O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (The Lord of the Rings: The Return of the King, EUA, Nova Zelândia, 2003)
Gênero: Aventura, Fantasia
Duração: 201 min.
Estúdio: New Line/Warner
Elenco: Elijah Wood, Sean Astin, Dominic Monaghan, Billy Boyd, Ian McKellen, Ian Holm, Viggo Mortensen, Orlando Bloom
Compositor: Howard Shore
Roteiristas: Philippa Boyens, Peter Jackson, Stephen Sinclair 
Diretor: Peter Jackson

E fez-se História

Peter Jackson fechou com chave de ouro a trilogia cinematográfica do Anel, que mesmo sem igualar-se à obra original de Tolkien, desde já ocupa lugar de honra na história do cinema mundial

Para início de conversa, vou logo confessando: sou fã incondicional da obra de Tolkien e, como tal, simplesmente adorei toda a trilogia de Peter Jackson tão logo assisti aos primeiros minutos de A Sociedade do Anel. Isso mesmo que você acabou de ler: adorei a trilogia INTEIRA por antecipação. Decerto que senti falta de alguns pedaços da história, o que é natural, já que em qualquer adaptação literária alguns trechos têm de ser suprimidos ou modificados para que, no todo, o filme funcione mais a contento. Talvez quem não leu Tolkien tenha passado por cima de algumas passagens do filme sem entender alguns detalhes sutis, lacunas facilmente preenchidas por quem já o tenha lido. Em todas as ocasiões – inclusive nas versões estendidas de A Sociedade do Anel e As Duas Torres – fui ao cinema com curiosidade em conferir as soluções para passagens do livro que pareciam impossíveis de serem transpostas para a telona... nesse sentido, a trilogia é nada menos que soberba, e ainda mais o são as versões estendidas.

A quem gostou dos filmes, recomendo vencer a natural preguiça de ler os livros - ao mesmo tempo uma leitura fascinante (por ter sido muitíssimo bem escrita) e árdua (pela extensão e apego a detalhes do escritor - o universo criado por Tolkien é um tanto hermético, minucioso e preciosista, e a disposição de estudá-lo pode trazer uma relativa abrangência da obra)... infelizmente, talvez não sejam muitos os que terão a disposição e o tempo necessários a isto, mas o prazer proporcionado compensa, quem o experimentou sabe do que estou falando.

Especificamente quanto a O Retorno do Rei, foi uma experiência memorável. Houve apenas um ponto do filme que destoou, beirando o ridículo: a queda de Sauron, com aquele olho agonizante... antes tivesse explodido logo, em vez de ficar com aqueles tremeliques como se estivesse tendo um faniquito. Sendo fã confessa de Tolkien, talvez esteja sendo um tanto exigente com os cortes na história original, que, em minha opinião, foram por vezes, excessivos (eis uma questão mercadológica: sou capaz de apostar que algumas cenas esclarecedoras aparecerão numa futura versão do diretor). Senti falta de vários pontos críticos da trama, citando apenas alguns:

1- O embate (via palantír) entre Aragorn e Sauron;
2- A evolução da loucura de Denethor;
3- Uma explicação ao público da razão pela qual Éowyn, com a ajuda de Merry, foi a única pessoa capaz de matar o Capitão dos Nâzgul (cadê a profecia?);
4- O romance entre Faramir e Éowyn;
5- O destino de Saruman e Gríma;
6- O expurgo do Condado.

A admirável trilogia de Jackson tornou O Senhor dos Anéis mais acessível ao grande público (principalmente nas versões estendidas), e tenho o palpite de que, mesmo com umas poucas falhas, o resultado passará à história do cinema como uma obra-prima. Com o desejo que o estilo de Peter Jackson faça escola, encerro meus comentários afirmando que valeu a pena - e muito! - todo o esforço de transpor Tolkien para as telas.

Cotação:
Jaqueline Tergolina
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