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A BATALHA DE RIDDICK
(The Chronicles of Riddick, EUA, 2004)
Gênero: Ficção Científica
Duração: 115 min.
Elenco: Vin Diesel, Colm Feore, Thandie Newton, Judi Dench, Karl
Urban, Alexa Davalos, Linus Roache, Yorick van Wageningen
Compositor: Graeme Revell
Roteiristas: Jim Wheat, Ken Wheat, David Twohy
Diretor: David Twohy
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Riddick assimilado
Esta continuação do ótimo ECLIPSE MORTAL
ganha um orçamento quase quatro vezes maior que o do filme original mas carece,
na mesma proporção, de sua criatividade
David Twohy, que nos
anos 90 já fora reponsável por um filme de ficção científica no mínimo
interessante (A INVASÃO), dirigiu em 2000 o sucesso inesperado ECLIPSE MORTAL.
Contando à época com um orçamento por volta de US$ 30 milhões, Twohy narrou a
história do grupo de sobreviventes da queda de uma nave espacial que, em um
planeta que só conhece a noite a cada 22 anos, deve enfrentar uma horda de
criaturas carnívoras que só saem na escuridão. A única esperança do grupo é o
assassino condenado Riddick (Vin Diesel), que possui a visão modificada para
enxergar no escuro.
Com orçamento reduzido para os padrões de Hollywood, e mesmo remetendo aos
filmes da série ALIEN em alguns momentos, Twohy narrou sua história de
sobrevivência com estilo, criatividade e uma boa caracterização dos personagens,
fazendo de Riddick um dos melhores anti-heróis do cinema e abrindo caminho para
que o "brucutu" Diesel estrelasse filmes de ação como VELOZES E FURIOSOS e
TRIPLO X. Para a Universal, que então viu a oportunidade de iniciar uma nova e
lucrativa franquia, a seqüência das aventuras de Riddick tornou-se apenas
questão de tempo. Finalmente a primeira continuação chegou às telas com este
ambicioso A BATALHA DE RIDDICK, que teve um orçamento quase quatro vezes maior
e, na mesma proporção, apenas 1/4 da criatividade de ECLIPSE MORTAL.
Com mais de US$ 100 milhões na mão, Twohy não resistiu à tentação e realizou uma
versão dark de GUERRA NAS ESTRELAS. Nela descobrimos que Riddick é o
último sobrevivente da única raça capaz de enfrentar os exércitos dos
Necromongers, que sob a liderança de um tal Lorde Supremo (o inexpressivo Colm
Feore, usando indumentárias ridículas), a exemplo dos Borgs de JORNADA NAS
ESTRELAS, invadem os planetas para assimilar seus habitantes e destruir os que
não se subjugarem. Riddick, em meio a confrontos com Necromongers e caçadores de
recompensa, ainda tem de resgatar a garota Jack (a novata Alexa Davalos), que
sobreviveu aos monstros de ECLIPSE MORTAL, de um planeta-prisão de segurança
máxima.
O filme indiscutivelmente tem ótimos efeitos visuais e movimentadas cenas de
ação, mas a transposição de Riddick para um ambiente épico de batalhas espaciais
custou caro ao personagem. De um indivíduo que genuinamente transmitia uma
sensação de dubiedade e ameaça, em A BATALHA DE RIDDICK ele foi reduzido
(assimilado?) à condição de mais um herói capaz de derrotar, sozinho, exércitos
de inimigos - uma espécie de Rambo espacial.
Se ECLIPSE MORTAL era um preciso e original exercício de suspense e tensão, A
BATALHA DE RIDDICK é tão somente outra aventura espacial repleta de clichês do
gênero, com elementos retirados de um sem número de produções, que além das mais
óbvias e já citadas também incluem DUNA, CONAN e até mesmo FINAL FANTASY. Isso
sem falar no desperdício da grande atriz inglesa Judi Dench, no papel de uma
feiticeira que pouco tem o que fazer em cena. E Tandy Newton, de MISSÃO
IMPOSSÍVEL 2, está péssima como a esposa do comandante Necromonger Vaako (Karl
Urban, o Éomer de O SENHOR DOS ANÉIS, que se sai um pouco melhor).
O filme se encerra com um gancho escancarado para uma segunda continuação, que
talvez nunca saia tendo em vista as bilheterias decepcionantes de A BATALHA DE
RIDDICK. Ou seja, certamente teremos o retorno de Vin Diesel em novos filmes de
ação. Já o destino de Riddick, a esta altura, parece bem menos promissor.
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