RUBENS EWALD FILHO: PAIXÃO PELO CINEMA

Não há, entre os cinéfilos do Brasil, quem não conheça Rubens Ewald Filho. Seus comentários podem ser lidos em jornais, revistas e na internet. Em 1978, Rubens lançou a primeira edição do "Dicionário de Cineastas", uma obra inédita e sem similares no Brasil. Em 1985, fez uma nova edição revista e em 2002 lançou a terceira Edição, também o seu vigésimo segundo livro. Foram 13 edições dos "Guias de Vídeo- Video News" para a Editora Sigla, duas edições (revisadas, uma pela Global, outra pela LPM ) do "Dicionário de Cineastas", o pioneiro "Os Filmes de Hoje na TV" (1975) da Global, e pela Editora Vimarc o "Guia do DVD", "Os Cem Melhores Cineastas", "Os Cem Melhores Filmes do Século 20" e "Cult Movies do Século 20" (os três últimos em 2001). Em dezembro de 2001 lançou o "Guia de Filmes em DVD- DVD News", pela NBO Editora. São mais de 30 anos de carreira como o crítico de cinema mais conhecido e popular do Brasil, graças principalmente à suas aparições na televisão, atualmente apresentando o "TV Escolha" na Rede TV, o "Cine Brasil" na Rede Cultura, a festa do Oscar pelo SBT e seu próprio programa "Cinema com Rubens Ewald Filho", que produz, escreve e apresenta, pela Rede Telecine (Telecine Classic). Santista de nascimento e coração (tem orgulho de ter recebido o título de "Cidadão Emérito" da cidade e haver uma sala de arte na cidade que leva o seu nome), Rubens começou na "A Tribuna de Santos" (onde escreve até hoje), vindo depois para o "Jornal da Tarde" de "O Estado de S. Paulo" (onde mantém uma coluna diária). Foi para a televisão no começo dos anos 70, passando por várias emissoras como autor de novelas (entre elas, "Éramos Seis", premiada com o troféu Imprensa e o Prêmio APCA), apresentador, programador e diretor de Produção e Programação na HBO Brasil. Fez cinema como diretor de curta-metragem, ator em vários filmes, assistente de direção, roteirista. Mas optou por não mais fazer cinema profissionalmente. Colaborou com os principais órgãos de imprensa do Brasil, como a revista "Veja". Em 2002 chegou à marca dos vinte mil filmes assistidos e registrados. Nesta entrevista exclusiva para o nosso webmanager, realizada em julho de 2001, Rubens falou um pouco sobre suas experiências, vídeo, DVD, trilhas e da sua grande paixão, o cinema.  

Jorge Saldanha: Rubens, primeiramente quero dizer que é uma enorme satisfação poder conduzir esta entrevista com você. Há anos tenho acompanhado as suas atividades ligadas ao cinema, e posso afirmar, sem sombra de dúvida, que hoje você é o maior especialista em cinema do país, uma verdadeira enciclopédia viva. Mas, como dizem, tudo tem um começo, que para o cinéfilo normalmente é um filme marcante. Qual foi o filme que despertou a sua paixão pelo cinema?

Rubens Ewald Filho: INFELIZMENTE NÃO TIVE UM ÚNICO FILME, FOI TODA A MITOLOGIA DO CINEMA, QUE NA ÉPOCA, ANOS 50, AINDA VIVIA O AUGE DE HOLLYWOOD. ALIÁS, ESTAVA ACABANDO A IDADE DE OURO, MAS NEM ELES NEM EU SABÍAMOS DISSO... O PRIMEIRO FILME QUE EU VI FOI TARZAN E AS SEREIAS, MAS EU ME LEMBRO COM EMOÇÃO DOS MUSICAIS  O BARCO DAS ILUSÕES, COM AVA GARDNER, O PRIMEIRO A ME FAZER CHORAR, E QUANDO CANTA O CORAÇÃO, COM A DEBBIE, QUE ME ENCANTOU... FORA OS DESENHOS DA DISNEY, CLARO, MAS ACHO QUE FORAM AS REVISTAS FILMELÂNDIA E CINELÂNDIA QUE MAIS ME INFLUENCIARAM. 

