribal, e Guinevere uma mulher guerreira, para mim tira muito da graça da história. E a propósito, o triângulo amoroso dela com Arthur e Lancelot (Ioan Gruffudd) simplesmente não existe. No máximo, há uma troca de olhares entre a moça e o melhor amigo de Arthur - ou seja, além da violência, também o sexo foi minimizado, reduzido apenas a uma breve seqüência entre Arthur e Guinevere. 

De qualquer modo, parece que o nível das produções de Jerry Bruckheimer anda melhorando. Depois de PIRATAS DO CARIBE, ele traz mais um exemplar do cinemão que tem um pouco mais do que efeitos especiais e ação desenfreada. Podia ser melhor? Certamente que sim, mas se conseguir esquecer as lendas e a tal "veracidade histórica", REI ARTHUR poderá ser uma boa diversão para toda a família - mesmo com a ausência da Madame Min.

Cotação:
Jorge Saldanha
FILME EM DESTAQUE