ROCKY BALBOA (Rocky Balboa, EUA, 2006)
Gênero
: Drama
Duração: 102 min.
Elenco: Sylvester Stallone, Burt Young, Milo Ventimiglia, Geraldine Hughes, James Francis Kelly III, Tony Burton, A.J. Benza, Henry G. Sanders, Antonio Tarver, Pedro Lovell, Ana Gerena, Angela Boyd
Compositor: Bill Conti
Roteirista: Sylvester Stallone
Diretor: Sylvester Stallone

Volta por cima

Stallone e seu alterego Rocky exorcizam demônios interiores em filme muito bom, apesar de ser bem mais família que os outros da franquia

Sylvester Stallone, nascido sob o signo de câncer no dia 6 de julho de 1946, foi durante os anos 80 um dos atores mais bem pagos de Hollywood. Mas como tudo que sobe tem que descer, o ator tem amargado uma decadência desde a primeira metade da década de 90. Seu último filme a faturar bem nas bilheterias foi RISCO TOTAL (1993). Ele até tentou conseguir uma vaga no primeiro time de Hollywood, fazendo um filme ao lado de Robert De Niro e Harvey Keitel - COPLAND (1997) - mas isso acabou não vingando em projetos futuros. Assim como o próprio Stallone, Rocky Balboa é um canceriano típico: sente saudades do passado, tem um grande coração escondido num corpo desengonçado, é sentimental, e só parte para a briga se o cutucarem. Poucos personagens do cinema carregam de maneira tão forte o arquétipo de um signo. E o lado mais sensível de Rocky está ainda mais latente neste sexto filme da série, já que lhe foi tirado aquilo de que ele mais gostava: sua esposa Adrian.

No começo de ROCKY BALBOA (2006), o lutador aposentado está sentado ao lado do túmulo de sua esposa, que morreu de câncer há alguns anos. Há um enorme sentimento de perda no coração de Rocky. Seu melhor amigo é o cunhado Paulie (Burt Young), que lamenta o fato de ter maltratado Adrian no passado. O filme é um drama sentimental, mas como se trata de um filme de Rocky é claro que o ápice será numa luta. E não deixa de ser um pouco patético o Sly velhão lutando num ringue de boxe, ainda mais desengonçado do que quando era jovem. Mas ao mesmo tempo é impossível não sentir um carinho especial por ele, torcer, entender que aquela luta é importante para a sua auto-afirmação, para tirar o chamado monstro interior que o consome por dentro, como numa maneira de exorcizar os seus demônios interiores.

Além da falta do amor de sua vida, Rocky se sente rejeitado pelo próprio filho - interpretado por Milo Ventimiglia, conhecido de quem acompanha a série HEROES. Quando ele sai para escolher um cachorro num canil, ele escolhe o cachorro mais triste e feio. Ele acredita que é só dar um pouco de carinho e boa alimentação que logo o cachorrinho volta a se sentir vivo. Difícil não pensar no próprio Rocky e no seu próprio sentimento de rejeição nessa cena.

Pode-se dizer que ROCKY BALBOA é mais indicado às pessoas que assistiram aos outros filmes. Mas quem é que nunca assistiu a um filme da série? Difícil encontrar alguém com mais de quinze e menos de cinqüenta anos que nunca tenha visto um filme de Rocky na televisão ou no cinema. No meu caso, o único filme dele que eu vi no cinema foi o ROCKY V (1990), considerado por muitos o mais fraco, mas que já acentuava uma evolução que daria nesse sexto trabalho. Desse modo, eu me lembro bem mais do Rocky dublado, pela televisão. Tanto é que uma das cenas mais marcantes de toda a série para mim é a cena da morte de Mickey em ROCKY III (1982). No novo filme, tanto Mickey (Burgess Meredith) quanto Adrian (Talia Shire) só aparecem em cenas de arquivo, nos pensamentos de Rocky. E o filme é bem mais família do que os outros, já que o Rocky não apanha tanto, não fica com a cara toda arrebentada como em ROCKY IV (1985). Aliás, se não fossem as fracas cenas de luta, o filme seria ótimo. Mesmo assim, pode-se dizer que ROCKY BALBOA é um retorno digno de Sylvester Stallone às graças do público. Só não vejo com bons olhos é esse negócio de trazer de volta o Rambo. Mesmo assim, torço pelo seu sucesso.

Cotação:
Ailton Monteiro
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