JS: Você possui trabalhos ligados ao cinema e TV brasileiros, tendo sido inclusive ator! Fale-nos um pouco sobre essas experiências.

REF: COMO TODO JOVEM EU PENSEI EM FAZER CINEMA COMO DIRETOR. FUI PEGANDO EXPERIÊNCIA... ME CHAMARAM PARA SER ATOR, DISSERAM QUE A CARA ERA BOA... FUI EM FRENTE MAS NUNCA COM AMBIÇÃO, NUNCA QUIS SER ATOR. FIZ ROTEIRO, FUI ASSISTENTE DE DIREÇÃO, DIRIGI CURTA, APRENDI BASTANTE, TENTEI MESMO MONTAR UMA PRODUÇÃO MAS DEU ERRADO... ACABEI OPTANDO POR SER APENAS CRÍTICO E NÃO ESTOU ARREPENDIDO, ACHO QUE NÃO SERIA UM GRANDE   DIRETOR. MUITO DO QUE EU QUERIA PASSAR PARA AS PESSOAS COLOQUEI NA  NOVELA ÉRAMOS SEIS, QUE ESCREVI (DUAS VEZES POR SINAL, A ÚLTIMA QUE FIZ SOZINHO, GANHEI ATÉ DOIS PRÊMIOS).
 

JS: Entre a crítica especializada, temos aqueles para os quais apenas é bom o filme de arte, independente e europeu. De outro lado, temos críticos e publicações especializadas que destacam o cinema americano “mainstream” recente, filmes de grande apelo popular, e se esquecem até mesmo dos grandes clássicos de Hollywood. No meu entender, você sempre esteve num interessante meio-termo, valorizando e reconhecendo a arte no cinema, mesmo em filmes comerciais. Para você, o que caracteriza um bom filme?

REF: VOCÊ ESTÁ CERTO, PROCURO ESSE MEIO TERMO MESMO, GOSTO DO QUE É BOM EM QUALQUER GÊNERO.  O QUE É UM BOM FILME? EU JULGO SEMPRE PELA INTENÇÃO: POR QUE FOI FEITO? SE É FILME DE AÇÃO, QUE SEJA MOVIMENTADO, DIVERTIDO, NÃO VIOLENTO DEMAIS; SE POLÍTICO, QUE SAIBA EXPOR SUAS IDÉIAS E ASSIM POR DIANTE. SE COMÉDIA, QUE FAÇA RIR... CLARO QUE HÁ O LADO TÉCNICO, SE FOI BEM FEITO, MAS ISSO É OUTRA COISA, DE DRAMATURGIA. CINEMA TAMBÉM USA MUITA TECNOLOGIA, MAS A BASE MESMO É A EMOÇÃO, SE TOCA OU NÃO AS PESSOAS... O TÉDIO PODE SER TAMBÉM UMA EMOÇÃO, NÃO ESQUEÇA! 

JS: Ainda hoje, há críticos de cinema que não admitem assistir a um filme em outro local que não seja uma sala de cinema. Durante o nascimento do mercado de Home Video no Brasil, era leitor assíduo de seus comentários na revista Video News. Nessa época você lançou os primeiros e memoráveis Guias de Vídeo. Por tudo isso, creio que você não tem esse preconceito. Estou certo?

REF: NÃO TENHO MESMO, VEJO ONDE FOR POSSÍVEL, CONFORME FOR O CASO. HOJE TENHO UM BOM HOME TEATHER COM TELÃO, LÁ EM CASA... FREQÜENTO O JARDIM SUL E ESPAÇO UNIBANCO, QUE ACHO AS MELHORES SALAS DE CINEMA. NÃO ESQUEÇAM QUE ANTES ELAS ERAM MUITO RUINS!!! 

