REDESCOBRINDO NINO ROTA

La Dolce Vita, Amarcord, Otto e Mezzo, Romeo and Juliet, The GodFather. São muitas as trilhas sonoras para o cinema compostas por Nino Rota. Mas o que poucos sabem é que sua obra se estende a outras áreas e estilos musicais. Sua primeira composição foi aos vinte e dois anos: o oratório L’Infanzia di San Giovanni Battista, que foi apresentado em Milão e em Paris. E aos vinte e cinco anos compôs a comédia lírica Il Príncipe Porcaro.

Em 1942, Nino Rota compôs sua primeira ópera: Ariodante. E nesse segmento ele tem uma vasta obra: Torquemada (1943), Il Cappello di Paglia di Firenze (1955), I Due Timidi (1950), La Notte di un Neurastenico (1959), Lo Scoiattolo in Gamba (1959), Aladino e la Lampada Magica (1968), La Visita Meravigliosa (1970), Napoli Milionária (1977). Suas composições eruditas se estendem ao balé. La rapresentazione di Adamo ed Eva (1957), La Strada (1965), Aci e Galatea (1971), Le Molière Imaginaire (1976), Amor di Poeta (1978), são alguns exemplos.

Ao que me parece, o Nino Rota erudito foi redescoberto há pouco. Muitas de suas composições nesta área estão sendo lançadas e podem ser ouvidas em gravações recentes. A orquestra I Virtuose Italiani gravou uma série de CDs com músicas eruditas de Rota, e dois devem ser destacados: “Two Piano Concertos” de 1998, com o pianista Massimo Palumbo, apresenta o Piano Concerto in E minor e o Piano Concerto in C major; e “Nino Rota Concertos”, de 2002, onde a orquestra interpreta o Concerto for Harp; Concerto for Bassoon and Orchestra; Castel del Monte e o Concerto for trombone and orchestra.

O álbum “Nino Rota Chamber Music” de 2000, com a orquestra Ex Novo Ensemble apresenta seis composições para orquestra de câmara: Sonata for flute and harp; Trio for clarinet, cello and piano; String Quartet; Quintet for flute, oboe, viola, cello and harp; Trio for flute, violin and piano e Piccolo Oferta Musicale for wind quintet. A música para o balé La Strada, pode ser ouvida com a Orchestra del Teatro Massimo di Palermo sob a regência de Marzio Conti, em um CD de 2003 intitulado “Nino Rota”.

 O regente norueguês Ole Kristian Ruud e o regente finlandês Hannu Koivula gravaram em 2001, com a Norrkoping Simphony Orchestra, a Sinfonia nº3, o Concerto Festivo e a música do balé Le Molière Imaginaire. Sua ópera mais famosa Il Cappello di Paglia di Firenze pode ser ouvida em um CD de 2005 com a Orchestre Symphonique de la Monnaie sob a batuta de Elio Boncompagni.

Além de gravações, um documentário foi lançado recentemente no Brasil. O DVD La Dolce Vita, em edição especial, traz o documentário Nino Rota, entre o cinema e o erudito. Nino Rota tornou-se conhecido pelo grande público através de suas belas músicas para os filmes de Federico Fellini. Mas sua obra é tão vasta e diversificada que merece ser redescoberta e divulgada, pois Rota, com todo seu complexo conhecimento musical, figura entre os grandes compositores do século 20.

Tarso Ramos

VOLTAR PARA A BIBLIOTECA