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NINO ROTA (1911-1979)

por Márcio Alvarenga

Nino Rota nasceu em Milão, uma das cidades mais sofisticadas da Itália, com grande influência na cultura criativa. Nino Rota era uma criança prodígio, já que aos oito anos começou seus estudos de música. O seu talento aflorou quando tinha onze anos e compôs um oratório intitulado "A Infância de São João Batista". Estudou composição e regência no Conservatório de Milão. A complementação de seus estudos se daria nos Estados Unidos, com dois conceituados mestres de composição: Rosário Scalero e Fritz Reiner.

Em 1937 ele começou a lecionar no Conservatório de Bari, assumindo a direção até a sua morte, em 10 de abril de 1979. A sua entrada para o cinema se deu a partir da década de quarenta, coincidindo com um período de grande efervescência cinematográfica através do movimento conhecido mundialmente como neo-realismo. Nesse período surgiram trabalhos memoráveis como VIVER EM PAZ, filme dirigido por Luigi Zampa, de 1946.

Certa vez, o cineasta Federico Fellini afirmou: "o colaborador mais valioso de todos era Nino Rota. Entre nós estabeleceu-se uma integração total desde Abismo de Um SonhO. Nossa integração foi interessante: eu tinha decidido ser diretor, e Nino era uma premissa para que continuasse a sê-lo. Tinha uma imaginação geométrica, uma visão musical das esferas celestes, para quem não havia necessidade de ver as imagens de meus filmes."

Nino Rota também trabalhou com outros importantes nomes do cinema, como Luchino Visconti. A parceria entre ambos teve início em NOITES BRANCAS, seguindo-se as participações com as trilhas em ROCCO E SEUS IRMÃOS, BOCACCIO 70 e O LEOPARDO.

No ano de 1968, ele aceita um convite de Franco Zefirelli para compor a música de ROMEU E JULIETA, que dotada de lirismo e romantismo capazes de levar às lagrimas multidões do mundo inteiro, tornou-se uma de suas trilhas mais famosas até então. Num gesto de humildade típico de grandes almas, Nino Rota certa vez telefonou para Henry Mancini para cumprimentá-lo pelo estupendo arranjo musical que proporcionou para ROMEU E JULIETA, música mundialmente consagrada através de inúmeras gravações.

Francis Ford Coppola foi até a Itália, em 1972, convidar pessoalmente Nino Rota para fazer a música de O PODEROSO CHEFÃO, filme baseado no romance de Mario Puzo. Em 1974, a música de O PODEROSO CHEFÃO 2 foi premiada com o Oscar, porém naquela oportunidade a trilha foi composta em parceria com o pai do diretor, o compositor Carmine Coppola. Cumpre destacar que Carmine compôs apenas três faixas, enquanto Nino Rota ficou com as restantes 11 faixas.

O ritmo da música de Rota tem a capacidade de tocar a nossa alma, enquanto tempera imagens memoráveis. Mesmo que determinadas produções não tivessem a capacidade para impressionar o público, sua música marcava presença de forma discreta, mas profundamente envolvente. Ele fazia questão de rotular sua música de marginal, mas ela tinha uma funcionalidade rigorosamente impressionante. Rota é um nome que deve ser reverenciado por tudo aquilo que produziu para a música do cinema.

Filmografia de Nino Rota, cortesia de Internet Movie Database

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