JS: No ano passado, você lançou o primeiro Guia de DVD do Brasil. Entendo que o DVD finalmente está criando, por aqui, o hábito de se colecionar filmes, coisa que o VHS, seja por seu preço ou por suas próprias limitações, nunca conseguiu. Títulos que dificilmente seriam lançados em VHS hoje estão disponíveis, em edições muitas vezes repletas de material extra. Diga-nos o que você pensa a respeito desta nova mídia, o DVD.

REF: SOU ENTUSIASTA E FAÇO PROPAGANDA DELE PARA TODO MUNDO. ACHO QUE É UM  VEÍCULO PARA O FÃ DE CINEMA, PORQUE NELE SE PODEM ENCONTRAR COISAS RARAS (CENAS CORTADAS, COMENTÁRIOS QUE SÃO VERDADEIRAS AULAS DE CINEMA, ETC.), QUE ME DELICIAM... ALÉM DISSO A IMAGEM E O SOM SÃO, NO MOMENTO, INCOMPARÁVEIS.

 

JS: Há pouco você lançou três novos livros. Fale-nos um pouco sobre cada um deles.

REF: FORAM FEITOS PARA DIVULGAR O CINEMA NUMA LINGUAGEM LEVE, PARA ESTUDANTES TAMBÉM, SOBRE DIRETORES, FILMES E FILMES CULTS DO SÉCULO, NA MINHA FORMA BEM GOSTOSA DE LER, CONVERSAR COM O LEITOR. NÃO PRETENDO SER DEFINITIVO, NEM NADA DISSO... E CUSTAM MENOS DE DOZE REAIS. ESTÃO SENDO REEDITADOS E REVISTOS, E DEVEM SAIR DE NOVO EM BREVE. 

JS: Há anos você vem comentando as transmissões anuais da entrega do Oscar. Na sua opinião, ele é o prêmio mais importante do cinema, tanto comercial quanto artisticamente?

REF: ELE É SEM DÚVIDA O GRANDE PRÊMIO, OS OUTROS NEM COMPETEM, NEM DE PERTO. CANNES TEM UM CERTO PRESTÍGIO, SÓ ISSO. MAS NÃO É PARA SER LEVADO A SÉRIO COMO ARTE. EXPRESSA A OPINIÃO DE HOLLYWOOD SOBRE O QUE SE FEZ AQUELE ANO, NÃO NECESSARIAMENTE ALGO DEFINITIVO. COMO MUITA GENTE AINDA SENTE NO BRASIL... E É O ÚNICO QUE LEVA GENTE AO CINEMA. 

JS: Dentre todas as cerimônias do Oscar, há alguma história interessante para nos contar? Também, destaque um momento que você achou realmente especial.

REF: TODAS AS TRANSMISSÕES DO OSCAR SÃO INTERESSANTES. SEMPRE HÁ PROBLEMAS, MAS NÃO DÁ PARA ENTREGAR COLEGAS... O MAIS FAMOSO FOI O ANO QUE FIZ COM A MINHA QUERIDA AMIGA GABI, E A REPÓRTER DO SBT DEU AQUELA MANCADA, DIRETO E AO VIVO, COM SHARON STONE E DREYFUSS, LEMBRA? COMO FESTA, NOS ÚLTIMOS ANOS, ANDA BEM FRACA... 

JS: Você tem feito coberturas de festivais de cinema, seja no Brasil (Gramado), seja no exterior (Cannes). Nessas ocasiões, você conheceu e entrevistou vários atores e atrizes, nacionais e internacionais. Quais lhe deixaram as melhores impressões?

REF: ODEIO KEVIN COSTNER DESDE A ENTREVISTA, ACHO ELE UMA BESTA, ASSIM COMO ARNOLD SCHWARZENEGGER. OS OUTROS EM GERAL FORAM LEGAIS. EMANUELLE BEART FOI UM ENCANTO, LIV ULLMAN ME DEIXOU DE QUATRO, ROBIN WILIAMS E TOM HANKS, COM QUEM FIQUEI MAIS TEMPO, SÃO BONS SUJEITOS, INTELIGENTES E INFORMADOS. DE UM MODO GERAL OS DIRETORES TEM MAIS A DIZER, O QUE AJUDA MUITO, ATORES SÃO MAIS BURROS. OS AMERICANOS SÃO PROFISSIONAIS, OS EUROPEUS MAIS INFORMADOS E INTELIGENTES. 

JS: Trace um paralelo entre o trabalho que você antes desenvolvia na HBO, e sua atual fase na rede Telecine, com o seu programa “Cinema com Rubens Ewald Filho”. Acredito que os assinantes da TVA estão se sentindo seus órfãos...

REF: TOMARA QUE SIM! A HBO FEZ MAL EM SE MUDAR DO BRASIL E IR PARA MIAMI, VIROU COISA DE LATINO, DE "CUCARACHO". ELES DESTRUÍRAM TODO O TRABALHO QUE EU FIZ, INCLUSIVE DE CHAMADAS, VISUAL, PROGRAMAÇÃO. TUDO QUE EU PLANTEI ELES TRANSFORMARAM EM NADA, NO MOMENTO SÓ PASSAM FILMES GRANDES PORQUE OS ESTÚDIOS SÃO SÓCIOS. MAS DEIXEI AINDA GENTE BOA QUE FAZ O QUE PODE. MAS ACHO QUE A DECISÃO DE SAIR DO BRASIL É ERRADA PARA QUALQUER CANAL, E O BOM DO TELECINE É SER BRASILEIRO.... QUANTO AO CLASSIC, É ABSOLUTAMENTE GENIAL QUE ELE EXISTA... E O PROGRAMADOR, SÉRGIO LEEMAN, É MUITO BOM MESMO. 

JS: Como você sabe, o ScoreTrack.Net é um site dedicado à música de cinema. No seu entender, qual o significado, ou importância, da trilha sonora original para um filme? Sabe-se que há filmes que são engrandecidos por sua partitura, e por outro lado, há bons (apesar de poucos) filmes que não possuem qualquer nota musical...

REF: CINEMA NÃO EXISTE SEM A MÚSICA! SEM TRILHA MUSICAL O FILME NÃO RESISTE. ISSO É FÁCIL CHECAR, BASTA DESLIGAR O SOM QUE A FITA PERDE MAIS QUE SETENTA POR CENTO, JURO, QUE É TANTO ASSIM... E AS TRILHAS ACABAM RESISTINDO POR SI SÓ, COMO DISCOS, ÁLBUNS, COMO SE FOSSEM SINFONIAS MODERNAS. ELES SÃO OS NOSSOS BRAHMS, OS BACHS DE NOSSO TEMPO, SEM EXAGERO... SÃO GRANDES MÚSICOS TRABALHANDO POR ENCOMENDA, MAS COM RESULTADOS EM GERAL  MUSICALMENTE EXCEPCIONAIS, E AINDA POR CIMA AJUDANDO UMA OBRA ALHEIA. SOU SUPER FÃ DOS MÚSICOS QUE TRABALHAM PARA O CINEMA. 

JS: Dentre eles, quais são os seus compositores favoritos?

REF: MUITOS. TANTOS QUE FICA DIFÍCIL ESCOLHER... ADORO ENNIO MORRICONE E PROCURO TER TUDO DELE. TROUXE DA FRANÇA MUITA COISA DO GEORGES DELERUE E PHILIPPE SARDE, QUE NÃO CONHECIA  COMO DEVERIA. JOHN WILLIAMS É GÊNIO... E O QUE DIZER DE BERNARD HERRMANN? E DOS ANTIGOS, ENTÃO... NÃO SABERIA DIZER DO QUE NÃO GOSTO, ATUALMENTE. 

JS: Há milhares de grandes obras compostas para o cinema, e dentre elas, nos cite uma trilha (ou canção) que possui um significado especial para você.

REF: HOUVE UMA VEZ UM VERÃO, DE LEGRAND, FOI UMA TRILHA QUE ME MARCOU MUITO. ALIÁS, TUDO DELE, GUARDA CHUVAS DO AMOR, DEMOISELLES DE ROCHEFORT...  E TEM TAMBÉM O NOSSO JOBIM, ADORO A TRILHA QUE ELE FEZ PARA GABRIELA

JS: Sabemos que você possui um carinho todo especial pelos grandes musicais, um gênero que já teve enorme popularidade e hoje se encontra praticamente relegado a documentários do tipo “Era Uma vez Hollywood”. Em que período este gênero teve o seu apogeu?

REF: INFELIZMENTE OS MUSICAIS NÃO EXISTEM MAIS COMO ANTIGAMENTE, PORQUE O SISTEMA DE ESTÚDIOS  MORREU E POUCO RESTOU. NÃO HOUVE HERDEIROS, A ULTIMA "DINOSSAURA" É A LIZA MIJNELLI, QUE ESTÁ DOENTE. MESMO NA BROADWAY HÁ O MESMO PROBLEMA, FALTAM ESTRELAS, COREÓGRAFOS, DANÇARINOS. FICA SE REVIVENDO BOB FOSSE E MUSICAIS ANTIGOS, OU SEJA, FALTAM VALORES... E VIERAM DA INGLATERRA OS WEBBERS DA VIDA PARA COMPLICAR. O ASSUNTO É MUITO VASTO, ACHO QUE SE DEVE DAR GRAÇAS A DEUS DE QUE POR UM BREVE MOMENTO EXISTIU UMA DÉCADA DE LUZ MUSICAL NA METRO, DE QUARENTA E POUCOS ATÉ MEADOS DOS ANOS CINQÜENTA, ONDE SE REUNIRAM OS MELHORES DO MUNDO NO GÊNERO... E QUEM FEZ ISSO FOI ARTHUR FREED, O MAIOR PRODUTOR De MUSICAIS.

JS: Em sua opinião, quais os principais diretores de cinema contemporâneos?

REF: AINDA ETTORE SCOLA, SPIELBERG. ALGUNS JOVENS COMO SPIKE JONZE REVELAM TALENTO... MAS O MELHOR CINEMA HOJE VEM MESMO DA CHINA E ORIENTE, E DO IRÃ. 

JS: Planos para o futuro?

REF: ESTOU FAZENDO O NOVO LIVRO DE DVD, QUE DEVE MUDAR DE NOME DEIXAR DE SER GUIA, E  ESTOU VENDO FITA ADOIDADO... VAMOS VER O QUE O FUTURO RESERVA, SEMPRE COM NOVOS DESAFIOS. GOSTO DE LUTAR, VAMOS EM FRENTE! 

JS: Rubens Ewald Filho, em nome do site ScoreTrack.Net e de todos aqueles que nos prestigiam, quero agradecer por sua enorme gentileza. Tenho certeza de que suas respostas interessarão sobremaneira àqueles que, ao longo dos anos, vem acompanhando com interesse o seu trabalho, e enriquecerão a todos que amam o cinema e suas inesquecíveis melodias. Muito obrigado!

REF: OBRIGADO PELA GENTILEZA, E A MAIOR FORÇA PARA VOCÊS!

Nota da Equipe ScoreTrack.Net: Rubens Ewald Filho escreve para o site EPipoca. O Programa "Cinema com Rubens Ewald Filho" vai ao ar todas as quintas-feiras às 21h30m, no canal pago Telecine Classic.

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